O relatório sobre o currículo de António Gandra d’Almeida, feito pela Comissão de Recrutamento e Seleção para a Administração Pública (CReSAP), já dava nota do histórico de acumulação de funções do recém-demitido diretor executivo do SNS, pelo que o Governo terá tido conhecimento prévio de uma das situações que acabaram por levar à demissão de Gandra d’Almeida.
Esta terça-feira, o Correio da Manhã noticia que o relatório de avaliação curricular e de competências, redigido pela CReSAP, considerava que Gandra d’Almeida tinha um currículo “adequado” para o cargo, mas já mostrava que tinha acumulado funções, alegadamente de forma ilegal.
O jornal escreve que não foram mencionadas a acumulação de funções em todos os hospitais em que fez serviços de urgências quando liderava o INEM do Norte, mas sim o facto de ter exercido ao mesmo tempo funções de médico de cirurgia geral no Hospital de Gaia, entre 2015 e 2022.
Gandra d’Alemida pediu a demissão na passada sexta-feira, após uma investigação da SIC que denunciou esta acumulação de funções remuneradas enquanto era diretor do INEM do Norte. Entretanto, a Inspeção Geral das Atividades em Saúde anunciou que vai abrir uma auditoria ao cumprimento das normas que regulam a acumulação de funções públicas com atividades privadas nas entidades do Serviço Nacional de Saúde e do Ministério da Saúde.
A ministra da Saúde não respondeu às questões do Correio da Manhã. O Observador também questionou o gabinete de Ana Paula Martins, mas ainda não obteve resposta.