O mercado de inverno está encerrado e, para além das notícias que envolvem Sporting, Benfica e FC Porto, existe muito para contar sobre tudo o que aconteceu lá fora. Numa janela de transferências onde a Premier League voltou a ser a grande protagonista, só mesmo PSG e AC Milan conseguiram intrometer-se nas manchetes onde Real Madrid, Barcelona e Atl. Madrid não quiseram estar.
De forma natural, o Manchester City assumiu a dianteira do mercado de inverno, investindo mais de 200 milhões de euros depois de um verão contido. Os citizens contrataram Khusanov, Vitor Reis, Marmoush e ainda Nico González e reforçaram defesa, meio-campo e ataque, procurando colmatar a lesão de Rodri mas também os recorrentes problemas físicos que têm surgido com outros jogadores.
O PSG colocou vários elementos e ainda aproveitou a oportunidade de resgatar Kvaratskhelia ao Nápoles, Ruben Amorim resolveu os problemas de Marcus Rashford e Antony, o Aston Villa vendeu Jhon Durán mas reforçou-se muito e bem e João Félix volta a partir à procura da felicidade, agora no AC Milan de Sérgio Conceição.
Depois de um verão abstémio, a bebedeira no inverno: Manchester City investiu mais de 200 milhões
Ao contrário do que acontece com tantos outros, Pep Guardiola não teve pruridos na hora de admitir que tinha cometido um erro de cálculo. “No verão, o clube pensou em contratar e eu disse ‘não, não quero fazer nenhuma contratação’. Confiei muito nestes jogadores e pensei que podia voltar a fazê-lo. Mas depois de tantas lesões… Uau, talvez devesse ter acontecido”, disse o treinador espanhol já durante este mês de janeiro.
Na verdade, no último mercado de transferências, o Manchester City só contratou Savinho ao Troyes e resgatou Gündogan ao Barcelona. Pelo meio, porém, apareceu a lesão prolongada de Rodri e os problemas físicos constantes e recorrentes de John Stones, Rúben Dias, Nathan Aké, Gvardiol e muitos outros. Para além do pior período dos citizens desde que Pep Guardiola chegou ao clube, com várias derrotas consecutivas entre o fim de novembro e o início de dezembro.
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Chegados ao início de fevereiro e já na segunda metade da temporada, o Manchester City está atualmente no quinto lugar da Premier League, a 15 pontos da liderança do Liverpool e fora da zona de acesso à Liga dos Campeões, sendo que também falhou o apuramento direto para os oitavos de final da competição europeia e terá de defrontar o Real Madrid no playoff. Em resumo, não existiam grandes dúvidas de que os citizens teriam de fazer no inverno o que não fizeram no verão: ir ao mercado.
O forte investimento de janeiro começou com Abdukodir Khusanov, central de 20 anos natural do Uzbequistão que estava no Lens e custou 40 milhões de euros. Continuou com Vitor Reis, outro central, brasileiro de 19 anos que estava no Palmeiras e custou cerca de 35 milhões de euros. Depois chegou Omar Marmoush, avançado egípcio de 25 anos que estava no Eintracht Frankfurt e que obrigou a um investimento de 70 milhões. Por fim, esta segunda-feira e no último dia de mercado, o espanhol Nico González foi contratado ao FC Porto por 60 milhões de euros.
Em resumo, por dois centrais, um médio e um avançado, o Manchester City gastou cerca de 205 milhões de euros no mercado de transferências que encerrou esta segunda-feira. Uma quantia avultada para o inverno que só se explica com as explicações de Pep Guardiola há algumas semanas – e com a ideia de que o clube ainda acredita que a equipa pode atingir alguns dos objetivos delineados para a temporada.
Amorim resolveu os problemas de Rashford e Antony – e o Aston Villa tornou-se protagonista
Era uma das grandes indecisões do mercado de inverno e acabou por ficar resolvida sem espaço para grandes polémicas. Depois de meses demasiado mediáticos no Manchester United, principalmente a partir do momento em que Ruben Amorim substituiu Erik ten Hag em Old Trafford, Marcus Rashford deixou mesmo os red devils que representou durante toda a carreira e juntou-se ao Aston Villa por empréstimo até ao final da temporada.
O avançado inglês não joga desde o dia 12 de dezembro, entre encontros passados no banco de suplentes e outros em que nem sequer foi convocado, e o Aston Villa fica com uma cláusula de opção de compra ligeiramente superior a 40 milhões de euros. “Gostaria de agradecer ao Manchester United e ao Aston Villa por fazerem este empréstimo acontecer. Tive a sorte de ter alguns clubes interessados, mas o Aston Villa foi uma escolha fácil. Admiro a forma como têm jogado esta época e a ambição do treinador. Apenas quero jogar futebol e estou entusiasmado por começar. Desejo a toda a gente do Manchester United a melhor das sortes para o resto da época”, disse Rashford, que também foi associado ao AC Milan e ao B. Dortmund, na apresentação.
Marcus Rashford — Villa's new no.9 ???? pic.twitter.com/vSjLJUGiY4
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Para além do caso do inglês de 27 anos, o Manchester United também resolveu a situação de Antony, que foi emprestado ao Betis até ao final da temporada, e de Tyrell Malacia, que chegou a estar perto do Benfica mas rumou cedido ao PSV até junho. A situação de Rashford, porém, serve para abrir outra caixa de Pandora deste mercado de inverno: o Aston Villa.
Atualmente no oitavo lugar da Premier League e apurado diretamente para os oitavos de final da Liga dos Campeões, a equipa de Unai Emery esteve particularmente ativa neste mercado de transferências. Jhon Durán saiu para o Al Nassr de Cristiano Ronaldo por 77 milhões de euros, Diego Carlos foi colocado no Fenerbahçe por cerca de nove milhões e Jaden Philogene bateu o recorde de investimento do Ipswich Town ao sair por 22 milhões de euros. Ainda assim, os ingleses conseguiram travar a saída de Ollie Watkins, rejeitando duas propostas do Arsenal.
Em sentido oposto, para além de Marcus Rashford, o Aston Villa garantiu ainda os empréstimos de Marco Asensio e Axel Disasi, que chegam do PSG e do Chelsea, a contratação de Donyell Malen, que deixou o B. Dortmund por 23 milhões de euros, e também a de Andrés García, lateral direito do Levante que interessava ao Sporting e custou pouco mais de seis milhões.
PSG arrumou a casa e ainda aproveitou uma oportunidade
Depois de um verão em que perdeu Kylian Mbappé mas investiu centenas de milhões entre João Neves, Safonov, Willian Pacho e Désiré Doué, não se esperava que o PSG olhasse com particular atenção para o mercado de inverno. Ainda assim, o clube francês aproveitou essencialmente para arrumar a casa – sem deixar de aproveitar uma oportunidade que andava a perseguir há muito tempo.
No capítulo das saídas, o PSG emprestou Randal Kolo Muani à Juventus, abdicando de um avançado contratado ao Eintracht Frankfurt por mais de 80 milhões de euros em 2023 mas que nunca teve o rendimento desportivo esperado. Marco Asensio também saiu para o Aston Villa, por empréstimo até ao final da temporada, e o ex-Benfica Juan Bernat deixou o Parque dos Príncipes a título definitivo para assinar pelo Getafe. Já Xavi Simons, que já estava cedido ao RB Leipzig, viu os alemães ativarem a opção de compra, com o PSG a encaixar 50 milhões de euros pelo neerlandês.
Bienvenue chez toi, Kvara ! ????❤️????#PSGSDR pic.twitter.com/4nHkYLrTsL
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O também ex-Benfica Cher Ndour também seguiu caminho para a Fiorentina, por cinco milhões de euros, enquanto que Milan Skriniar foi emprestado ao Fenerbahçe. Em sentido contrário, o PSG aproveitou a vontade de Kvaratskhelia de deixar o Nápoles – algo que o avançado da Geórgia já queria no verão, mas não tinha alcançado – e contratou-o por cerca de 80 milhões de euros, reforçando o ataque que ficou sem as alternativas que Kolo Muani e Asensio ofereciam.
Mathys Tel preferiu o Tottenham, João Félix volta a tentar a sorte com mais uma viagem
Por fim, e num dia em que Dário Essugo também deu que falar com a ida milionária para o Chelsea, as últimas horas do mercado de transferências trouxeram novidades para dois jovens jogadores. Mathys Tel, avançado de 19 anos no Bayern que é visto não só como o futuro dos bávaros como do futebol francês, foi emprestado ao Tottenham até ao final da temporada.
O internacional Sub-21 por França levava 14 jogos pela equipa de Vincent Kompany na atual época, sendo que em 2023/24 marcou 10 golos em 41 jogos em todas as competições. Manchester United e Arsenal manifestaram interesse em Mathys Tel ao longo das últimas semanas, mas o jogador terá optado pelo Tottenham depois de falar ao telefone com Ange Postecoglou, com os spurs a ficarem com uma opção de compra ligeiramente superior a 50 milhões de euros.
????⚫️???? João Félix has just landed in Milano to join AC Milan! @AntoVitiello ????????pic.twitter.com/HPSQjvnvVQ
— Fabrizio Romano (@FabrizioRomano) February 3, 2025
Já João Félix, que também foi um dos protagonistas do mercado de verão ao deixar o Atl. Madrid definitivamente para voltar ao Chelsea, está novamente de malas feitas. O internacional português será reforço de Sérgio Conceição no AC Milan até ao final da temporada, depois de ter marcado sete golos em 20 jogos pelos blues esta época, e é um dos nomes mais mediáticos de uma janela de transferências em que os italianos viram Álvaro Morata sair para o Galatasaray e contrataram Santiago Giménez ao Feyenoord, além de Ricardo Sottil por empréstimo da Fiorentina.