O Festival Sudoeste, organizado pela Música no Coração, vai fazer uma pausa para “preparar o futuro”, revelou esta sexta-feira a promotora. Luís Montez, dono da Música no Coração, diz ao Observador que a decisão foi tomada por não ter encontrado patrocinador para o evento e por ser “difícil concorrer” com concertos gratuitos das câmaras municipais em ano de eleições autárquicas.
“Com eleições autárquicas este ano há concertos de norte a sul do país. É impossível concorrer com espetáculos gratuitos”, justifica Luís Montez sobre a decisão de adiar o festival. Além disso, afirma, “o público do Sudoeste mudou os seus gostos”. O promotor avança ao Observador que o festival está a ser repensado para “ir ao encontro das exigências” e que os primeiros nomes do cartaz devem ser anunciados em agosto.
Festival regressa em 2026 com “mais tempo para arranjar um patrocinador”
Questionado pelo Observador, Montez confirma que a Música no Coração não conseguiu em tempo útil encontrar um patrocinador para o festival que acontece há quase trinta anos na Herdade da Casa Branca, na Zambujeira do Mar. “Voltamos no próximo ano, com mais tempo para arranjar um patrocinador”, garante o promotor.
Sobre a relação com a MEO, que patrocinava o evento até 2023, Montez assegura que mantém boas relações “com as pessoas do marketing” e atira: “Compreendo que é uma empresa que está à venda e que não quer compromissos, mas quando vier um novo acionista tenho a certeza que vai querer voltar”.
Esta semana, a TVI reportou que a marca do Festival Sudoeste fora penhorada pelo fisco. Ao Observador, Luís Montez rebate e diz que o noticiado “é completamente falso”. “O Sudoeste é da Música no Coração”, garante ao Observador. “O que acontece é que quando foi da pandemia o Estado dava a possibilidade de pagar os impostos a prestações e foi isso que fizemos. Faltam nove prestações. Com isto tudo decidi que até março resolvo isto.”
Em declarações ao Jornal Económico esta sexta-feira, Montez atestava: “Temos um acordo com a autoridade tributária e com a segurança social, isto é, declarações de situação regularizada. Fomos nós que [em 2023] demos a marca Sudoeste como garantia. Estou a fazer injeções de capital na Música do Coração à medida que é preciso. Há liquidez.”
Os problemas financeiros da empresa de Montez não são novidade. Em 2019, a Música no Coração já tinha sido alvo de várias ações judiciais por parte de fornecedores que reclamavam pagamentos em atraso.
Desde que o Observador noticiou que o Super Bock Super Rock não ia acontecer este ano que a situação do Sudoeste era dada como incerta. Foram as notícias avançadas ao longo desta semana sobre a situação económica da promotora que pressionaram a Música no Coração a fazer uma publicação nas redes sociais, ao final da tarde desta sexta-feira, em que confirmam que o festival vai fazer uma “pausa”.
“O Sudoeste é mais do que um Festival – é um lugar onde se criam memórias para a vida. São mergulhos no canal, amizades no campismo, danças até de manhã e concertos inesquecíveis. Em 2025, fazemos uma pausa para prepararmos um novo capítulo. O futuro está à nossa frente, e prometemos que vai valer a pena. Até já!”, lê-se no comunicado.
Esta é a terceira baixa para a Música no Coração num espaço de poucos meses. Em outubro, o Super Bock em Stock, festival que acontecia anualmente no outono na Avenida da Liberdade, não aconteceu pela primeira vez em 16 anos. Em novembro, o Observador noticiou o fim da parceria de quase três décadas entre a promotora e a cervejeira Super Bock para a realização do Festival Super Bock Super Rock, que acontece desde 1995 promovido pela Música no Coração.
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