Se a partida de há uma semana era praticamente decisiva, o que dizer do jogo desta quinta-feira… O empate no Dragão, na primeira mão, acabou por ser um mal menor tendo em conta o que se passou no terreno de jogo, mas complicou a tarefa do FC Porto para a visita à capital italiana (1-1). Os últimos dias acabaram por ficar incontornavelmente marcados pela morte de Jorge Nuno Pinto da Costa, antigo presidente que transformou um regional num clube global, com sete troféus internacionais no seu palmarés. Era esse o mote que a equipa de Martín Anselmi procurava propagar no Olímpico de Roma, frente a uma equipa que ainda não tinha perdido nesta edição da Liga Europa.

Francisco e um tiro de raiva que quase abateu uma raposa velha (a crónica do FC Porto-Roma)

No fim de semana, os dragões deslocaram-se ao Algarve e somaram o primeiro triunfo na Primeira Liga frente ao Farense, num partida em que Francisco Moura voltou a ser decisivo, depois de ganhar nova vida com o novo técnico, que implementou um estilo de jogo que beneficia os alas (0-1). Essa partida ficou ainda marcada pela grave lesão sofrida por Vasco Sousa, que deverá desfalcar a zona intermédia até ao final da temporada. Em sentido inverso, Alan Varela e Stephen Eustáquio foram suplentes utilizados na deslocação a Faro, pelo que deverão estar praticamente na máxima força, o que acaba por beneficiar o jogo da formação portista.

Ficha de jogo

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Roma-FC Porto, 3-2 (4-3)

Segunda mão do playoff da fase a eliminar da Liga Europa

Estádio Olímpico, em Roma (Itália)

Árbitro: François Letexier (França)

Roma: Mile Svilar; Zeki Çelik (Saud Abdulhamid, 90+4’), Gianluca Mancini, Evan Ndicka; Stephan El Shaarawy (Devyne Rensch, 87’), Leandro Paredes, Manu Koné, Angeliño; Paulo Dybala (Tommaso Baldanzi, 87’), Lorenzo Pellegrini (Niccolò Pisilli, 78’) e Eldor Shomurodov (Matìas Soulé, 78’)

Suplentes não utilizados: Giorgio De Marzi, Pierluigi Gollini; Mats Hummels, Victor Nelsson, e Buba Sangaré

Treinador: Claudio Ranieri

FC Porto: Diogo Costa; Tiago Djaló, Nehuén Pérez, Otávio Ataíde (Rodrigo Mora, 65’); João Mário, Stephen Eustáquio, Alan Varela (Tomás Pérez, 82’), Francisco Moura (Danny Namaso, 82’); Pepê (Gonçalo Borges, 56’), Samu Aghehowa e Fábio Vieira (William Gomes, 82’)

Suplentes não utilizados: Cláudio Ramos, Samuel Portugal; Iván Marcano, Zaidu Sanusi, André Franco, Deniz Gül e Zé Pedro

Treinador: Martín Anselmi

Golos: Samu (27’), Dybala (35’ e 39’), Pisilli (83’) e Rensch (p.b., 90+6’)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Otávio (26’), Dybala (29’), Nehuén (34’), Anselmi (41’), Paredes (51’) e William Gomes (90+3’), vermelho a Eustáquio (51’)

“É sempre é importante marcar primeiro, isso seria o começo ideal. A Roma é uma adversária forte, com bons jogadores e capacidade para se bater no jogo e impor-se em cada duelo. Os primeiros minutos serão intensos. Eles vão tentar marcar o primeiro golo. Estamos preparados para fazer o nosso jogo. Treinámos bem. Salvar a temporada? No Campeonato ainda há muito para jogar e ainda temos possibilidades de mostrar resultados. Nestes torneios é mata-mata e todos os jogos são decisivos. Viemos a Roma com ambição e vontade de ganhar. Não viemos cá apenas para ver o que acontece. Viemos cá para passar. Pela frente há uma Roma com toda a sua história, no seu campo e com um plantel impressionante, mas do nosso lado temos um FC Porto com uma boa equipa que tem fome de vencer”, anteviu Anselmi.

Já os giallorossi chegaram a esta segunda mão do playoff depois de terem vencido em casa do Parma, com golo de Matìas Soulé, numa partida em que Angeliño, Lorenzo Pellegrini, Paulo Dybala e Artem Dovbyk foram poupados. “A equipa está bem, estou muito orgulhoso dos meus jogadores. Estão comigo a fundo desde o primeiro dia. Na primeira mão fiquei satisfeito, fizemos um bom jogo, tanto com onze elementos como com dez. Nem sempre o mais forte ganha. Todos os jogos são 50/50. O FC Porto tem um bom treinador, uma boa equipa, muito jovem, com qualidade. Vai ser um grande jogo”, perspetivou Claudio Ranieri, a “raposa velha” que saiu da reforma para assumir pela terceira vez o comando técnico da Roma.

Assim, Anselmi fez cinco mudanças no onze inicial, com o destaque a recair sobre as presenças de Pepê e Fábio Vieira no ataque, em detrimento de Rodrigo Mora. No miolo, Eustáquio e Varela regressaram, ao passo que Samu Aghehowa entrou para o lugar que foi de Deniz Gül no Algarve. Na Roma, Ranieri contou com uma grande contrariedade, já que Dovbyk não recuperou da lesão sofrida no treino de quarta-feira. No ataque atuou Eldor Shomurodov, com Stephan El Shaarawy e Manu Koné a trocarem com os castigados Alexis Saelemaekers e Bryan Cristante.

A partida até começou com os romanos a pressionarem a saída de bola dos dragões, com Lorenzo Pellegrini a juntar-se à dupla do ataque na pressão. Ainda assim, com o passar dos minutos e com o FC Porto a assumir o controlo da posse de bola, a Roma baixou as linhas e apresentou-se confortável com o bloco baixo. A primeira ocasião de perigo até pertenceu à equipa da casa, com Pellegrini a cabecear por cima, depois de um cruzamento de Zeki Çelik (5′). A partir daí, o jogo entrou numa toada morna, com as duas equipas encaixadas taticamente e mais focadas em defender. Contudo, precisavam de marcar para seguirem em frente na segunda prova europeia.

Os dragões reagiram depois de uma fífia da defesa romana, com o ex-Benfica Mile Svilar a colocar a bola nos pés de Fábio Vieira, que atirou contra Gianluca Mancini, ganhou o ressalto e Samu, com um fantástico pontapé bicicleta, inaugurou o marcador e colocou o FC Porto pela primeira vez na frente da eliminatória (27′). Os giallorossi reagiram bem ao golo portista e responderam da mesma moeda, com Dybala a desenhar um golo de antologia, depois de combinar com Shomurodov, isolar-se e bater Diogo Costa com um toque de classe (35′). Volvidos quatro minutos, o argentino voltou a mostrar toda a sua classe, aproveitou a passividade defensiva para romper a defensiva e, depois de receber um passe de Koné, fez o 2-1 com um remate colocado ao primeiro poste (39′). Até ao intervalo, os azuis e brancos não se conseguiram encontrar, terminaram com os centrais e o treinador amarelados e quase sofreram o terceiro, valendo Diogo na baliza (42′).

A etapa complementar continuou quezilenta nos primeiros minutos, com o FC Porto a pediu o segundo amarelo para Dybala depois de um falta sobre Otávio Ataíde (47′). O jogo prosseguiu, a bola seguiu dos dragões e, no ataque, Eustáquio desentendeu-se com Leandro Paredes, atingiu-se no peito com um soco e acabou expulso, depois de o árbitro ter visto as imagens do lance (51′). Em superioridade numérica, a Roma procurou resolver a eliminatória e quase chegou ao terceiro golo por Shomurodov (55′) e Angeliño (56′), que ficaram a centímetros de marcar. Anselmi respondeu e lançou Gonçalo Borges para o lugar de Pepê e, na jogada seguinte, Shomurodov fez o golo em mais um lance em que Otávio andou aos papéis, mas estava em fora de jogo (59′).

A turma romana continuou confortável no desafio e, pouco depois, Dybala apareceu novamente sozinho dentro da área, servido por Angeliño, pecando na finalização (63′). O técnico argentino voltou a responder de pronto e desmontou os três centrais, com Rodrigo Mora a substituir Otávio, organizando a equipa em 4-4-1. Numa jogada de ataque da Roma, Diogo Costa bateu na frente, Evan Ndicka permitiu que Samu se isolasse e o avançado, depois de ser importunado pelo central, atirou em esforço ao poste (69′).Para os últimos minutos, Anselmi apostou tudo no ataque e lançou Tomás Pérez, que se estreou pelos dragões, William Gomes e Danny Namaso, e os romanos acabaram por resolver a partida e a eliminatória, com Niccolò Pisilli a aparecer sozinho dentro da área a completar um cruzamento de Angeliño (83′). Antes do apito final, Devyne Rensch ainda reduziu ao impedir que um cruzamento de Borges chegasse a Namaso, mas a partida e a eliminatória estavam sentenciadas (3-2).