Começou mal, esteve muito mal, foi melhorando, acabou em grande. Em mais um encontro em que Gianluca Prestianni voltou a ser determinante para a quarta vitória consecutiva, com uma assistência para Pavlidis e um golo num lapso de seis minutos, o Benfica superou o complicado desafio de bater pela primeira vez o Santa Clara no Campeonato e somou mais três pontos que deixaram a equipa com a segunda posição mais reforçada a cinco pontos do FC Porto. No entanto, no final, em vez de festa houve tudo menos isso.
Numa enorme confusão que acabou depois por embrulhar jogadores, técnicos e elementos da estrutura das duas equipas, Cláudio Pereira foi começando a distribuir cartões vermelhos quando tudo parecia estar mais calmo. Ao todo, foram cinco: Welinton Torrão e Pedro Pacheco do Santa Clara, Jhon Durán, o técnico adjunto Gonçalo Sousa e o diretor do futebol Mário Branco do Benfica. “Espero que ponham as imagens todas, todas, todas e depois vamos ver o que é que aconteceu. Mas ponham mesmo todas, que não seja preciso esperar três dias para depois aparecer um vídeo das bancadas que mostra tudo, como já aconteceu esta temporada”, comentou Marco Silva na flash interview da SportTV. “O Durán disse-me que não fez absolutamente nada, eu tenho de acreditar no meu jogador. Se levou vermelho sem ter feito nada, espero que alguém tenha a coragem de lhe retirar o cartão vermelho. É só isso…”, acrescentou.
Tudo começou perto do minuto 90, quando Jhon Durán atingiu com o braço Emanuel Monteiro, viu cartão amarelo e foi depois empurrado por Romão, que foi também sancionado. Já depois do final da partida, é possível ver nas imagens que existe uma troca de palavras mais acesa entre Luis Fernando e o avançado colombiano, com Jhon Durán a sair depois dessa zona sem responder a nenhuma provocação dos jogadores dos açorianos antes de se montar uma enorme confusão com discussões e empurrões de elementos do Santa Clara e do Benfica. Só mesmo o relatório de Cláudio Pereira poderá agora explicar em concreto o que se passou mas, para já, ficam pelo menos cinco cartões vermelhos que terão impacto naquilo que será a próxima jornada. “São coisas do jogo, aconteceu mas está tudo tranquilo. Se também fui expulso? Não vi, o árbitro veio muito para cima e não vi se fui…”, referiu o avançado brasileiro dos açorianos.
Antes, os encarnados superaram mais um complicado teste, com Marco Silva a admitir vários problemas até ao intervalo antes de destacar a capacidade de reação da equipa no segundo tempo para a reviravolta.
“Estou satisfeito sobretudo com o resultado. Foi um jogo difícil para nós de uma forma geral, com uma primeira parte em que não conseguimos assentar o nosso futebol. Tentámos atacar rápido e praticamente não tivemos momentos no meio-campo ofensivo, onde temos sido muito fortes como equipa. As condições do vento e do relvado, juntamente com o mérito do Santa Clara, tornaram o jogo difícil. Ao intervalo disse aos jogadores que não estivemos nem de perto nem de longe ao nosso nível. A primeira coisa que lhes pedi foi apenas calma. Ninguém joga bem futebol se não tiver a calma suficiente para tomar as decisões certas e faltou-nos um pouco disso. Mesmo em momentos de desarme, estávamos a complicar o nosso jogo. Não quero retirar mérito ao Santa Clara na forma como pressionou, procurando a profundidade e as nossas costas mal ganhava a bola. Já jogámos fora de casa em relvados nestas condições e temos de ser capazes de o fazer de melhor forma. A segunda parte depois foi diferente”, começou por frisar o técnico dos encarnados.
“Sabíamos que, conseguindo colocar a bola no chão e fazendo o nosso jogo fluir, o Santa Clara não aguentaria fisicamente a agressividade que estava a colocar na partida. Mudámos o Prestianni de posição para nos dar uma referência diferente naquela zona e colocámos dois alas bem abertos nos corredores. A equipa respondeu bem, embora em certos momentos após a vantagem devêssemos ter controlado melhor com bola. Nem sempre é possível ganhar a jogar muito bem, hoje ganhámos de uma forma diferente, mas gostei muito da reação da equipa na segunda parte. Aquilo que lhes pedi ao intervalo conseguiram colocar em campo, principalmente com mais calma. Mesmo quando tudo parece difícil, temos de ter personalidade para encarar os momentos de frente”, acrescentou ainda Marco Silva na análise à partida feita na SportTV.
“Prestianni? Não há palavras, há que dar os parabéns. Tivemos uma conversa com ele e com o grupo, disse-lhes que era fundamental retificar algumas coisas. Estando a perder, não podíamos consentir mais nenhum golo. Ainda assim, o Santa Clara teve um momento em que sabíamos que haveria o contramovimento do avançado com o médio interior; estávamos preparados, mas a equipa não definiu como devia ter definido nesse lance. A segunda parte foi muito mais nossa. Em relação ao Prestianni, está de parabéns, mas o Benfica não é só o Prestianni. Com todo o respeito e o quanto gosto dele, temos de ser muito mais do que um só jogador. Somos um grupo que lutou arduamente para virar o jogo numa partida muito difícil, perante uma bancada inteira que nos puxou num momento complicado e esperou que a reação na segunda parte fosse diferente. Ficou provado que vai ser um caminho muito longo e com muitas dificuldades pela frente. As outras questões temos de ser nós a resolvê-las enquanto equipa”, apontou ainda o treinador.