A Food and Drug Administration (FDA), a agência que autoriza a utilização de medicamentos nos EUA, concedeu esta quinta-feira a aprovação total ao medicamento para Alzheimer Leqembi, o primeiro fármaco que provou ser eficaz a retardar a evolução da doença, avança a CNN.

A aprovação total é “a primeira verificação de que um medicamento direcionado ao processo subjacente à doença de Alzheimer e que mostrou benefício clínico”, disse Teresa Buracchio, diretora interina do Departamento de Neurociência do Centro de Avaliação e Pesquisa de Medicamentos da FDA.

O Leqembi, com o nome científico Lecanemab, é comercializado pelas empresas Biogen e Elsai. O fármaco tinha recebido aprovação preliminar da FDA em janeiro, com base nos resultados dos ensaios clínicos que mostraram que o medicamento diminui, em 27%, a taxa de declínio cognitivo em doentes com Alzheimer precoce.

O Lecanemab é um anticorpo monoclonal que se liga, de forma seletiva, às proteínas beta-amiloides para neutralizar e eliminar agregados desta proteína no cérebro, que se pensam estarem na origem do desenvolvimento do Alzheimer. O medicamento foi aprovado apenas para pessoas com formas precoces da doença de Alzheimer e com um comprometimento cognitivo leve.

O medicamento inovador é uma descoberta importante para a comunidade médica e para os milhões de doentes que sofrem de Alzheimer em todo o mundo. Durante décadas, muitas empresas farmacêuticas tentaram, sempre sem sucesso, atrasar o progressivo declínio cognitivo causado pela doença. Depois de muitos milhões investidos, os laboratórios cortaram o investimento, perante a ausência de resultados.

Entretanto, tanto o Medicare (seguro de saúde estatal) como o Medicaid (programa que ajuda a cobrir os custos de saúde de pessoas com baixos rendimentos) garantiram que vão expandir a cobertura do medicamento, ampliando o acesso para até um milhão de pessoas com formas precoces da doença de Alzheimer. Atualmente, o medicamento não tem estado a ser utilizado de forma massiva, muito devido ao custo elevado — quase 24 mil euros para quem não está coberto pelo Medicare.