“Midas Man e os Quatro de Liverpool”
Paul McCartney dizia que se houvesse alguém que merecia ser considerado “o quinto Beatle”, esse alguém era Brian Epstein, que foi o manager do grupo entre 1961 e 1967 (ano em que morreu de uma overdose acidental de álcool e de barbitúricos), e o responsável pela imagem “clean” dos Beatles, pela substituição de Pete Best por Ringo Starr na bateria, e que lhes conseguiu o primeiro contrato discográfico. Epstein é personificado por Jacob Fortune-Lloyd nesta fita biográfica serviçal, sintética e arrumadinha realizada por Joe Stephenson, mas que insiste no irritante dispositivo de pôr a personagem principal a falar para os espectadores constantemente. O elenco inclui Emily Watson e Eddie Marsan nos pais de Epstein, e Jay Leno a fazer de Ed Sullivan. Os quatro Beatles, em especial John Lennon e McCartney, são muito convincentes, mas a produção da fita não teve dinheiro, ou autorização, para usar canções originais do grupo.
“Noite Sem Fim”
A realizadora belga Delphine Girard transformou numa longa-metragem a sua curta Une Soeur (2018). Uma agente da polícia recebe certa noite, na linha de socorro onde está a atender, uma chamada de uma mulher que vai num carro com um homem que a terá violado e obrigado a ir com ele. Fingindo estar a ligar à irmã. consegue dizer como é o carro e onde está, e a polícia deteta-o e prende o condutor. Mas o caso revela-se menos óbvio do que parecia. A mulher tinha dito sim ao homem e entrado no carro com ele. O homem tentou a sua sorte mas ela depois disse não, ele forçou a situação e estragou tudo. Noite Sem Fim começa como um policial e torna-se depois num drama psicológico sobre o consentimento e os seus limites, e os efeitos do ocorrido sobre a agente da polícia e os dois participantes, em que a realizadora tenta não tomar partido, pese embora no final do filme não resista ao didatismo “feminista”.
“Mickey 17”
Esta fita de ficção científica do sul-coreano Boong Joon Ho passa-se numa Terra cada vez menos habitável, e onde a colonização de outros planetas é uma alternativa à vida aqui. Neste futuro foi inventada uma tecnologia que permite a duplicação de um ser humano após a sua morte.Problemas éticos e morais impediram que fosse usada na Terra, o que já não acontece no espaço. Robert Pattinson é Mickey, um pobre diabo que, para fugir de um agiota sádico a quem deve dinheiro, se juntou a uma missão de colonização de um distante planeta gelado. Mas não leu bem o contrato e inscreveu-se no programa dos Descartáveis, as réplicas da pessoa original. Ou seja, concordou em morrer e ter o corpo digitalizado e as memórias arquivadas, para serem reproduzido quantas vezes forem precisas, cada vez que uma das cópias perecer. Mickey 17 foi escolhido como filme da semana pelo Observador e pode ler a crítica aqui.