Antes da paragem para os compromissos internacionais, a liderança da Primeira Liga voltava a estar em jogo. O Sporting tratou de abrir, em casa, as hostilidades, numa altura que apresentava a melhor série de resultados desde que Rui Borges assumiu o comando técnico, com três vitórias consecutivas. As semanas limpas, sem jogos e com tempo para recuperar a equipa e dar maior enfoque ao treino, parecia estar a surtir efeito e, a par disso, a recuperação de algumas peças importantes, com Morten Hjulmand e Viktor Gyökeres à cabeça, também se estava a projetar no rendimento coletivo. A chama verde e branca estava, de novo, relançada e, este sábado, o vulcão de Alvalade prometia voltar a explodir.

O passeio do leão na terra dos aviários veio com um frango e uma exibição de encher a barriga (a crónica do Casa Pia-Sporting)

“Não olho para ciclos. É importante ir para a pausa com mais uma vitória, dar continuidade a esta fase de crescimento ao nível físico e de confiança. Ganhámos três jogos, mas vamos ter um encontro difícil, com um bom coletivo. É uma equipa que nos tem habitado a bons jogadores individualmente e nesta fase não foge a isso. Nos últimos sete jogos sofreu apenas dois golos e tem uma derrota. Isso mostra a qualidade que vamos encontrar. Tem jogadores com qualidade no último terço, bons no meio campo, uma boa linha defensiva… é uma boa equipa e temos de estar pré-avisados, sem fugir ao nosso foco e ao nosso rigor. Temos de olhar para o que somos e dar continuidade a isso, para acabar esta fase com uma mais uma vitória porque os campeões não podem estar felizes por ganhar três jogos seguidos, têm de ganhar sempre o próximo”, afirmou Rui Borges na conferência de imprensa de antevisão à partida, abordando, depois, a paragem para as seleções.

Ficha de jogo

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Sporting-Famalicão, 3-1

26.ª jornada da Primeira Liga

Estádio José Alvalade, em Lisboa

Árbitro: Miguel Nogueira (AF Lisboa)

Sporting: Rui Silva; Zeno Debast, Ousmane Diomande, Matheus Reis; Iván Fresneda (Geny Catamo, 60’), Hidemasa Morita (Eduardo Quaresma, 73’), Morten Hjulmand (Eduardo Felicíssimo, 90+2’), Maxi Araújo; Francisco Trincão (Conrad Harder, 90+2’), Viktor Gyökeres e Geovany Quenda (Ricardo Esgaio, 90+2’)

Suplentes não utilizados: Franco Israel; Biel Teixeira, José Silva e Henrique Arreiol

Treinador: Rui Borges

Famalicão: Lazar Carevic; Rodrigo Pinheiro, Enea Mihaj, Justin de Haas, Rafa Soares; Mirko Topic, Tom van de Looi; Sorriso (Gil Dias, 87’), Gustavo Sá (Simon Elisor, 85’), Óscar Aranda (Rochinha, 75’); Václav Sejk

Suplentes não utilizados: Ivan Zlobin; Lucas Calegari, Léo Realpe, Pedro Bondo, Mathias de Amorim, e Samuel Lobato

Treinador: Hugo Oliveira

Golos: Fresneda (1’), Aranda (g.p., 35’), Gyökeres (g.p., 64’) e Geny (88’)

Ação disciplinar: cartão amarelo a De Haas (10’), Diomande (32’), Hjulmand (38’), Debast (60’) e Trincão (90’), vermelho a Maxi Araújo (80’)

“É uma paragem ingrata para quem trabalha com jogadores de seleção e acaba por ser para mim, porque vamos ter mais de meia equipa nas seleções, com os jogadores da equipa B também. Não conseguimos ganhar grande tempo em termos de trabalho, nem ganhar comportamentos, porque não vamos ter muita gente para o fazer, mas faz parte do que é trabalhar no Sporting. No que diz respeito ao descanso, sim, será benéfico. Mas é seguir o caminho, há que olhar para as coisas positivas e ver chegar mais gente que estava indisponível. Está o Morita, o Eduardo Quaresma e o St. Juste possivelmente voltará nesta paragem… tudo isso é positivo, são jogadores importante para termos o grupo mais completo”, partilhou, antes de referir, em jeito de brincadeira, que vai a Fátima para não haver mais lesões.

Pela frente os leões encontraram um Famalicão em crescimento e que, com Hugo Oliveira, tem evoluído paulatinamente, estabilizando no nono lugar da Primeira Liga e com aspirações a lutar pelos lugares mais acima. “Esperamos muitas dificuldades, num jogo extremamente difícil, perante o campeão nacional, que joga sempre para ganhar. Sabem que esta Primeira Liga será decidida ponto a ponto, jogo a jogo e não pode, facilitar. Esperamos um jogo difícil. As equipas sólidas são as que sabem por que perdem e rapidamente voltam ao seu perfil. [O Famalicão] é um clube que sabe para onde quer ir, tem uma equipa técnica que está ligada ao projeto e os jogadores acreditam. Vamos a Alvalade para fazer o nosso jogo e para lutar pelos pontos”, afirmou o treinador.

Com lotação esgotada no Estádio José Alvalade, Rui Borges promoveu duas novidades no onze inicial do Sporting, uma delas forçada, por conta da suspensão de Gonçalo Inácio, que chegou aos cinco amarelos em Rio Maior. A acompanhar o internacional português esteve Ricardo Esgaio, que também saiu da equipa. Para o onze saltaram Maxi Araújo e Hidemasa Morita, que voltou a jogar ao lado de Morten Hjulmand e “obrigou” Zeno Debast a voltar ao centro da defesa, acompanhando Ousmane Diomande e Matheus Reis. No Famalicão, Hugo Oliveira mexeu apenas no meio-campo, com Mirko Topic a substituir Mathias de Amorim no duplo pivô defensivo.

Os leões acabaram por ter um início de sonho e, com 60 segundos de jogo, inaugurou o marcador. Viktor Gyökeres recebeu em velocidade junto à linha de meio-campo, arrancou pela esquerda, ultrapassou Enea Mihaj com um grande movimento e, já dentro da área, cruzou para Francisco Trincão. O internacional português atrapalhou-se na finalização e acabou por assistir Iván Fresneda que, vindo de trás, desferiu um remate certeiro para o fundo da baliza (1′). A partir daí, o Sporting continuou por cima e a conseguir controlar um Famalicão inofensivo e, com um livre frontal, o avançado sueco quase dilatou a vantagem, com a bola a sair rente à trave (12′).

Na primeira incursão ofensiva dos famalicenses, Sorriso atirou para defesa de Rui Silva (17′). A equipa de Hugo Oliveira começou a crescer e a mostrar-se destemida com o passar dos minutos e, na sequência de um cruzamento de Rodrigo Pinheiro que Debast cortou para a entrada da área, Rafa Soares apareceu a finalizar de primeira e sem deixar a bola cair, mas o remate saiu ao lado (22′). Os leões continuaram a tentar baixar o ritmo do jogo e os famalicenses mantiveram-se mais perto de marcar e, depois de um cruzamento da esquerda, Gustavo Sá entrou de rompante, cabeceou de cima para baixo, mas o guarda-redes voltou a defender (29′). Na resposta, Fresneda respondeu da mesma moeda, para as mãos de Lazar Carevic (31′).

Pouco depois, Pinheiro apareceu sozinho na direita e cruzou para a área, Václav Sejk cabeceou por cima mas, aquando do gesto do remate, foi atingido na cabeça pelo braço de Diomande e o árbitro Miguel Nogueira assinalou penálti (32′). Na cobrança, Óscar Aranda fez a paradinha, enganou Rui Silva ao atirar para direita e restabeleceu a igualdade (35′). Até ao intervalo, o Sporting voltou a meter o pé no acelerador e teve três ocasiões para faturar. Na primeira, Geovany Quenda desferiu um cruzamento traiçoeiro da direita, ninguém desviou e Lazar Carevic defendeu com reflexos (40′). Depois, Maxi Araújo entrou em cena e, num primeiro momento, rematou ao lado com tudo para fazer melhor (45′). Na última ocasião do primeiro tempo, o uruguaio apareceu na pequena área a dar seguimento a um cruzamento de Gyökeres mas, quando se preparava para marcar, Sorriso cortou para fora (45+4′).

Na etapa complementar, a turma de Alvalade até teve uma entrada mais afirmativa, mas a primeira ocasião de perigo pertenceu aos famalicenses, com Rodrigo Pinheiro a servir Gustavo Sá dentro da área, mas o médio acabou por acertar mal na bola e o lance perdeu-se (52′). Na resposta, Quenda desferiu um remate cruzado ligeiramente ao lado (53′). Pouco depois, o jovem português voltou a tentar, com um remate forte de fora da área, mas Carevic negou o golo com uma grande defesa, em contrapé, para o poste (55′). Com o empate a persistir, Rui Borges mexeu pela primeira vez no fecho do primeiro quarto de hora, lançando Geny Catamo para o lugar de Iván Fresneda. A alteração teve efeitos imediatos e, no primeiro ataque, Gyökeres atirou para defesa de Carevic e, na sequência do lance, Gustavo Sá cometeu penálti sobre Maxi Araújo. Na conversão, o avançado sueco não desperdiçou e fez o 2-1 com um remate forte (64′).

A partir daí, os leões voltaram a baixar o ritmo da partida, fecharam o espaço e controlaram o resultado, mas nem por isso deixaram de criar perigo. Na sequência de um canto, Maxi Araújo apareceu sozinho a romper a defesa, mas Carevic voltou a defender. Na recarga, Morita tentou o chapéu, mas Mihaj cortou em cima da linha de baliza (65′). Já com Eduardo Quaresma no lugar do médio japonês e Rochinha de regresso a Alvalade, o ala uruguaio foi expulso depois de cometer uma entrada muito dura sobre Sá (80′). O Famalicão aproveitou para se instalar no meio-campo ofensivo, Sorriso desferiu um remate traiçoeiro de longe, mas Rui Silva esticou-se para evitar o golo (86′). Na resposta, Trincão deixou para a entrada de Gyökeres que, depois de ganhar no um contra um, cruzou para o segundo poste, onde Geny apareceu a encostar para o 3-1 (88′). Com o resultado sentenciado, o Sporting abriu, à condição, uma vantagem de seis pontos face ao rival Benfica.