Ninguém poderia prever um desfecho assim. Facto 1: no primeiro encontro da presente temporada com o Barcelona, o Benfica conseguiu marcar quatro golos apesar da derrota por 5-4. Facto 2: em 15 jogos feitos no ano de 2025, os encarnados tinham feito sempre pelo menos um golo e chegavam com uma média superior a dois por partida. Facto 3: conseguir fazer 26 remates com oito enquadrados frente aos catalães é algo que está ao alcance de poucos, mesmo tendo em conta a inferioridade numérica desde a expulsão de Pau Cubarsí aos 22′. Perante tudo isso, e assumindo que poderia haver qualquer resultado, existia algo que parecia ser impossível: ficar em branco. Foi isso que aconteceu. Foi isso que levou a nova derrota na Luz.

António e a síndrome de um erro central (a crónica do Benfica-Barcelona)

O registo recente do Benfica na Luz em jogos a contar para a Liga dos Campeões não era famoso, tendo só uma vitória nos últimos nove encontros (três empates e cinco derrotas). Ainda assim, e num encontro que veio contradizer tudo aquilo que se esperava sobretudo a nível de golos, essa tendência acabou por acentuar-se. Nada está perdido mas há outro registo que abre menor margem de sucesso: das 30 vezes em que o Barcelona ganhou fora na primeira mão de uma eliminatória da UEFA, só não passou em três (sendo que uma foi na temporada passada, com o PSG); das oito ocasiões em que o Benfica perdeu em casa na primeira mão de uma eliminatória da UEFA, apenas por uma vez passou (Dínamo de Bucareste em 1999).

Apesar disso, e numa partida que igualou o pior registo dos encarnados na Luz para a Liga dos Campeões (cinco jogos seguidos sem vitórias, como tinha acontecido entre 2017 e 2018), sobrou no final a esperança de um triunfo na Catalunha depois de uma exibição que merecia melhor sorte na hora da finalização entre o mérito dos blaugrana, que se tornaram a equipa que esteve mais minutos em desvantagem numérica na história da Champions conseguindo no final sair como vencedora, segundo dados da UEFA.

“Começámos o jogo no nosso pontapé de saída com uma oportunidade aos 20 segundos do Aktürkoglu e depois terminámos com mais uma excelente oportunidade. Durante 90 minutos, há uma mão cheia de boas oportunidades onde podíamos ter feito golo, com outro resultado. O mais importante é valorizar o que fizemos perante uma grande equipa e recuperar o mais breve possível. Temos agora um jogo muito importante com o Nacional e temos de ir a Barcelona vencer para passar esta eliminatória. Foi isso que transmitimos no balneário e é com essa mentalidade que temos de seguir”, começou por dizer Bruno Lage, técnico dos encarnados, na zona de entrevistas rápidas da SportTV depois da derrota com o Barça por 1-0.

“O jogo mudou com a expulsão. Tivemos um período em que continuámos a jogar o mesmo jogo, de 11×11, a tentar explorar as costas. O Barcelona oferece espaço. Ali entre os 25 e os 35 minutos tivemos a hipótese de comunicar com os jogadores. Eles foram aos espaços que tínhamos de encontrar. Precisávamos de projetar os dois laterais. O Barcelona defende com o Lewandowski a pressionar o médio, os alas a pressionar os centrais. Queríamos os laterais mais longe da pressão para depois procurar o espaço mais à frente e acelerar em cima da linha defensiva. Com a expulsão, precisámos de projetar os laterais, conquistar o espaço à largura e depois fazer o que tínhamos previsto, criar as nossas oportunidades. Que acabaram por acontecer… Na segunda parte tivemos uma entrada muito forte, a equipa teve um posicionamento muito bom que permitiu criar imensas oportunidades…”, prosseguiu o treinador das águias, lamentando sobretudo o resultado.

“Oportunidade perdida? Isto é futebol… Tivemos a mesma situação com o Mónaco e depois a eliminatória foi discutida no segundo jogo. Aconteceu o que previa, um resultado que deixa expectativas para o jogo seguinte. Mas em função das oportunidades, do jogo que jogámos, poderíamos ter obtido outro resultado. Isso não nos tira a ambição de vencer a segunda mão e seguir em frente”, concluiu Lage na flash interview.