“Menopausa”, de Anna Toledo
Teatro Tivoli, Lisboa (29 de janeiro a 2 de março), Coliseu do Porto, Porto (6 a 8 de fevereiro), Teatro Aveirense, Aveiro (13 a 16 de fevereiro), Teatro Lúcio da Silva, Leiria (20 e 21 de fevereiro), Teatro das Figuras, Faro, (3 a 6 de abril)
Com muitas datas em Lisboa já esgotadas, o novo espetáculo de Cláudia Raia promete ser um dos blockbusters da temporada. A atriz brasileira escolheu Portugal para mostrar pela primeira vez Menopausa, um espetáculo que, descreve em entrevista, “é mais do que entretenimento, é um levantar de bandeira etarista”.
No palco, Raia interpreta uma mulher de mais de 50 anos que é confrontada com a chegada da menopausa. Cenas curtas e números musicais compõem um quadro de histórias que procuram mostrar a realidade, mas também o lado mais solar deste segundo ato da vida das mulheres. Produzida pela Plano 6, a peça tem encenação e interpretação de Jarbas Homem de Mello, ator e marido da atriz. O texto é de Anna Toledo.
“Quem Tem Medo de Virginia Woolf?”, de Edward Albee
Teatro Nacional São João, Porto (6 a 16 de fevereiro)
Representada múltiplas vezes e um pouco por toda a parte, a famosa obra de Edward Albee chega ao palco do Teatro Nacional São João, no Porto, numa coprodução do TNSJ e da companhia portuense Subcutâneo – Teatro Hialurónico.
Com encenação de Simão do Vale Africano, que também assina a tradução da obra, Quem Tem Medo de Virginia Woolf? junta os atores Anabela Moreira e João Reis como protagonistas de uma das mais controversas e representadas peças do século XX. Trata-se de uma comédia negra passada numa sala de estar, com dois casais, durante uma longa madrugada. O que pode correr mal? Como observou Albee: “Às vezes, é preciso derramar sangue”.
“King Kong Fran”, de Rafaela Azevedo
Passos Manuel, Porto (6 de fevereiro), Capitólio, Lisboa (15 de fevereiro)
O livro A teoria King Kong, de Virginie Despentes, foi o ponto de partida para o espetáculo-show-performance de King Kong Fran, da atriz e palhaça brasileira Rafaela Azevedo. É um monólogo que desafia o machismo através da comédia, subvertendo a lógica de sexualização dos espetáculos tradicionais de circo.
A artista foca-se na figura da mulher-gorila — um fenómeno dos anos 80 nos parques de diversão brasileiros —, uma mulher que se convertia num gorila selvagem, que rompia as grades e avançava com violência sobre a plateia. Com um tom provocatório, Fran encarna a personagem e desafia o público com um texto que reflete sobre as normais patriarcais, e alerta para temas como o assédio, abuso, consentimento e violência de género.
“No Iogurt for the Dead”, de Tiago Rodrigues
Culturgest, Lisboa (19 a 23 de fevereiro), Theatro Circo, Braga (27 a 28 de fevereiro)
Durante as últimas semanas de vida, o pai do encenador Tiago Rodrigues recebia visitas frequentes de Teresa, uma voluntária que conversava com pacientes hospitalizados para amenizar a solidão. Inspirado por essas conversas, o pai do atual diretor do Festival d’Avignon pediu à voluntária um caderno e uma caneta para escrever um livro sobre a experiência no hospital, misturando memórias da sua vida e do trabalho como jornalista.
Após a sua morte, Tiago Rodrigues encontrou o caderno, mas nele descobriu apenas machas e pequenas rabiscos. Foi ao saber por Teresa do desejo do pai em escrever o livro que o encenador decidiu concluí-lo, criando uma obra sobre a relação entre a voluntária e um homem nos seus últimos dias, um gesto de homenagem ao livro que o pai não conseguiu completar.
Acabada de se estrear em Gent, na Bélgica, No Iogurt for the Dead aterra na Culturgest, em Lisboa, com toda as récitas já lotadas. Segue depois para o Theatro Circo, em Braga.
“O Fim Foi Visto”, de Teresa Coutinho
Teatro Municipal do Porto — Campo Alegre (14 e 15 de fevereiro), TBA – Teatro do Bairro Alto, Lisboa (25 fevereiro a 1 de março)
A partir de Cassandra, de Christa Wolf (cuja edição em português foi editada pela extinta editora Cotovia), e de uma extensa investigação em torno do tema da caça às bruxas, Teresa Coutinho ensaia uma ditadura futura em que as mulheres, acusadas de bruxaria, voltam a ver os seus direitos restringidos. Cruzando pesquisa e ficção, a atriz e criadora cria uma fábula sobre o medo, a passividade e a repetição cíclica dos mecanismos de opressão.
“Tal como Wolf, que acredita que cabe às mulheres a escrita que venha restaurar a paz, em alternativa ao sistema bélico masculino que moldou a História da humanidade, este espetáculo incide sobre a possibilidade de evitar um desfecho trágico”, antecipa a sinopse. O elenco é composto por Tânia Alves, Ana Baptista, Sara de Castro, Rita Cruz, Maria Duarte, Siobhan Fernandes, Mariana Guarda, Lúcia Pires, Sara Ribeiro, Tanya Ruivo, Ana Sampaio e Maia, Cláudia Semedo e Ana Valente.