Chegou a hora de (quase) todas as decisões. Parte do futuro europeu do FC Porto jogava-se esta quinta-feira, na receção à Roma, na primeira mão do playoff da Liga Europa. Num dos jogos de maior cartaz — senão mesmo o principal —, os dragões procuravam reencontrar o caminho das vitórias, algo que, em 2025, só se registou na segunda prova europeia, ao mesmo tempo que Martín Anselmi procurava sustentar a evolução das últimas pessoas e começar a somar bons resultados. A exibição no clássico frente ao Sporting foi positiva em termos táticos e o empate arrancado a ferros prometia galvanizar as hostes portistas (1-1).
Com a mudança de esquema tático operada pelo novo treinador, para o 3-4-3, a equipa tem ganhado novas rotinas e os centrais ganharam particular importância, passando a ser elementos fundamentais na primeira fase de construção. Ainda assim, é nesse setor que residem as principais debilidades da equipa, com Nehuén Pérez e Otávio Ataíde a cometerem erros nos últimos golos sofridos pelo FC Porto. Mais à frente, Pepê não tem conseguido mostrar uma nova cara, embora tenha funções diferentes, surgindo mais por dentro em relação ao que acontecia com Vítor Bruno e como um dos vértices do quadrado formado pela equipa, sem bola, no corredor central.
Ficha de jogo
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FC Porto-Roma, 1-1
Primeira mão do playoff da fase a eliminar da Liga Europa
Estádio do Dragão, no Porto
Árbitro: Tobias Stieler (Alemanha)
FC Porto: Diogo Costa; Tiago Djaló, Nehuén Pérez, Otávio Ataíde (Danny Namaso, 75’); João Mário, Stephen Eustáquio, Alan Varela (Fábio Vieira, 63’), Francisco Moura (Zaidu Sanusi, 85’); Gonçalo Borges, Samu Aghehowa (Deniz Gül, 85’) e Rodrigo Mora (Pepê, 63’)
Suplentes não utilizados: Cláudio Ramos; Iván Marcano, William Gomes, Vasco Sousa, André Franco, Tomás Pérez e Zé Pedro
Treinador: Martín Anselmi
Roma: Mile Svilar; Zeki Çelik, Gianluca Mancini, Evan Ndicka; Alexis Saelemaekers (Stephan El Shaarawy, 46’), Manu Koné (Niccolò Pisilli, 46’), Bryan Cristante, Lorenzo Pellegrini (Matías Soulè, 67’), Angeliño; Paulo Dybala (Tommaso Baldanzi, 39’) e Artem Dovbyk (Leandro Paredes, 75’)
Suplentes não utilizados: Giorgio De Marzi, Pierluigi Gollini; Saud Abdulhamid, Eldor Shomurodov, Mats Hummels, Victor Nelsson e Buba Sangaré
Treinador: Claudio Ranieri
Golos: Çelik (45+5’) e Moura (67’)
Ação disciplinar: cartão amarelo a Pellegrini (18’), Varela (20’), Çelik (28’), Koné (34’), Moura (45+2’), Saelemaekers (45+2’), Cristante (64’ e 72’), Otávio (71’), Paredes (90+4’) e Baldanzi (90+4’), vermelho a Cristante (72’)
“Estou muito contente com o nível de profissionalismo e intensidade dos jogadores desde que chegámos. Estão sempre dispostos a fazer melhor. Isso é impagável e muito importante. Estamos a destacar a coragem porque a ideia não é fácil e requer esforço físico e mental. Estamos muito contentes no FC Porto e de trabalhar com eles. Enfrentar [Claudio] Ranieri é um orgulho, tinha 12 anos e via o seu Valencia na televisão… É um treinador super inteligente, que sabe o que fazer. A Roma é uma equipa grande e tem de ganhar em todo o lado. Não espero uma equipa defensiva. Temos de estar preparados”, abordou Anselmi na antevisão.
Pela frente o FC Porto tinha uma Roma mais experiente e consolidada e que, ao contrário do que mostra a classificação da Serie A, onde é nona com 34 pontos, atravessava a melhor fase da temporada com Ranieri ao leme. Com Artem Dovbyk e Paulo Dybala como principais referências, a dupla tem sido uma autêntica dor de cabeça para as defesas adversárias e mostra um entrosamento pouco visto do futebol europeu. Ainda assim, o maior perigo residia nas laterais, onde Alexis Saelemaekers e Angeliño prometiam tirar proveito das fragilidades defensivas da turma azul e branca.
“Anselmi? É interessante saber que quando tinha 12 anos olhava para mim e para o meu Valencia. É um rapaz com muito valor que, com 39 anos, conduz uma equipa grande como o FC Porto. Só tenho de o parabenizar. Só posso dizer maravilhas e desejar-lhe um futuro brilhante e cheio de vitórias. Temos de estar super concentrados. Espero um FC Porto a querer ser muito dominante, apoiado pelos seus adeptos, como fizeram com o Sporting, em que pressionaram muito na parte final e empataram já nos descontos. Quanto a nós, devemos jogar como sabemos, com grande intensidade e naturalidade”, anteviu o experiente técnico italiano.
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Otávio Ataíde e Gonçalo Borges acabaram por regressar ao onze de Anselmi, com Zé Pedro e Pepê a serem relegados para o banco de suplentes, e os primeiros minutos revelaram um FC Porto à imagem dos últimos jogos, em 3-4-3, com os centrais bem abertos e Rodrigo Mora a servir como elo de ligação entre o meio-campo e Borges e Samu Aghehowa. A primeira ocasião de perigo pertenceu aos giallorossi, que aproveitaram um mau passe de João Mário para colocarem Diogo Costa em calafrios, mas o internacional português levou a melhor (12′). Na resposta, Samu tentou isolar Mora, que apareceu com perigo na área, só que o passe saiu com demasiada força e o “menino” perdeu espaço (14′).
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O desafio entrou numa toada quezilenta, com muitos duelos no corredor central, e nem se conseguiu soltar das amarradas do adversário, embora a Roma tenha criado mais situações de perigo. Em cima do intervalo, Dybala teve de deixar a partida por problemas físicos e Tommaso Baldanzi entrou para o seu lugar (39′). Na derradeira oportunidade do primeiro tempo, Zeki Çelik subiu até à área adversária e aproveitou um lance confuso e um mau corte de Nehuén para inaugurar o marcador (45+5′), num golo que acabou por trazer justiça ao resultado, apesar de as duas equipas terem ficado muito aquém nos primeiros 45 minutos.
Zeki Çelik a marcar em cima do intervalo ????#sporttvportugal #EUROPAnaSPORTTV #UefaEuropeLeague #fcporto #asroma #ESCUEL pic.twitter.com/6Jtfi0Zvl6
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Ao intervalo, Ranieri retirou dois dos jogadores que tinham amarelo (Saelemaekers e Manu Koné), como boa raposa velha, e lançou em campo Stephan El Shaarawy e Niccolò Pisilli, mas quem reentrou melhor foram os dragões que, nos primeiros segundos, quase empataram, valendo Mile Svilar a parar um remate do isolado Francisco Moura (46′). Esse lance acabou por ser uma poça de água no meio do deserto, já que a equipa de Anselmi continuou muito dependente das individualidades e a cometer erros, principalmente na tomada de decisão, fruto da pressa e da pouca paciência que os jogadores apresentavam.
Perante a intranquilidade, o treinador argentino mexeu pela primeira vez ao colocar Fábio Vieira e Pepê nos lugares de Alan Varela e Rodrigo Mora, e levou com os assobios do público azul e branco (63′). Pouco depois, o ex-Benfica Bryan Cristante quase fez o segundo num canto, mas Diogo Costa negou-lhe o golo com uma defesa apertada (66′). Na sequência de nova bola parada, Angeliño atirou ao lado, o internacional português cobrou rapidamente o pontapé e colocou na velocidade de Pepê, que recebeu e levou a bola para a área antes de ser desarmado. Contudo, Moura surgiu em velocidade vindo de trás e desferiu um remate forte de primeira para o empate (67′).
Francisco Moura a empatar no Dragão ????#sporttvportugal #EUROPAnaSPORTTV #UefaEuropeLeague #fcporto #asroma #ESCUEL pic.twitter.com/cwh7tOfR99
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O golo teve o condão de melhorar o FC Porto, que começou a encostar os romanos à sua baliza. Num lance em Fábio Vieira ganhou em velocidade no corredor esquerdo, Cristante foi displicente, derrubou o médio e viu o segundo cartão amarelo, deixando a Roma em inferioridade numérica (72′). Ranieri respondeu à contrariedade e abdicou do ponta de lança Dobvyk. Em sentido inverso, Anselmi desfez os três centrais e apostou em Danny Namaso, a arma secreta do clássico. A alteração quase teve efeitos imediatos, mas o remate de Gonçalo Borges, ao segundo poste, saiu por cima (78′). Os dragões carregaram até ao fim, mas não conseguiram chegar ao golo da vitória, pelo que a eliminatória se vai resolver na capital italiana.