O nome é Kleindienst, Josef Kleindienst. Assim se chama o milionário austríaco ligado ao imobiliário que está a contestar a propriedade da marca registada James Bond no Reino Unido e na União Europeia, segundo o jornal Guardian, por temer o declínio do império financeiro gerado pelos filmes e merchandising sobre o agente secreto mais conhecido da história do cinema.
Responsável pela construção de um complexo turístico de luxo em seis ilhas artificiais no Dubai, denominado ‘Coração da Europa’ e no valor de cinco mil milhões de dólares, Kleindienst deixou uma garantia: “James Bond não morrerá no nosso turno“. Em causa está o aparente ocaso sobre o futuro do ‘franchise’ desde que foi lançado o último filme, em 2021: 007 — No Time to Die marcou a despedida do ator Daniel Craig do papel, que anunciou logo em novembro de 2019 que esse seria o seu último filme na saga cinematográfica.
Desde então, os detentores do ‘franchise’ — a Eon, controlada por Barbara Broccoli e Michael Wilson — não indicaram um substituto para Daniel Craig no papel de James Bond. Já os estúdios MGM, que detêm os direitos dos filmes, foram comprados em 2021 pela Amazon por cerca de 8,5 mil milhões de dólares. Contudo, o jornal alude a informações de que Barbara Broccoli e a Amazon não estarão em sintonia sobre o futuro, o que colocou a sucessão de Daniel Craig e a produção de um novo filme num impasse.
Como o relógio não pára e já se caminha para quase quatro anos sem um filme de James Bond, o 28.º filme da saga poderá surgir na sequência do intervalo mais longo entre dois filmes e que se situa neste momento em seis anos e quatro meses. Sem elenco, um realizador, argumento ou calendário de produção e pós-produção, o futuro do próximo Bond parece incerto.
[No podcast “Pequenas Reivindicações de Liberdade“, a paciência da pessoa convidada é sempre posta à prova e nada a impede de abandonar o estúdio — mas o que está dito, está dito. Ouça aqui o novo episódio, que também está disponível na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music.]
Segundo a legislação de marcas registadas, pode haver contestação à propriedade por “não utilização” durante cinco anos da marca no merchandising de bens e serviços com o nome Bond. A empresa americana Danjaq detém as marcas associadas a James Bond ao nível dos direitos de merchandising tradicional a nível mundial em conjunto com a Eon, além de ser coproprietária dos direitos de autor dos filmes juntamente com a MGM.
“Nós e muitos, muitos mais fãs estamos desapontados por ver e compreender a forma como James Bond está a ser tratado. A nossa preocupação é certamente garantir que o James Bond tal como o conhecemos se mantenha vivo e que haja mais experiências com ele. Decidimos investir e apoiar, permitindo que os fãs de hoje e as gerações futuras desfrutem de James Bond”, afirmou Kleindienst.
De acordo com o promotor imobiliário austríaco, a possível “queda do sucesso comercial” pode ditar a morte do ‘franchise’ de espionagem e ação. “Em nenhuma circunstância o próximo filme deve ser o último“, avisou Kleindienst.
“Para inverter a maré e manter James Bond vivo, só os fãs e o seu envolvimento poderão garantir o futuro de James Bond tal como o conhecemos e como todos nós o amamos. Consideramos que esta é a nossa tarefa e o nosso investimento destina-se a criar pontos de contacto reais com os fãs e a envolvê-los”, concluiu.