Sonhar é a palavra de ordem dos Heróis do Mar para esta edição do Campeonato do Mundo de andebol. O objetivo é ambicioso, mas foi assumido desde o primeiro dia, ainda em Rio Maior, por todos os elementos da comitiva da Seleção: chegar pela primeira vez aos quartos de final. Parte desse objetivo ficou cumprido na ronda preliminar, que terminou com três saborosas vitórias em outros tantos jogos, e colocou Portugal na pole position no início da main round, mesmo com equipas como a Suécia e Espanha pela frente.

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E nada melhor do que começar a segunda fase de grupos contra a candidata ao título Suécia. O histórico jogava claramente a favor dos suecos que, em oito encontros, apenas perderam um — no Euro-2020 (35-25) —, mas os Heróis do Mar contavam com o sonho e mais uma dose de surpresa para chegar ao triunfo. Contudo e como tem sido apanágio desde que os trabalhos de preparação começaram, a Seleção sofreu nova contrariedade nos últimos dias, com Alexandre Cavalcanti a abandonar a comitiva devido a uma lombalgia, depois de não ter atuado em nenhum jogo e de ter sido substituído por Miguel Oliveira. Pela positiva, Paulo Pereira teve dois dias seguidos de trabalho pela primeira vez desde o início do Mundial.

“A subida à Serra de Estrela foi concluída, mas começa agora a escalada ao Evereste e vai ter que ser sem apoio de oxigénio. Sem garrafa, nem nada, vai ser uma escalada brutal e oxalá que a consigamos fazer. Temos atletas fantásticos e vamos colocar tudo na balança e ver o que pesa mais. A Suécia joga praticamente em casa [em Oslo] e é sempre candidata às medalhas, mas estamos a preparar para jogar olhos nos olhos e lutar pela vitória isso é seguro. Vamos preparar muito bem este jogo e explorar todas as nossas possibilidades. Não estamos demasiado obcecados com este jogo”, partilhou o selecionador na antevisão à partida.

Paulo Pereira manteve o sete tradicional, com Gustavo Capdeville, Leonel Fernandes, Martim Costa, Rui Silva, Francisco Costa, António Areia e Luís Frade. O destaque foi para Diogo Branquinho, que chegou esta quarta-feira ao jogo 100 pela Seleção. O encontro começou de feição a Portugal que, na bola de saída, inaugurou o marcador por Frade. Os suecos perderam a bola na resposta e Leonel fez o 0-2 com pouco mais de um minuto de jogo. O “bombardeiro” Martim entrou em ação pouco depois e os Heróis do Mar conseguiram segurar a vantagem de dois golos, antes de Victor Iturriza ser excluído ainda dentro dos primeiros quatro minutos (2-4). Em superioridade numérica, a Suécia conseguiu empatar o desafio (4-4).

Com o jogo a entrar numa toada de equilíbrio, a Seleção portuguesa voltou a evidenciar-se e, depois de Martim recolocar a vantagem nos dois golos (5-7), Kiko fez o 6-8 que encerrou uns dez minutos iniciais caóticos, já depois de ter arrancando a exclusão a Felix Möller (10′). Andreas Palicka começou a evidenciar-se na baliza sueca e Jonathan Carlsbogard restabeleceu o empate a meio do primeiro tempo (10-10). Portugal começou a mostrar-se intranquilo no ataque e Niclas Ekberg colocou a Suécia pela primeira vez na frente, levando Paulo Pereira a solicitar o primeiro time-out (11-10). À beira do intervalo, os ferros começaram a evidenciar-se na partida e impediram pela terceira vez os Heróis do Mar de comemorar um golo, amortecendo um remate de Areia.

Depois de a Suécia ter chegado aos três golos de vantagem (18-15), Iturriza apareceu no ataque, Capdeville somou a sétima defesa e Frade empatou a partida (18-18). Michael Apelgren parou o jogo na tentativa de controlar o ímpeto ofensivo português, mas a sua equipa continuou ineficaz no ataque e, no último lance do primeiro tempo, Kiko Costa não conseguiu concretizar e a partida chegou à segunda parte empatada a 18 golos.

Nos segundos 30 minutos, Portugal voltou a entrar melhor e, depois de Capdeville ter feito mais uma defesa, Iturriza restabeleceu a vantagem (20-21), mas duas perdas de bola consecutivas e o surgimento de Albin Lagergren atiraram a Suécia para a frente (23-22). Pouco depois, o 23 sueco foi excluído por derrubar Frade e Areia empatou nos sete metros, ainda que os Heróis do Mar não tenham conseguido aproveitar a superioridade numérica, desperdiçando um golo de baliza aberta pelo pivot do Barcelona (24-24).

Depois de uma série com sucessivos golos de parte a parte, os ataques voltaram a ressentir-se e a exclusão de Kiko, que perdeu uma bola no ataque de forma infantil, manteve o jogo equilibrado e nem a expulsão de Eric Johansson, por atingir Rui Silva na face, desatou o nó do empate à entrada dos últimos dez minutos (31-31). O jogador do Sporting viria a ser excluído logo a seguir e o desafio manteve-se incerto numa altura em que o selecionador sueco pediu a sua pausa técnica (33-33). Lagergren continuou a assumir as despesas do ataque sueco e, do outro lado, Martim desperdiçou no mano a mano Palicka (57′). Contudo, na jogada seguinte, Iturriza roubou a bola e empatou o jogo no contra-ataque (36-36).

Nos últimos dois minutos e depois de os jogadores escutarem os selecionadores mais uma vez, a Suécia apostou no 7×6 e foi coroada com mais um golo de Lagergren. A cerca de 40 segundos do fim, Portugal encontrava-se ameaçado pelo jogo passivo, mas Rui Silva ainda teve frieza para empatar o desafio e fixar o resultado em 37-37. Este resultado continua a deixar margem para os Heróis do Mar sonharem, já que vão terminar esta primeira jornada no primeiro lugar do Grupo III da main round, com cinco pontos. Segue-se um importante duelo, contra Espanha, na sexta-feira (14h30).