A garantia pública no crédito à habitação dos jovens está a ser “um sucesso”, diz o ministro das Finanças Joaquim Miranda Sarmento, aproveitando a participação num evento do setor bancário para enumerar as medidas que o seu Governo pôde aplicar desde que tomou posse. Neste discurso, feito antes da “iminente e provável dissolução do parlamento”, Miranda Sarmento reiterou que mesmo com o impacto da “incerteza relacionada com a crise política”, a economia poderá crescer 2,5% este ano.

As declarações foram feitas num evento organizado pelo Jornal Económico, o Fórum Banca, em Lisboa. A garantia pública no acesso ao crédito dos jovens, a par da eliminação do pagamento do IMT e do Imposto de Selo na compra de casa pelas pessoas com menos de 36 anos, foi destacada pelo ministro como uma medida que “está a ser um sucesso”. “Temos 18 instituições, milhares de pedidos e estamos a mudar a vida de dezenas de milhares de jovens”, afirmou Miranda Sarmento, acrescentando que “foi fundamental a contribuição e o interesse que as instituições bancárias estão a ter e a ajuda que nos deram para modelar a medida”.

Miranda Sarmento, que vai ser ouvido sobre o tema nesta manhã na Assembleia da República, também destacou a importância do acordo para o fecho do mecanismo de capital contingente ao abrigo do qual foi feita a recapitalização do Novo Banco. O ministro repetiu que o Estado deverá receber, graças a esse acordo, cerca de 300 milhões de euros em dividendos neste ano e “entre 200 e 250 milhões” de euros anualmente, se o Estado mantiver a sua participação no banco (através do Fundo de Resolução e da Direção-Geral do Tesouro e Finanças).

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Miranda Sarmento critica “entropias” do governo anterior na gestão financeira do Estado

Perante a possibilidade de deixar em breve de ser ministro das Finanças, conforme o resultado das prováveis eleições antecipadas, Joaquim Miranda Sarmento lançou, também, algumas “farpas” ao governo socialista que o antecedeu, por ter deixado uma gestão financeira do Estado cheia de “entropias” e “ineficiências”.

“Pouco depois de tomar posse tive uma reunião com um colega que lidera um grande ministério e que me disse que tinha um importante estudo para se fazer mas que estava há meses à espera de uma assinatura tua [do ministro das Finanças]”, recorda Miranda Sarmento. E o que era esse papel que precisava de assinatura? “Era uma autorização para uma despesa de 300 euros com um seguro”, recordou Miranda Sarmento, considerando que uma das principais reformas que será necessário fazer nos próximos anos será uma reforma da gestão financeira do Estado.

“Nos próximos anos há muitas reformas a fazer, reformar a gestão pública e trazê-la dos anos 80 para o século XXI”, afirmou Miranda Sarmento.