A EDP Renováveis (EDPR), subsidiária do grupo EDP, fechou o ano no vermelho com prejuízos de 556 milhões de euros, que reflete dois fatores não recorrentes que afetaram negativamente as contas. Um deles é já o efeito Trump no mercado americano das renováveis, um dos mais importantes para o grupo.
Na Colômbia, a decisão de suspender os projetos eólicos teve um impacto negativo de 590 milhões de euros, entre imparidades, provisões para garantias e impostos. O grupo já tinha feito um aviso ao mercado por causa desta situação.
EDP Renováveis abandona projetos eólicos na Colômbia admitindo perdas de até 700 milhões de euros
As contas refletem também o efeito do reconhecimento de uma imparidade (perda no balanço) por parte da Ocean Winds, parceria na qual a EDPR tem 50%, para os projetos offshore eólica nos Estados Unidos. Esta imparidade, que tem o impacto de 133 milhões de euros para a EDP Renováveis, é atribuída a “uma decisão preventiva” para fazer face “à incerteza em torno dos projetos offshore nos Estados Unidos após as ordens executivas presidenciais emitidas em 20 de janeiro”.
Uma das primeiras medidas adotadas por Donald Trump foi travar as ajudas públicas ao desenvolvimento de capacidade renovável que tinham sido aprovadas no pacote de combate à inflação de anterior presidente Joe Biden.
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No total, os itens não recorrentes (excecionais e não relativos à atividade operacional) pesaram 777 milhões de euros nos resultados da EDPR. Sem estes efeitos, o resultado recorrente da EDP Renováveis foi de 221 milhões de euros em 2024, ainda assim em queda de 57% face ao ano anterior. A empresa justifica esta evolução pelo “desempenho positivo ao nível de receitas ter sido neutralizado por menores ganhos de rotação de ativos e maiores custos financeiros”.
A EDP Renováveis aumentou a capacidade instalada bruta de produção renovável em 3,8 gigawatts, do qual a maior fatia foi instalada no último trimestre do ano. A produção de fontes renováveis aumentou 6% e as receitas cresceram 4%, apesar do preço médio de venda da energia na Europa ter caído 3% face a 2023, o que foi compensado por preços mais estáveis nos Estados Unidos onde a EDPR tem mais contratos de longa duração com compradores.
A EDPR vai propor aos acionistas um scrip dividend, modalidade que permite distribuir novas ações em vez de dinheiro, em função da preferência de quem recebe. A EDP, que é a maior acionista da EDPR com 71,3%, já comunicou que vai exercer a opção de receber em ações, como tem feito desde 2023, abdicando do direito de vender os direitos de incorporação.