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Prestes a ser julgado por violência sexual e investigado por fraude fiscal, Gérard Depardieu prepara novo filme em Portugal

Este artigo tem mais de 1 ano

Francês está em Lisboa a preparar novo filme de Fanny Ardant, com produção e atores portugueses. Julgamento por agressões sexuais começa a 24 de março. Justiça francesa investiga o ator por fraude.

epa09032154 (FILE) - French actor and cast member Gerard Depardieu attends a press conference on the movie 'Le divan de Staline' at the Lisbon and Estoril Film Festival, in Lisbon, Portugal, 13 November 2016  (reissued 23 February 2021). French media citing judicial sources report on 23 February 2021 that Depardieu has been charged with rape. The French actor had already been accused of rape and sexual assault in 2018.  EPA/ANTONIO PEDRO SANTOS *** Local Caption *** 54589330
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▲O ator em 2016, em Lisboa, na conferência de imprensa do filme "O Divã de Estaline", Fanny Ardant, durante o Lisboa e Estoril Film Festival

ANTONIO PEDRO SANTOS/EPA

▲O ator em 2016, em Lisboa, na conferência de imprensa do filme "O Divã de Estaline", Fanny Ardant, durante o Lisboa e Estoril Film Festival

ANTONIO PEDRO SANTOS/EPA

A pouco mais de uma semana de ir a julgamento responder por alegadas agressões sexuais, Gérard Depardieu está em Portugal a preparar o novo filme de Fanny Ardant, Ela Olhava Sem Nada Ver, com produção portuguesa. Uma fotografia partilhada esta segunda-feira nas redes sociais da produtora do filme, a Ana Pinhão Moura Produções, mostra o ator durante uma leitura de guião da nova longa-metragem da atriz e realizadora francesa Fanny Ardant. O filme, que vai receber 700 mil euros de apoio do Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA) e conta com o apoio da RTP, deverá ser rodado em abril e maio, nos Açores, refere a página da produtora.

Na imagem publicada no Instagram, o ator surge à mesa do hotel Tivoli Avenida da Liberdade, em Lisboa, ao lado das atrizes Ana Padrão, Yulia Gancheva, Victória Guerra e Anabela Moreira, que constam no elenco do filme, do qual também fazem parte os atores Paulo Pires, Ricardo Pereira, Miguel Monteiro e Marcello Urgeghe. O ator Nuno Lopes — que também tem um processo a correr na justiça por uma queixa de violação — chegou a estar vinculado ao projeto, como é visível numa publicação na página da produtora em agosto do ano passado. No entanto, já não consta na listagem do elenco, nem no IMDB nem no site da produtora. Contactado pelo Observador, a assessoria do ator diz que o afastamento do filme foi ditado por “falta de agenda”.

Ator vai a julgamento por violência sexual no final do mês

Gérard Depardieu, ícone do cinema francês e internacional, vai a julgamento por violência sexual no final deste mês. Uma primeira sessão do caso chegou a ter início em outubro num tribunal em Paris, mas a defesa do ator de 75 anos pediu o deferimento do julgamento por seis meses alegando motivos de saúde, tendo obtido a concordância do presidente do coletivo de juízes, reportou na época a agência Associated Press. O advogado do ator justificou a ausência do cliente por “problemas cardíacos” e “problemas relacionados com diabetes”, agravados pelo stress do processo judicial, que levaram os médicos de Depardieu a declarar que este não tinha condições de comparecer em tribunal. A justiça francesa ordenou uma avaliação médica independente ao ator no início de março para decidir se este tem condições para comparecer em tribunal, da qual não se conhecem resultados. O julgamento está marcado para 24 e 25 de março.

O caso pelo qual o ator responderá refere-se a duas mulheres não identificadas que o acusam de agressões que terão acontecido na rodagem do filme Persianas Verdes (2022), de Jean Becker. Uma das mulheres apresentou queixa por agressão sexual e assédio sexual, garantindo que há testemunhas do ocorrido. A outra alegada vítima denunciou alegados atos de agressão sexual por parte do ator. A defesa de Depardieu diz que o ator mantém a sua inocência e que “nunca abusou de uma mulher” na vida.

O ator aguarda também para ir a julgamento pela alegada violação da atriz Charlotte Arnould. Esse caso remonta a 2018, quando a atriz, à época com 22 anos, acusou Depardieu de a ter violado em duas ocasiões. Arnould apresentou queixa numa esquadra da polícia e a investigação foi arquivada em junho de 2019, com o argumento de que não havia indícios suficientes. Em março de 2020, Arnould voltou a apresentar queixa no Ministério Público sobre os mesmos factos e a procuradoria decidiu reabrir o caso. No verão passado, o Ministério Público de Paris pediu que o ator fosse levado a julgamento, mas o caso ainda não teve desfecho nos tribunais.

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Gérard Depardieu, que se estreou em 1974 num filme de Bertrand Blier e recebeu o seu primeiro César de Melhor Ator por um filme de François Truffaut em 1980, tem sido insistentemente visado por queixas de assédio e abuso sexual, com várias mulheres a vir a público denunciar a sua conduta: entre elas a jornalista espanhola Ruth Baza, que apresentou queixa por uma violação que terá ocorrido em 1995, ou a atriz Hélène Darras, que o acusou de assédio sexual e relatou vários apalpões nas filmagens de Disco (2007). A queixa de Darras foi considerada improcedente porque os alegados crimes a que diz respeito, ocorridos em 2007, já prescreveram. Em 2023, treze mulheres, todas elas profissionais de cinema, também acusaram o ator de assédio sexual e violência sexual no local de trabalho. A investigação do site francês Mediapart identificava até um alegado “modus operandi” do ator. O ator, por seu lado, tem negado todas as acusações.

O “caso Depardieu” tem abalado França desde que o movimento #MeToo começou a ganhar forma. Em 2023, uma carta aberta publicada no jornal Le Figaro criticava o “linchamento” do ator, um dos rostos mais populares do cinema francês, com profissionais do meio cultural como Charlotte Rampling ou o produtor português Paulo Branco a defenderem o ator francês e vendo na atual onda de acusações “a morte da arte”. O próprio Presidente francês, Emmanuel Macron, também defendeu Depardieu, dizendo que este está a ser alvo de “uma caça ao homem”.

No mês passado, Gérard Depardieu voltou a estar no radar da justiça, com o Mediapart a avançar que o ator está a ser investigado por suspeitas de fraude fiscal agravada e branqueamento de capitais. Citado pelo mesmo meio, o advogado de Depardieu nega as acusações e garante que o ator agiu conforme a lei. O ator é suspeito de ter declarado falsamente a sua residência fiscal na Bélgica desde 2013.

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