A magia que Diego Armando Maradona levou para o campo de futebol tornou-o um deus para os argentinos, que o amavam como um dos maiores símbolos da Argentina. Agora, essa dádiva volta à casa que o viu nascer e crescer, no bairro de Fiorito, em Buenos Aires. É lá, no n.º 523 da Rua Amazor, transformado em refeitório comunitário, que muitas pessoas carenciadas encontram agora o que comer e vestir.

Uma dessas pessoas é Diego Gavilan, de Fioritoo, cujo trabalho é apanhar cartão e sucata. É assim que tenta ganhar algum dinheiro, mas o próprio diz à AFP que não consegue “pagar as contas ao fim do mês” para sustentar a família. Desde 2023 que frequenta refeitórios comunitários, depois de serem impostas medidas a favor do mercado livre pelo governo do Presidente Milei. O aumento das importações e a queda abrupta de consumo fizeram com que mais de 20 mil empresas argentinas fechassem portas e deixassem muitos argentinos desempregados.

Gavilan é um dos 50 mil moradores do bairro onde Diego Maradona nasceu e cresceu. “Um bairro privado”, disse ironicamente, uma vez, Maradona numa entrevista ao EL País: “Privado de água, luz e telefone”. Até aos dias de hoje, o cenário de vulnerabilidade não mudou e, por isso, fazem-se filas à porta da casa de infância de El Pibe. As pessoas trazem consigo marmita, para enchê-las com ensopado de frango ou com o que houver disponível no quintal onde está um caldeirão que alimenta a fila.

“Aqui tens de procurar por refeitórios comunitários durante o dia inteiro. O apanhadores de cartão já não apanham cartão. Os varredores de rua já não varrem. As pessoas aqui passam fome a toda a hora“, diz, à AFP, Maria Torres, cozinheira no refeitório comunitário. Que não tem dúvidas que aquele que foi para muitos o melhor futebolista de sempre ficaria feliz por saber que a sua casa é ponto de ajuda para quem mais precisa.

A casa onde muitos recebem roupas e comida não é a única impressa com murais de homenagem a Diego Armando Maradona. Um pouco por todo o bairro, a cara de Maradona aparece em muros, paredes e fachadas, com retratos de momentos importantes da sua carreira.  “Ele passou muita fome aqui quando era criança. Para as pessoas do bairro, receber um prato de comida é algo especial”, reforça Gavilan.

“Diego disse que sua mãe fingia que estava com dor de barriga para que ele pudesse comer”, relembra, por seu turno, Leonardo Torres, padre e diretor da organização responsável pelo refeitório comunitário. “Queremos que muitas ‘Totas’ [mães] e muitos ‘Diegos’ saiam daqui de barriga cheia”, afirma.

Em 2021, a casa de infância de Diego Maradona foi declarada como lugar histórico nacional. O Governo argentino reconheceu, na mesma altura, que “o local de nascimento de Diego Armando Maradona representou para ele, ao longo da sua vida, a sua lealdade às suas origens”.

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