O ator norte-americano Tony Roberts morreu nesta sexta-feira, aos 85 anos. A confirmação do seu falecimento foi dada este sábado pela filha, Nicole Burley, ao The New York Times, dando como causa de morte complicações causadas por um cancro de pulmão.
Fazendo de Dick Christie de Play It Again, Sam (1972), de Rob em Annie Hall (1977) ou de Maxwell Jordan em A Midsummer Night’s Sex Comedy (1982), Roberts celebrizou-se enquanto o amigo descontraído e divertido, contrastando com as personagens neuróticas de Woody Allen.
Ao todo, o ator entraria em seis filmes escritos, realizados e protagonizados pelo famoso cineasta, numa relação iniciada no teatro da Broadway, com a versão originalmente teatral de Play It Again, em 1969, colaboração pela qual foi nomeado a um prémio Tony.
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Foi, aliás, nos palcos em que Roberts se estreou, participando na peça Something About a Soldier, em 1962, e foi depois de protagonizar Barefoot in the Park que conheceu Allen, nos bastidores. O ator tinha tentado por quatro ocasiões entrar na peça Don’t Drink the Water, de Allen, falhando todas as audições. No entanto, vendo-o nesta nova produção, ficou convencido que deveria dar-lhe uma oportunidade. “Estiveste muito bem. Porque é que és tão mau a fazer audições?”, ter-lhe-á dito.
Como recorda o NYT, Roberts já granjeava de sucesso no teatro antes de ficar conhecido do grande público no cinema, ao ter sido nomeado para outro Tony de melhor ator pela sua interpretação em How Now, Dow Jones. No entanto, apesar da fama que obteve ao entrar nos filmes de Allen — Recordações (1980), Ana e Suas Irmãs (1986) e Dias da Rádio (1987) —, admitiria anos mais tarde que isso também lhe trouxe dissabores.
“Fui sempre tão vividamente o tipo que Woody escreveu, que toda a gente no ramo — agentes de casting, por exemplo — só pensava em mim dessa forma. A personagem que eu era para o Woody é uma coisa difícil de abandonar”, disse ao The Los Angeles Times em 1997.
A sua carreira no cinema nunca mais voltaria a atingir esses picos — os melhores anos já tinham ficado para trás, tendo participado nos célebres filmes Serpico e The Taking of Pelham One Two Three —, tendo mais sucesso no teatro, em peças como Barefoot in the Park, Promises, Promises, They’re Playing Our Song, Jerome Robbins’ Broadway ou The Sisters Rosensweig. Destacam-se ainda a participação no revival de Cabaret em 1998 ou da comédia The Tale of the Allergist’s Wife, de 2000.
“Nunca tive muita sorte nos jogos de cartas. Nunca ganhei um jackpot. Mas tive muita sorte na vida”, escreveu no seu livro de memórias, Do You Know Me?, citado pela Associated Press. “Ao contrário de muitos dos meus amigos, que não sabiam o que queriam ser quando crescessem, eu sabia que queria ser ator antes de chegar ao liceu”, revelou.