“Mário Soares é uma figura maior da política portuguesa do século XX e com repercussões no século XXI”, afirmou Aníbal Cavaco Silva à saída da cerimónia de homenagem aos 100 anos de nascimento do político socialista.

O ex-Presidente e antigo primeiro-ministro lembra que teve a “ocasião de escrever que Portugal deve a ele o grande contributo para a democracia pluralista e para a adesão à União Europeia”.

Cavaco reconhece que  em algumas ocasiões, “fomos adversários políticos, mas tivemos sempre relações cordiais e de respeito mútuo. E por isso eu estou a aqui para afirmar claramente que trabalhei com ele durante 10 anos e como líder do PSD apoiei a sua reeleição como Presidente da República”.

Aliados e adversários homenageiam Soares, um homem de “luzes” e de “sombras”

Questionado sobre a ausência na cerimónia que se realizou ontem no Parlamento dedicada a Mário Soares, Cavaco Silva justificou, indicando que o seu tempo pessoal “não era compatível com o tempo da homenagem na Assembleia da República”. Cavaco Silva acompanhado da sua mulher foi uma das muitas figuras da política portuguesa que fizeram questão de marcar presença nesta cerimónia se realizou no sábado da Fundação Calouste Gulbenkian.

Enquanto primeiro-ministro de dois governo maioritários do PSD entre 1987 e 1995, Cavaco Silva coexistiu com Mário Soares enquanto Presidente da República, numa convivência marcada por vários choques e polémicas. Ainda assim, o ex-primeiro-ministro que também foi Presidente da República, fez questão de relembrar que o partido que dirigia apoiou Mário Soares quando este foi eleito para um segundo mandato em 1991.