O hábito de usar o último nome na parte de trás da camisola pode muito bem cair por terra consoante o peso de um dos nomes do meio. Foi o que aconteceu com Rafael. O apelido “Lisboa” que herdou de Carlos figura nas costas de qualquer equipamento que vista. Nos últimos anos, foi o do Spirou Charleroi. Ao fim de duas épocas, a ligação com a equipa belga terminou.
“Foi uma experiência muito enriquecedora”, disse o internacional português durante o estágio da seleção nacional, em Rio Maior. Apesar de ainda não estar definido o destino do jogador, o próprio adianta que não vai passar por Portugal. “É altura de abraçar novos desafios e ver até onde é que posso ir”, explicou. “O meu objetivo de carreira é continuar no estrangeiro o maior tempo possível. Por isso, estou a considerar, mas a minha prioridade é continuar fora de Portugal”.
Rafael Lisboa fez toda a formação no Benfica. Em 2017, estreou-se pela equipa principal do clube da Luz, onde chegou a ser treinado pelo próprio pai. Deixou as águias em 2021. “Quando cheguei à Bélgica, lembro-me de sentir uma diferença na velocidade do jogo e da intensidade comparado com o que se jogava cá na nossa liga na altura em que saí. A preparação física teve que ser melhor para conseguir aguentar o jogo inteiro. Foi um processo de adaptação”.
No final, o balanço foi positivo da participação num campeonato que tem a particularidade de, na fase final, cruzar equipas belgas e neerlandesas. “Havia a melhor equipa do campeonato que é campeã há onze anos seguidos, o Oostende, uma equipa que joga na Liga dos Campeões regularmente de forma muito consistente. Desde o primeiro ao último classificado, os jogadores são todos profissionais. É uma liga muito competitiva e é um estilo de jogo muito diferente”, continuou Rafael Lisboa que não esquece a exigência.
“É uma experiência boa e necessária para sair da zona de conforto, experienciar novas adversidades. Ser jogador estrangeiro não é igual. É a mesma coisa quando vêm jogadores estrangeiros para o nosso campeonato. A exigência é diferente. É mais fácil trocar um jogador estrangeiro do que um jogador nacional. É uma boa experiência para qualquer jovem”, frisou. “Quantos mais jogadores derem o passo em frente de se desafiarem e de verem até onde são capazes de ir, mais jogadores vão querer fazer isto. Começa a crescer o número de jogadores que quer ir para o estrangeiro e que se tentam afirmar”.