As contas da liderança voltaram a passar por Rio Maior. A cidade que, curiosamente, não tem nenhuma equipa nas divisões nacionais, voltou a ser parcialmente importante para as contas desta Primeira Liga. Aconteceu no final do janeiro, no início da segunda volta. Voltou a acontecer este domingo, a dez jornadas do fim do Campeonato. Se o rival Benfica marcou passo em “casa” — emprestada — do Casa Pia e deixou o Sporting, na altura, com seis pontos de vantagem na liderança, a situação inverteu-se, mas os leões tinham apenas um objetivo em mente: ganhar e voltar à liderança isolada, ainda que à condição.
Na última semana, os leões conquistaram a segunda vitória consecutiva, algo que aconteceu pela primeira vez desde que Ruben Amorim deixou o clube e rumou ao Manchester United. Para além disso, Rui Borges teve a semana completa para descansar e treinar a equipa, algo que aconteceu apenas pela segunda vez em 2025. O único ponto negativo era a longa lista de lesões, que continuava a ser composta por Eduardo Quaresma, Pedro Gonçalves, Nuno Santos, Daniel Bragança, Jeremiah St. Juste, João Simões e Alexandre Brito.
Ficha de jogo
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Casa Pia-Sporting, 1-3
25.ª jornada da Primeira Liga
Estádio Municipal de Rio Maior
Árbitro: Hélder Malheiro (AF Lisboa)
Casa Pia: Patrick Sequeira; João Goulart, José Fonte (Ruben Kluivert, 86’), Duplexe Tchamba; Gaizka Larrazabal (Henrique Pereira, 86’), Pablo Roberto (Iyad Mohamed, 86’), Rafael Brito, Leonardo Lelo; Jérémy Livolant, Cauê Dos Santos (Max Svensson, 78’) e Miguel Sousa (Korede Osundina, 78’)
Suplentes não utilizados: Daniel Azevedo; Fahem Benaïssa, André Geraldes e Andrian Kraev
Treinador: João Pereira
Sporting: Rui Silva; Ricardo Esgaio (Eduardo Felicíssimo, 88’), Ousmane Diomande, Gonçalo Inácio; Iván Fresneda, Zeno Debast, Morten Hjulmand (Hidemasa Morita, 64’), Matheus Reis (Maxi Araújo, 78’); Francisco Trincão (Conrad Harder, 88’), Viktor Gyökeres e Geovany Quenda (Geny Catamo, 64’)
Suplentes não utilizados: Diego Callai; Biel Teixeira, José Silva e Henrique Arreiol
Treinador: Rui Borges
Golos: Inácio (12’), Gyökeres (34’ e 77’, g.p.) e Esgaio (ag., 45’)
Ação disciplinar: cartão amarelo a Inácio (6’), Pablo Roberto (28’), Tchamba (48’), Hjulmand (56’), Diomande (62’), Rafael Brito (90+1’) e Svensson (90+3’)
“É notório que a equipa se sente melhor e vai ser cada vez melhor. O Casa Pia tem feito um grande Campeonato. É uma equipa coesa, compacta, que, apesar de ter perdido alguns jogadores, em janeiro, mantém uma equipa veloz no ataque à baliza adversária, com um bloco, na maioria das vezes, médio-baixo. Em nossa casa, veio com uma linha de seis. Acredito que não se apresentará dessa forma, até porque está super confiante e tranquilo. Vai manter as dinâmicas habituais. Está muito confiante e vai causar-nos problemas. Não perde desde agosto em casa. Juntando-se a isto o tempo… veremos como estará o relvado. Dentro das dificuldades, temos de ser capazes de ser melhores e vencer”, partilhou Rui Borges na antevisão ao encontro.
Como referiu o timoneiro verde e branco, o Sporting tinha pela frente um Casa Pia que não perdia em casa desde agosto, na ocasião frente ao Santa Clara (0-2), e vinha de três vitórias consecutivas, série que começou frente ao Benfica. “Temos de entrar sempre da mesma forma. Mesmo não tendo as mesmas armas desses adversários, por questões orçamentais ou infraestruturais, esta equipa tem uma alma muito grande e vai ter de a mostrar em campo. Por mais lesões que tenha, o Sporting terá sempre soluções nas suas equipas B e sub-23. Seja com que jogadores se apresente, fazemos a análise individual e os jogadores estarão preparadíssimos para o embate. O Sporting vem na máxima força e teremos de estar ao nosso melhor nível”, assumiu João Pereira.
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— casapiaac (@casapiaac) March 9, 2025
Rui Borges contou com uma grande novidade no onze inicial, já que Morten Hjulmand regressou de lesão e juntou-se a Zeno Debast no meio-campo. Hidemasa Morita também está recuperado, mas sentou-se no banco de suplentes, assim como Eduardo Felicíssimo, que tinha sido titular na última partida. Já João Pereira operou três alterações na equipa casapiana, com Rafael Brito, Miguel Sousa e Cauê dos Santos a renderem Andrian Kraev, Henrique Pereira e Max Svensson. O Sporting entrou dominador na partida e começou por criar perigo através de uma arrancada de Viktor Gyökeres, que cruzou para um remate de primeira de Francisco Trincão contra Duplexe Tchamba (9′). Pouco depois, Geovany Quenda cobrou um canto na esquerda à maneira curta, combinou com Debast e cruzou para a zona da pequena área, onde Gonçalo Inácio apareceu a cabecear de cima para baixo para o golo (12′).
Os leões acabaram por baixar o ritmo e o jogo entrou numa toada mais equilibrada, mas continuaram mais perto de marcar, com Quenda a falhar depois de um grande cruzamento de Iván Fresneda (15′). Ao contrário do que se perspetivava, o Sporting continuou a passear em Rio Maior e, na sequência de um grande passe de Debast para a esquerda, Gyökeres fez o resto. O avançado sueco recebeu junto à linha lateral e, numa jogada ao seu estilo, deambulou para o meio, fazendo o remate rasteiro já dentro da área. Patrick Sequeira atirou-se para parar o remate, mas a bola acabou por passar por debaixo dos seus braços, num lance em que ficou bastante mal na fotografia (34′). Em cima do intervalo, os gansos tiveram a única oportunidade no primeiro tempo, Gaizka Larrazabal cruzou para o segundo poste, Ricardo Esgaio abordou mal o lance e, na disputa com Miguel Sousa, acabou por desviar para dentro da sua baliza (45′). Sem fazer muito, o Casa Pia relançou a partida para a segunda metade.
A etapa complementar abriu na mesma toada e, depois de novo cruzamento do lateral espanhol, Esgaio quase fez novo autogolo, ao tentar cortar pela linha de fundo (46′). Pouco depois, os gansos beneficiaram de um livre na esquerda, a bola viajou até à área, a defesa falhou e José Fonte apareceu a desferir um remate cruzado, mas Rui Silva parou a bola com uma grande defesa com a mão esquerda (52′). Foi de novo através de uma bola parada que o Casa Pia criou perigo, com Rafael Brito a desferir um remate de primeira para nova defesa do internacional português (57′). Borges tentou refrescar a equipa com Morita e Geny Catamo e foi bem sucedido, com a equipa a melhor a performance no segundo e a conseguir manter a bola longe da sua baliza.
Já na parte final da partida, Tchamba tocou Trincão na canela dentro da área e, depois de ver as imagens do lance, Hélder Malheiro assinalou grande penalidade. Gyökeres assumiu a cobrança, desferiu um remate forte e colocado para a direita de Patrick Sequeira, que foi para o lado oposto, e fez o golo da tranquilidade (77′). Pouco depois, o sueco ficou muito perto do hat-trick, num lance em que ultrapassou o guarda-redes e atirou para a baliza deserta, mas Tchamba redimiu-se e cortou em cima da linha de baliza (79′). Com este triunfo, o Sporting somou a terceira vitória seguida em todas as provas e voltou a isolar-se no primeiro lugar, com três pontos de avanço face ao rival Benfica, que tem um jogo em atraso.