É na página nove de um discurso de 19 que surge a assunção de algo a que não é possível fugir. “Sem nenhum pingo de sobranceria, sabemos que a probabilidade de vencer esta eleição, tendo em conta o número de subscritores que a suportaram, é muito alta”, refere Pedro Proença, que esta segunda-feira apresentou oficialmente a candidatura à presidência da Federação Portuguesa de Futebol (FPF).
Foi já com essa toada, a ideia de que dificilmente irá perder para Nuno Lobo nas eleições marcadas para o próximo dia 14 de fevereiro, que Pedro Proença surgiu no auditório principal da Cidade do Futebol, em Oeiras — ou seja, Pedro Proença apresentou a candidatura à Federação Portuguesa de Futebol na sede da Federação Portuguesa de Futebol. Sob o lema “Unir o Futebol” e uma sala lotada, onde as cadeiras disponíveis não chegaram para todos aqueles que marcaram presença, o até aqui presidente da Liga de Clubes salientou alguns dos objetivos mais prementes para um mandato de quatro anos.
Desde logo, a ideia de realizar uma das competições nacionais em território estrangeiro. “Portugal não excluirá do seu campo de possibilidades a disputa no estrangeiro de alguma das suas provas, nomeadamente uma Supertaça totalmente relançada no nosso calendário desportivo. Não podemos continuar a fingir que Portugal e o nosso futebol se promovem exclusivamente pelas nossas Seleções. Não é verdade. Os nossos clubes são embaixadores e ‘players’ que precisam de ser todos os dias mais globais. E a Federação tem de liderar esse novo caminho”, explicou Pedro Proença, que era presidente da Liga de Clubes desde 2015.
O candidato da lista 1 à presidência da Federação Portuguesa de Futebol tem desde já a certeza do apoio de 63 dos 84 delegados da Assembleia-Geral Eleitoral, equivalentes a 75% do caderno eleitoral, uma percentagem que lhe permite ter a tal noção de que a probabilidade de ganhar as eleições “é muito alta”. Pedro Proença propõe uma organização diferente da Direção do organismo: ao contrário de contar com vários vice-presidentes, como acontecia com Fernando Gomes, terá apenas o presidente da Liga de Clubes como vice-presidente por inerência e depois vários vogais espalhados por diferentes áreas.
Dentro desse lote de vogais, incluem-se José Fontelas Gomes, presidente do Conselho de Arbitragem da FPF, Joaquim Evangelista, presidente do Sindicato dos Jogadores, Toni, Domingos Paciência e ainda Daniel Carriço. Sofia Teles, diretora de competições da Associação de Futebol do Porto e antiga diretora desportiva do Sp. Braga, ficará com a pasta do futebol feminino, sendo que também José Pereira e Matilde Fidalgo, presidente da Associação Nacional de Treinadores de Futebol e antiga jogadora, são vogais.
Luís Campos Ferreira, antigo secretário de Estado nos Negócios Estrangeiros e Cooperação, é candidato a presidente da Assembleia-Geral, sendo que o também antigo secretário de Estado da Juventude e do Desporto João Paulo Rebelo surge como vogal do mesmo órgão. Luciano Gonçalves, presidente da Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol, é candidato a presidente do Conselho de Arbitragem, neste que é um tópico prioritário para Pedro Proença.
No longo discurso, o antigo árbitro anunciou a criação de uma Direção Técnica Nacional de Arbitragem, com um plano nacional para a arbitragem a 12 anos, e deixou a intenção de tornar a classe totalmente profissional até ao fim do mandato. “Esta é uma realidade que passará pela implementação de um modelo empresarial para a gestão do setor. Não nego que a arbitragem — diz-vos de quem de lá veio — está muito melhor do que já foi. Mas a arbitragem é um setor que está sequioso dessa serenidade, desse reconhecimento e dessa visão. De carreiras claras, integradas e compreensíveis […] Uma Federação forte não se faz com uma arbitragem fraca ou uma disciplina incompreensível”, sublinhou, vincando ainda a necessidade de “uma avaliação séria do impacto do Tribunal Arbitral do Desporto”.
Pedro Proença lembrou a criação de três órgãos consultivos — o Conselho Superior, o Conselho Estratégico e a Comissão dos Delegados –, a vontade de realizar “uma avaliação rigorosa do modelo de distribuição das receitas que resultam das apostas desportivas”, a intenção de criação de um pólo desportivo e administrativo da FPF no norte do país e a atenção redobrada ao futsal, ao futebol de praia, ao walking football e ao e-football.
Pedro Proença acompanhado por alguns dos candidatos aos órgãos sociais da Federação Portuguesa de Futebol
O candidato à liderança da FPF deixou ainda a vontade de trabalhar em conjunto com as autarquias para estimular a prática de desporto nas comunidades e nas escolas e a necessidade de prolongar o sucesso do organismo até às associações locais. “Queremos muito ver acontecer com as nossas associações o que acontecem com a nossa federação nos últimos anos. Um plano sério de fortalecimento, de capacitação, de autonomia e de crescimento”, afirmou, apesar de ressalvar que a Federação Portuguesa de Futebol “não é uma organização política, não defende partidos nem os ataca”.
Por fim, numa apresentação que contou com a presença de figuras como Pedro Santana Lopes e D. Américo Aguiar ou Valentim Loureiro e Carlos Queiroz, Pedro Proença atirou o “inegociável objetivo” para os próximos quatro anos: “Fazer tudo o que ainda não foi feito”. “Afirmo a cada um dos 84 delegados que escolherão o futuro da Federação que serie, se confiarem em mim como espero, um presidente totalmente livre. Vincadamente independente”, terminou.