Chefes militares russos terão discutido recentemente a possibilidade de utilizar na Ucrânia uma arma nuclear tática, menos potente do que uma bomba nuclear estratégica, avançou o The New York Times.
Segundo as várias fontes ouvidas pelo jornal, Vladimir Putin não terá participado nas discussões. As mesmas fontes não revelaram que cenários foram considerados pelos militares, mas afirmaram que, apesar das discussões, não foram detetados sinais de que Moscovo se esteja a preparar para usar uma arma nuclear.
Num comunicado divulgado algumas horas após a publicação da notícia do The New York Times, o Ministério dos Negócios Estrangeiros russo advertiu que uma guerra entre potências nucleares terá “consequências catastróficas”, defendendo que é prioritário evitar que esta ocorra.
“Na atual situação difícil e turbulenta, o resultado de ações irresponsáveis e sem vergonha destinadas a minar a nossa segurança nacional, a principal prioridade é evitar qualquer confronto entre as potências nucleares”, referiu o comunicado, citado pela AFP.
Na mesma nota, a Rússia apelou aos outros países com armas nucleares que evitem um confronto com Moscovo, pondo fim às suas “perigosas tentativas de invadir os interesses vitais de outros”. Se os países ocidentais continuarem a ajudar a Ucrânia a “manter-se no limiar de um conflito armado direto” e a “encorajar provocações com armas de destruição maciça”, isso poderá ter “consequências catastróficas”, avisou o ministério de Serguei Lavrov.
“A Rússia continua guiada pelo princípio de que uma guerra nuclear, na qual não pode haver vencedor, é inadmissível e nunca deve deflagrar”, afirmou o ministério russo, acrescentando que a a doutrina nuclear da Rússia prevê a utilização “estritamente defensiva” de armas nucleares em caso de ataque com armas de destruição maciça ou de agressão com armas convencionais que ameace a “própria existência do Estado”.
Questionado sobre o artigo do The New York Times, o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, acusou o ocidente de estar a alimentar a discussão sobre a eventual utilização de armas nucleares, na qual Moscovo não pretende entrar.
O ministro da Defesa russo, Serguei Shoigu, acusou esta quarta-feira que a Ucrânia de estar pronta para acolher armas nucleares vindas dos membros da NATO. “Sabemos das tentativas de Kiev para criar uma ‘bomba nuclear suja’ e também da sua prontidão para colocar armas nucleares dos países da NATO no seu território”, disse Shoigu, segundo a EFE. Shoigu culpou Washington e as capitais europeias por “ignorarem a chantagem nuclear de Kiev” e as “suas provocações contra a central nuclear de Zaporijia”, a maior da Europa e que está sob o controlo das forças russas.
O ex-presidente russo, Dmitri Medvedev, sugeriu na terça-feira que a alternativa à vitória da Rússia na Ucrânia é uma “guerra mundial com o uso de armas nucleares”.
Os países do ocidente acusam Moscovo de utilizar a ameaça de guerra nuclear para os dissuadir de apoiar a Ucrânia na guerra iniciada a 24 de fevereiro deste ano.