Por norma, quando existe uma eleição, a contagem dos votos é simples: à hora estipulada para o fecho o sufrágio é dado como terminado, abrem-se as urnas e vai-se depois até ao último boletim. Esta sexta-feira, na Cidade do Futebol, nem foi preciso chegar a esse patamar. Eram 84 delegados, todos exerceram o seu direito uma hora antes do limite previsto e acordou-se em começar de imediato todo o processo. Ou seja, como uma espécie de mote para uma nova era na Federação Portuguesa de Futebol, não havia tempo a perder.
Entre as duas listas, Pedro Proença, que apresentara o seu elenco com a subscrição de 75% dos delegados, partia com esse favoritismo teórico frente a Nuno Lobo numas eleições sempre complicadas de analisar e que dão margem para surpresas, como aconteceu na Liga de Clubes em janeiro de 2012 quando uma série de chamadas e acordos feitos de forma telefónica na véspera do sufrágio tiraram um triunfo que parecia certo para António Laranjo e “coroaram” Mário Figueiredo. Na FPF, aí, as coisas foram diferentes. Tão diferentes que, nas últimas três décadas, houve Gilberto Madaíl (1996-2011) e Fernando Gomes (2011-2025).
Essa maior previsibilidade acabou por confirmar-se mais uma vez e, depois da votação do 84.º e último delegado (neste caso, do V. Guimarães), tudo “bateu certo”: Proença ganhou com os tais 75%, tendo o apoio de 62 delegados contra apenas 21 de Nuno Lobo (houve ainda um voto nulo para essa eleição). Os resultados foram idênticos na Mesa da Assembleia Geral e no Conselho Fiscal, havendo uma vitória de 61-22 para o Conselho de Justiça e para o Conselho de Disciplina secção profissional, um triunfo por 60-23 para o Conselho de Disciplina secção não profissional e ainda uma vitória por 55-27 no Conselho de Arbitragem.
“Será o grande projeto da nossa vida. Vamos fazer o que ainda não foi feito”, destaca Proença
Após o anúncio dos resultados, Pedro Proença, que irá tomar posse durante a semana, fez o habitual discurso de vitória na Cidade do Futebol. “É um momento de grande felicidade pessoal e da minha equipa. Mas, antes, é dever deixar um cumprimento especial ao candidato Nuno Lobo e elementos da sua equipa. A sua participação valorizou a vitória, permitindo que visões diversas pudessem contribuir para o futuro do futebol em Portugal. Foram muitos meses de trabalho, reuniões, encontros e trocas de ideias. Hoje ganhou o futebol em Portugal. Valeu a pena. Construímos juntos um programa para pensar unir o futebol, foi isso que a a minha equipa assumiu neste compromisso. O resultado foi a prova esmagadora que cumprimos o nosso desígnio, é vitória de toda a comunidade. Ganharam jogadores, treinadores, árbitros, dirigentes, corpos clínicos, clubes, o futebol profissional, associações de classe, regionais e distritais e os adeptos. Vitória do futebol português e de todos, todos sem exceção”, começou por destacar.
Somos depositários de responsabilidade de garantir que os que não votaram em nós amanhã farão parte deste grupo. Esta será sempre uma candidatura agregadora, pensada não para dividir mas com o firme propósito de unir. Todos os contributos serão válidos e escutados. Temos uma enorme responsabilidade. Será o grande projeto da nossa vida”, salientou Proença.
“Agradeço à opinião pública e aos clubes do futebol profissional pelo apoio nesta candidatura. E também agradecimentos de ordem particular. Primeiro, aos colaboradores da Liga e à minha Direção Executiva pelo que fizeram na última década, que foi difícil, mas mudaram o futebol profissional. Para os colaboradores da Federação, digo na primeira pessoa: contamos com a vossa competência, empenho e compromisso. Começamos uma nova era, com muitos desafios e responsabilidades, mas sabemos que faremos bem, com ambição. Devemos isso aos que confiaram em nós, aos adeptos e ao futebol português. Temos de ser melhores na governação, na arbitragem e na justiça desportiva, potenciar receitas do futebol português e ser mais agregadores. Vamos fazer o que ainda não foi feito”, concluiu o novo presidente.
Também Nuno Lobo, candidato derrotado no sufrágio, reagiu depois dos resultados. “Foi com a consciência de que poderia fortalecer o futebol português que, em outubro de 2024, decidi abraçar o maior desafio da minha vida: a candidatura à presidência da Federação Portuguesa de Futebol. Construí um projeto que acreditei ser ambicioso. Ancorado na proximidade e num programa reformista, apresentei medidas concretas, resultantes de meses de partilha e conhecimento com quem compõe o vasto ecossistema do futebol em Portugal. Para isso, reuni uma equipa com profissionais de referência, conhecidos pela excelência desportiva e operacional, empenhada no desenvolvimento do futebol português”, referiu na parte inicial.
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“Sempre dissemos que esta era uma luta pela verdade e pela transparência, sem estar amarrada a quaisquer interesses que não os da verdadeira essência do futebol. Infelizmente, não foi suficiente para conquistarmos a vitória. Respeitamos a decisão com o espírito democrático que norteou a nossa candidatura. Terminamos esta jornada com a cabeça erguida, conscientes de que tudo fizemos para lutar por uma Federação Portuguesa de Futebol forte, unida e transparente. Parabenizo Pedro Proença pela vitória e desejo-lhe todo o sucesso. O futebol português precisa de união e estou certo de que todos devemos contribuir para o seu crescimento e sustentabilidade. Da minha parte, podem contar, como sempre contaram, com a minha dedicação para continuar a desenvolver este desporto que move tanta paixão. O meu compromisso permanece firme, porque acredito que o futebol é mais do que um jogo: é parte da nossa identidade coletiva, um símbolo de união e de superação que atravessa gerações”, acrescentou Nuno Lobo.
“Desejo as maiores felicidades a Pedro Proença para o mandato que vai assumir até 2028. Este é um momento, sei-o bem, de grande honra e de enorme responsabilidade. Congratulo o novo presidente e a sua Direção, assim como os restantes órgãos sociais eleitos, fazendo votos que tenham sucesso nos seus mandatos. Aproveito também para reconhecer o trabalho e a dedicação do candidato Nuno Lobo e agradecer o contributo que deu durante os anos que foi presidente da AF Lisboa. A todos os delegados que participaram neste ato eleitoral, agradeço a sua presença e compromisso. A sua vigilância e apoio são fundamentais para garantirmos um percurso sólido e coeso na gestão da FPF. Todos serão importantes para construir um futuro promissor para o futebol em Portugal”, salientou Fernando Gomes após a eleição.
“Foi um processo eleitoral que correu com toda a normalidade, transparência e elevação. Sem ataques pessoais, com defesa de ideias e projetos. Elevação e futebol saíram a ganhar pela forma como as candidaturas se apresentaram e fizeram campanha. Cumpriu-se um ciclo de 12 anos e muito me apraz que termine desta maneira”, referiu também José Luís Arnaut, líder da Mesa, antes do anúncio dos resultados. Depois, vários clubes foram dando os parabéns ao novo presidente da Federação como Sporting e Sp. Braga.
Quem faz parte da lista de Pedro Proença
- Direção: Pedro Proença (presidente), José Fontelas Gomes, Joaquim Evangelista, António Oliveira, Domingos Paciência, Daniel Carriço, Sandra Parente, Ana Sofia Teles, Pedro Viana Xavier e Júlio Vieira
- Assembleia Geral: Álvaro Campos Ferreira (presidente), Maria Gabriela Pestana (vice-presidente) e João Paulo Rebelo (secretário)
- Conselho Fiscal: Ana Sismeiro (presidente), Elísio Carneiro e Vítor Seabra Franco
- Conselho de Disciplina: Sandra Silva (presidente)
- Secção profissional: João Caires, Vânia Ramos, Rui Antunes, Ricardo Gonçalves, Inês Neves e Francisco Vieira
- Secção não profissional: Tiago Rocha, Rui Almeida, Alexandre Amado, Isabel Cunha, Maria da Conceição Silva e Ana Rita Pinto
- Conselho de Justiça: Luís Sousa (presidente), Carlos Alves, Henrique Silva, José Moreira, Vítor Carvalho, Ana Pais e Pedro Pereira
- Conselho de Arbitragem: Luciano Gonçalves (presidente)
- Secção profissional: Nuno Almeida, Nuno Conceição e Joel Amado
- Secção não profissional: Luís Maria, Eduardo Coelho, Diana Henriques e André Gralha
- Secção de classificações: Rui Licínio, Ana Borges e Albano Fialho