O bilionário Elon Musk manifestou novamente o seu apoio, por videoconferência, ao partido da extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD) durante um comício eleitoral, depois da sua saudação na tomada de posse de Donald Trump considerada por alguns como nazi. E pediu que os alemães não sintam “culpa” pelo passado, nomeadamente o relacionado com a época nazi.

“Não há problema em ter orgulho de ser alemão. Lute por um futuro brilhante para a Alemanha”, disse o homem mais rico do planeta, perante cerca de 4.500 apoiantes reunidos na Feira de Halle. Elon Musk justificou o seu apoio por este partido representar “a melhor esperança para a Alemanha”.

“Acho que há um grande foco na culpa do que aconteceu no passado. Têm de ir além disso. As crianças não devem culpa dos pecados dos seus pais e avós”, afirmou Elon Musk, apelando que os presentes no comício sejam “otimistas” sobre o futuro.

Na mesma intervenção, Elon Musk elogiou a “nação alemã” que remonta a “milhares de anos”. O imperador romano Júlio César já tinha ficado “impressionado” pelo desejo de lutar contra as tribos germânicas, acrescentou.

O governo atual, de acordo com o bilionário, “reprime agressivamente a liberdade de expressão”. A AfD deve, por isso, “lutar, lutar, lutar”, em particular por “mais autodeterminação para a Alemanha e para os países da Europa e menos de Bruxelas”. “Há muita burocracia de Bruxelas, há muito controlo das elites globais.”

Nas últimas semanas, Elon Musk tem interferido regularmente na política interna da Alemanha e de outros países europeus, publicando comentários na sua rede social X e apoiando abertamente a AfD.

A Alternativa para a Alemanha está na segunda posição nas sondagens para as eleições legislativas de 23 de fevereiro com 20%, atrás dos conservadores da CDU/CSU com cerca de 30% das intenções de voto.

No passado, ele também chamou o chanceler social-democrata Olaf Scholz de “louco” e “um imbecil incompetente” e o presidente Frank-Walter Steinmeier de “tirano”.

O empresário norte-americano causou o espanto de alguns e a indignação de outros durante uma reunião com Donald Trump na noite de segunda-feira, ao realizar duas vezes uma saudação descrita por alguns como “fascista” ou “nazi”, enquanto outros defenderam “um gesto desajeitado”.