Um discurso emocionado e o pedido de um minuto de silêncio pelos caídos. Pelas 10h00 desta quinta-feira, o Rei Carlos III e a rainha Camila marcavam presença em Ver-sur-Mer, para um tributo sentido a uma “notável geração do tempo da guerra”, no Memorial Britânico na Normandia. “É com o mais profundo sentimento de gratidão que nos lembramos deles e de todos os que serviram naquele momento crítico”, saudou o monarca. “Recordamos a lição que nos chega, repetidas vezes, ao longo das décadas: as nações livres devem estar juntas para se opor à tirania.”

80 anos depois do desembarque das tropas aliadas, que precipitaria o fim do segundo grande conflito mundial, o casal juntou-se ao presidente francês Emmanuel Macron, e à sua mulher, Brigitte, para uma agenda repleta, que incluiu o encontro com os veteranos que resistem — atualmente não serão mais que 50 — e momentos simbólicos como a deposição de coroas de papoilas em homenagem aos mais de 25 mil soldados que perderam as suas vidas nesse primeiro estágio da invasão a uma Europa ocupada pelas forças nazis. O programa que assinalou aquele que passou à História como Dia D contou ainda com a inauguração do Centro de Educação e Aprendizagem Winston Churchill, com curadoria da Legião Britânica.

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Se a atuação do cantor Johnny Fling conseguiu arrancar uma lágrima a Carlos III, nada terá batido o convívio com os resistentes e a sua impressionante longevidade. É o caso de Alex Penstone, de 98, ou de Christian Lamb, a heroína, hoje com 104 anos, que ajudou a planear as operações, agraciada com a Legião de Honra nesta cerimónia em França, onde crianças ofereceram rosas brancas selando os votos de paz num continente onde a guerra volta a ecoar.

Branca foi também a cor de eleição de Camila e Brigitte Macron para esta cerimónia, com a rainha a acrescentar uma nota de história, legado a emoção ao seu look: recrutou um acessório que faz parte do guarda-joias da família precisamente há 80 anos. Em forma de concha, a pregadeira Courtauld-Thomson (com uma pérola ao centro e fios de diamantes pendentes) pertenceu à rainha Isabel II, que por sua vez a herdou da rainha mãe. Em novembro passado, Camila confiou na mesma joia para completar o visual, também branco, que exibiu no primeiro dia da visita do casal ao Quénia. A criação, reza a Tatler, remonta a 1919 e tem assinatura do Lorde Courtauld-Thomson, filho de um famoso inventor escocês, e cuja irmã haveria de oferecer a pregadeira à mãe de Isabel II. Tornou-se aliás uma das suas joias de eleição, que usou nos festejos do seu centenário, e cujo destino haveria de ser confiado à sua filha a partir de 2002, quando morreu.

Com a efeméride a mobilizar toda a família real britânica, o príncipe William cumpriu agenda esta quinta-feira também em território normando, mas em Juno, em Courseulles-sur-Mer, onde se reuniu com as forças armadas canadianas e com o primeiro-ministro Justin Trudeau, e sem Kate Middleton a seu lado. Recorde-se que a princesa de Gales, que se tem submetido à quimioterapia, continua afastada dos compromissos públicos.

Também a princesa real, Ana, e o seu marido, o vice-almirante Timothy Laurence, se desdobram em iniciativas por estes dias, entre receções com antigos soldados e a passagem pelo cemitério de guerra de Bayeux.

A jornada ficou marcada ainda pela cerimónia internacional, em Omaha, uma das praias do desembarque, onde eram aguardados 25 chefes de Estado, incluindo outros rostos bem conhecidos da realeza, como os reis Philippe e Mathilde, da Bélgica.

De resto, os festejos arrancaram esta quarta-feira, e ainda no Reino Unido. Em Portsmouth, sentou-se ao lado do primeiro-ministro Rishi Sunak num evento organizado pelo Ministério da Defesa britânico. “Hoje recordamos a bravura daqueles que atravessaram este mar para libertar a Europa. Aqueles que garantiram que a Operação Overlord fosse um sucesso. E aqueles que esperavam o seu regresso em segurança.”

Também Carlos III subiu ao palco para se dirigir ao público, numa cerimónia em parte narrada pela atriz Helen Mirren. “É nosso privilégio ouvir o seu testemunho, mas o nosso papel não é puramente passivo: é nosso dever garantir que nós, e as gerações futuras, não esqueçamos o seu serviço e o seu sacrifício em substituir a tirania pela liberdade.”, frisou o soberano. A rainha Camila, que para este dia elegeu conjunto rosa claro que combinou com pérolas e umas luvas creme, mostrou-se especialmente emocionada com a intervenção de um veterano. “Muitos homens e mulheres, incluindo o meu querido amigo Fred, juntaram-se a mim, mas infelizmente não sobreviveu”, lamentou o antigo soldado Eric Bateman.