O Hamas tem “outro Sinwar”, que está a protagonizar os esforços do grupo para se reerguer após a morte do líder, Yahya Sinwar, por Israel, em outubro. Segundo o The Wall Street Journal, o Hamas tem, sob o comando de Mohammed Sinwar, recrutado centenas, se não mesmo milhares, de combatentes na Faixa de Gaza, muitos deles sem experiência.
O jornal escreve que Mohammed está “ao comando” e cita um general israelita aposentado que afirma que tem sido o irmão de Yahya a “gerir tudo”. Mohammed terá cerca de 50 anos e está “no centro do esforço de revitalização do Hamas”. O jornal não o apelida como o novo líder do grupo — desde a morte de Yahya Sinwar, o grupo decidiu formar uma liderança coletiva em vez de designar um único líder —, mas escreve que os militantes em Gaza não alinharam nessa estratégia e “operam agora autonomamente sob [o comando] do novo Sinwar”, de acordo com mediadores árabes envolvidos nas negociações com Israel.
O Hamas tem, nos últimos tempos, reforçado a política de recrutamento sob o comando do Mohammed, que foi dado como um possível sucessor na liderança do grupo depois da morte do irmão. Segundo o jornal, Israel admite que o Hamas possa ter recrutado “várias centenas de pessoas nos últimos meses” em Gaza, com foco no norte do enclave. Fontes árabes afirmam que receberam de Israel a informação de que o recrutamento pode chegar aos milhares de novos elementos.
Recrutamento será feito até em funerais
O Hamas estará a recrutá-los — muitos deles sem experiência de combate — com a promessa de mais comida e ajuda médica, incluindo para as suas famílias. Alguns estão a ser aliciados a juntar-se ao grupo em funerais, onde o Hamas procura jovens descontentes e revoltados.
Mohammed Sinwar era considerado próximo do irmão e do líder do braço armado do grupo, Mohammed Deif, que também morreu no ano passado. Tal como o irmão, juntou-se ao grupo quando era novo. Mas ao contrário de Yahya, que passou mais de duas décadas numa prisão israelita, Mohammed não passou um período tão significativo detido pelo que é menos conhecido pelas autoridades israelitas. Tem, aliás, trabalhado fora dos holofotes (altos funcionários árabes apelidam-no como “Shadow” — “sombra”). E Israel admite ao Wall Street Journal dificuldade em localizá-lo.
Mohammed Sinwar será, agora, o comandante mais sénior em Gaza do Hamas, ao lado de Izz al-Din Haddad, o líder militar no norte de Gaza. Numa mensagem obtida pelo jornal, Mohammed defendeu que o Hamas está “numa posição muito forte para ditar os termos” de um eventual acordo. “Se não for um acordo abrangente que põe fim ao sofrimento de todos os habitantes de Gaza e que justifique o seu sangue e os seus sacrifícios, o Hamas vai continuar a lutar.”