Tudo mudou numa semana. Em apenas duas jornadas, o Benfica passou de depender de terceiros e de estar a seis pontos do líder Sporting para relançar-se na luta pela primeira posição e voltar a depender só de si. Para tal, a equipa de Bruno Lage não vacilou frente a Moreirense (casa, 3-2) e Santa Clara (fora, 1-0) e aproveitou os empates dos leões, ante FC Porto (fora, 1-1) e Arouca (casa, 2-2), para se colocar a apenas dois pontos do eterno rival. Pelo meio, as águias superaram o Monaco em mais uma eliminatória europeia e apuraram-se para os oitavos de final da Liga dos Campeões (4-3).

Kökçü riu por último num jogo com muita piada (a crónica do Benfica-Mónaco)

Contudo, nem tudo era um mar de rosas. Que o diga Lage. O departamento médico dos encarnados continua com muito trabalho em mãos e, aos ausentes de longa data Renato Sanches e Tiago Gouveia, juntaram-se recentemente Fredrik Aursnes, Florentino Luís, Manu Silva, Alex Bah e Ángel Di María. Se, por um lado, o norueguês estava em dúvida, tendo jogado limitado fisicamente na receção aos franceses, por outro, Orkun Kökçü era o único médio disponível, pelo que se esperavam mudanças no miolo, o setor mais debilitado nesta fase da temporada.

Ficha de jogo

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Benfica-Boavista, 3-0

23.ª jornada da Primeira Liga

Estádio do Sport Lisboa e Benfica, em Lisboa

Árbitro: José Bessa (AF Porto)

Benfica: Samu Soares; Leandro Santos, Tomás Araújo, Nico Otamendi, Álvaro Carreras (Nuno Félix, 79’); Fredrik Aursnes (Diogo Prioste, 83’), Orkun Kökçü (Arthur Cabral, 79’); Bruma, Zeki Amdouni (Kerem Aktürkoglu, 68’), Samuel Dahl; Andrea Belotti (Vangelis Pavlidis, 68’)

Suplentes não utilizados: Anatoliy Trubin; António Silva, Andreas Schjelderup e João Rego

Treinador: Bruno Lage

Boavista: Tomas Vaclik; Vitalii Lystsov (Steven Vitória, 79’), Rodrigo Abascal, Sidoine Fogning; Salvador Agra, Marco van Ginkel (Abdoulay Diaby, 58’), Seba Pérez (Ibrahima Camará, 46’), Joel Silva; Miguel Reisinho, Róbert Bozenik (João Barros, 72’) e Moussa Koné (Manuel Namora, 72’)

Suplentes não utilizados: César; Pedro Gomes, Ilija Vukotic e Gonçalo Almeida

Treinador: Lito Vidigal

Golos: Belotti (28’), Pavlidis (70’) e Kökçü (77’)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Seba Pérez (26’) e Reisinho (45’), vermelho a Reisinho (51’)

“O Boavista é uma equipa com 10 jogadores novos, que vai ser fiel à imagem do treinador [Lito Vidigal]. Vamos jogar em casa e temos de ter a determinação de vencer e manter os jogadores saudáveis para os jogos seguintes. Temos de ter capacidade para gerir o plantel com o que aí vem. O meu treinador-adjunto disse-me que os jogadores estão no limiar da sobrecarga física, mas tenho confiança no plantel. São uma verdadeira família. É o preço do sucesso, valorizar o que temos vindo a fazer. É o preço do sucesso e de se sentar numa cadeira como a do Benfica”, explicou Lage na antevisão à receção ao Boavista.

Como referiu o treinador encarnado, os axadrezados chegavam à Luz de cara lavada, com novo treinador e uma dezena de reforços de inverno, que chegaram ao Bessa depois de o clube ter conseguido levantar todas as imposições colocadas pela FIFA. Para além disso, o treinador também mudou, com o Boavista a apostar num técnico que conhece bem o Campeonato português. “As perspetivas são sempre positivas. Encaro sempre as coisas com otimismo. Sabemos que é um jogo difícil, contra um grande adversário, mas a mensagem que passo aos jogadores é que todos os jogos são possíveis de se vencer, independentemente das dificuldades que se possa vir a ter. Há que acreditar que é possível vencer, não consigo trabalhar de outra forma…”, partilhou Vidigal.

Aursnes acabou por recuperar e foi titular numa equipa que contou com seis alterações, a maior delas na baliza, com Samuel Soares a entrar para o lugar de Anatoliy Trubin. Para além do jovem guarda-redes, Leandro Santos, Samuel Dahl, Bruma, Zeki Amdouni e Andrea Belotti voltaram a constar no onze inicial de Lage. Já Vidigal apresentou quatro novidades, com os reforços Tomas Vaclik, Vitalii Lystsov, Marco van Ginkel e Moussa Koné a serem titulares. O início da partida não ficará, certamente, na memória de quem assistiu à partida, com o Benfica a controlar, mas sem conseguir entrar num bloco bem organizado de um Boavista personalizado, que conseguiu condicionar os encarnados, que se apresentaram lentos na circulação.

Paulatinamente, os encarnados começaram a crescer na partida, tiveram duas oportunidades por Belotti (19′) e Amdouni (24′), e acabaram mesmo por inaugurar o marcador, com Bruma a arrancar pela esquerda e a cruzar para o remate certeiro do avançado italiano, que se estreou a marcar com a camisola do Benfica (28′). As águias continuaram a carregar até ao intervalo e quase chegaram ao golo da tranquilidade, num lance em que Belotti atirou ao poste, após um cruzamento de Amdouni (36′). Seguiu-se nova ocasião do italiano, que obrigou Vaclik a uma defesa apertada (38′). A fechar, o guarda-redes negou o golo a Dahl, que quase concluiu da melhor forma uma triangulação com Belotti e Bruma (42′).

Lito Vidigal retificou ao intervalo e colocou Ibrahima Camará no lugar de Seba Pérez, mas o Benfica voltou a entrar melhor e só não aumentou a vantagem no início da segunda parte porque Vaclik continuou em grande na baliza axadrezada, travando o remate de Aursnes à entrada da área (48′). No lance seguinte, Bruma rompeu a defesa boavisteira e tentou finalizar com um remate rasteiro, mas a bola saiu ao lado (49′). Contudo, essa jogada acabou por marcar a história da partida, já que Miguel Reisinho acabou expulso por pisar Orkun Kökçü (51′). Com o Boavista em inferioridade numérica, os espaços começaram a surgir e, depois de um grande passe de Álvaro Carreras, Amdouni isolou-se e atirou para mais uma grande defesa do checo (54′).

Já com o ex-Sporting Abdoulay Diaby no ataque boavisteiro e a linha de cinco desfeita na defesa, o trio de reforços continuou a causar muitos problemas no ataque, mas Vaclik continuava intransponível e voltou a impedir o golo do avançado italiano (61′), respondendo depois no duelo com Bruma, com uma defesa com o ombro (67′). Lage acabou por refrescar a equipa e lançou Kerem Aktürkoglu e Vangelis Pavlidis e, na primeira jogada da dupla, o Benfica fez o 2-0. Numa jogada pela direita, Aursnes deixou ao meio para Kökçü que, com um grande passe, deixou para a desmarcação do extremo turco. Este cruzou rasteiro e o grego concluiu para dentro (70′). Pouco depois, Vaclik negou, por duas vezes, o golo a Pavlidis e Kökçü, mas o médio turco acabou por juntar o seu nome à lista de marcadores, ao converter com classe um penálti de Salvador Agra sobre Dahl (77′).

Na ponta final ainda houve tempo para Nuno Félix e Diogo Prioste, médios made in Seixal, se estrearem no Estádio da Luz, e para Samu fazer a primeira defesa na partida, ao agarrar um remate colocado de João Barros. A partida terminou pouco depois, permitindo ao Benfica subir, à condição, à liderança isolada da Primeira Liga, ccom um ponto a mais que o Sporting. Segue-se a Taça de Portugal, frente ao Sp. Braga.