É preciso “pôr ordem em excessos” associados à circulação de tuk tuks em Lisboa, “uma atividade que tem sido um sucesso, em linha com o turismo da cidade, mas que muitas vezes isso acarreta tensões, desconforto e desvantagem para os residentes”, defendeu o vice-presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Filipe Anacoreta Correia, em declarações à Rádio Observador. A autarquia quer impedir a circulação destes veículos em determinadas ruas e vai criar um dístico com o qual poderão estacionar em lugares de estacionamento próprios.
No total, a Câmara de Lisboa quer impor a proibição de circulação destes veículos em 337 ruas de sete freguesias. A proposta consta de um despacho que entrará em vigor no dia 1 de abril. “Vamos limitar os concessionamentos a determinados arruamentos da cidade e passaremos a ter maior fiscalização para assegurar a implementação efetiva” deste despacho, explicou Anacoreta Correia.
Segundo o vice-presidente da autarquia, o objetivo é “preservar as zonas residenciais”, áreas “onde o excesso de tuk tuks é perturbador e condiciona o estacionamento e a mobilidade”. “Falamos fundamentalmente da zona histórica, mas abrange várias freguesias: Arroios, Santa Maria Maior, São Vicente, Penha de França…”, salienta Anacoreta Correia. E logo refere alguns locais emblemáticos que também ficarão “vedados”: “o largo de São Domingos, a Costa do Castelo, o miradouro de Nossa Senhora do Monte (onde a circulação será proibida após as 19h)”.
A ideia do município liderado por Carlos Moedas é que, ao mesmo tempo que o acesso a determinados arruamentos passa a ser vedado, é também criado um maior número de estacionamentos para tuk tuks: “Temos aqui um projeto pioneiro que passa por criar maior número de estacionamentos para estes veículos (passando de 80 para 280), que só podem estacionar aí se tiverem um dístico próprio, sendo que vamos atribuir apenas 400 numa primeira fase“.
Regulamento dos tuk tuk em Lisboa deve estar em vigor no verão
No fundo, reconhece o vice-presidente da Câmara de Lisboa “queremos também reduzir o número de tuk tuks na cidade, pelo menos em espaço público, a angariar clientes”. “Suspeita-se que sejam cerca de mil atualmente… Não há nenhuma atividade económica que seja sustentável e tenha futuro se tiver contra a comunidade daqueles com quem vive. Ao impôr regras estamos a procurar uma melhor convivência”, disse.
Segundo o autarca, o condicionamento das ruas acontece a partir de dia 1 de abril (inclusive), sendo logo colocados aos dispor dos operadores os novos lugares para os veículos turísticos. No entanto, a implementação dos dísticos está dependente da aprovação do regulamento (em reunião de Câmara) e também tem de passar ainda por um período de discussão pública.