Cinco meses pela frente e 92 testemunhas para ouvir. O julgamento pela morte de Diego Armando Maradona começou esta terça-feira, mas o caminho para apurar as circunstâncias em que a sua morte ocorreu, num cenário em que recebia tratamento médico domiciliário em 2020, avizinha-se longo.

Na audiência inicial, que decorreu em Buenos Aires, na Argentina, o Ministério Público, encarregue da acusação a sete profissionais de saúde pelo alegado crime de homicídio simples com dolo eventual, definiu com clareza a linha de ataque — assegurou que o antigo jogador de futebol foi “abandonado” e que existia um “plano para assassiná-lo”.

Durante a primeira sessão do julgamento, o procurador Patricio Ferrari mostrou uma imagem inédita do atleta argentino, alegadamente captada no dia 25 de novembro de 2020 — dia da morte de Maradona — e disse: “Maradona morreu assim.” Nela vê-se o homem, que na altura tinha 60 anos, acamado, entubado e com o corpo inchado.

O procurador deixou por esclarecer se o ex-jogador estava ainda vivo, ou já tinha morrido, no momento em que a fotografia foi tirada, como destaca o La Vanguardia. Mas garantiu que esta imagem é uma de várias provas de que Maradona foi “deixado à sua própria sorte” numa casa em que supostamente estava a receber cuidados médicos particulares.

“Eles assumiram voluntariamente esse papel durante o confinamento domiciliar, deixando de cumprir todas as suas obrigações”, defendeu Ferrari em relação aos acusados.

Tribunal confirma que oito profissionais de saúde vão a julgamento pela morte de Maradona

Sentados no banco dos réus estiveram, e vão estar nas próximas semanas, o neurocirurgião Leopoldo Luque, de 43 anos, um dos médicos de família que terá insistido no atendimento ao domicílio, ignorando a necessidade de hospitalização do ex-jogador e a psiquiatra Agustina Cosachov, de 40 anos, que não terá administrado a medicação corretamente, bem como ignorado os efeitos colaterais. Além disso, terá falsificado um atestado de visita a Maradona, que nunca aconteceu. Estes são os dois acusados sobre os quais recai um maior nível de responsabilidade.

[Terapia de Casal é o podcast que pode acabar com o casamento do Guilherme Fonseca e da Rita da Nova. Ouça aqui o novo episódio, que também está disponível na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music.]

Envolvidos no caso estão também o enfermeiro Ricardo Almirón e seu chefe Mariano Perroni, o médico clínico Pedro Pablo Di Spagna, a médica coordenadora de gestão de cuidados domiciliários, Nancy Edith Forlini, e o psicólogo Carlos Díaz. O julgamento servirá também para apurar qual o grau de responsabilidade e dolo de cada um dos profissionais na deterioração do estado de saúde de Maradona.

O advogado a representar as filhas de Maradona, Fernando Burlando, defendeu que a lenda do futebol argentino “foi assassinada” num “plano desumano com resultados eficazes”. Disse não ter dúvidas de que a vida de Maradona teria sido poupada através do tratamento médico “em qualquer hospital pobre”.

Burlando afirmou ainda que a hospitalização domiciliária foi para “enganar a família” de Maradona e definitivamente “sem o consentimento expresso do paciente, que em nenhum momento manifestou seu desejo de não ser tratado num centro médico”.