O salto com vara pode não ser das disciplinas mais apetecíveis para acompanhar numa competição de atletismo. Não é a mais vistosa, cada salto dura poucos segundos. Contudo, nos últimos anos, um pequeno “monstro” nascido nos EUA, mas que compete pela Suécia mudou a forma como se olhar para a disciplina e a espectacularidade à volta da mesma. Chama-se Armand Gustav Duplantis, é conhecido pelo apelido acompanhado da alcunha Mondo e, aos 25 anos, bateu o recorde do mundo 11 vezes, tornando-se ainda bicampeão olímpico e do mundo, outdoor indoor, e vencedor da Liga Diamante em quatro ocasiões.

O impacto de Mondo Duplantis no atletismo e, em particular, no salto com vara foi de tal forma grande que, nos últimos anos, começaram a surgir estudos sobre a limitação da disciplina no que à altura diz respeito. Num desses estudos estima-se que desde 1854, ano em que se realizou a primeira competição de salto com vara, os recordes aumentaram 2,3 centímetros por ano, até aos atuais 6,27 metros que o sueco atingiu no All Star Perche, em Clermont-Ferrand, em fevereiro deste ano. Com base nas estimativas baseadas na energia alcançada durante a corrida, em que Duplantis atinge cerca de 40 km/h, e todo o processo do salto, o estudo aponta os 6,39 metros como a altura máxima que este pode alcançar e coloca a fasquia abaixo dos sete metros no que respeita ao recorde máximo da disciplina.

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Em vésperas de rumar em Nanjing, na China, para participar no Campeonato do Mundo de pista coberta, que começa na sexta-feira e termina no domingo, Duplantis falou sobre a sua mais recente experiência fora do tartan e do atletismo, o lançamento da música Bop. “Um dos meus melhores amigos é músico na Luisiana. Tenho alguns amigos aqui na Suécia que também são músicos. Vi-me num estúdio há alguns anos e foi uma experiência super divertida. Foi uma maneira de me afastar completamente do salto com vara e do atletismo e foi muito terapêutico. Tive a ideia de lançar a minha música, que é uma faixa muito divertida, no dia da competição [28 de fevereiro, quando quebrou o recorde do mundo pela 11.ª vez, ndr.] para me divertir. Estranhamento, aconteceu da forma que imaginei”, partilhou, citado pelo El País.

Numa altura em que conta com apenas uma final importante perdida – em 2019, nos Mundiais de Doha, para o amigo Sam Kendricks –, Mondo diz que “o nível competitivo está mais alto do que nunca”. “O problema é que eu salto muito, levei o salto com vara para outro nível, mas há saltadores como Sam [Kendricks] ou, especialmente, Manolo [Karalis] que, se eu não estivesse, teriam ganhado muitas medalhas e campeonatos nos últimos 10/15 anos. Elevei muito a fasquia, e isso motiva outros a tentarem alcançar-me. Alguém vai aparecer que será melhor do que eu. Isso é certo. Vai acontecer mais cedo ou mais tarde, mas eu sou muito competitivo e, enquanto estiver por aqui, vou tentar ter a certeza de que sou sempre o homem a bater”, acrescentou.

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“Penso na altura máxima que posso atingir provavelmente menos do que as pessoas. Está a ficar mais difícil progredir, obviamente, mas não penso nisso. Já estou muito perto dos 6,30 metros e gostava de ultrapassar essa altura em breve. Depois disso não vou ficar obcecado a pensar noutra altura. Não sou assim tão louco. Estou sempre a pensar em formas de melhorar e quero ser o melhor que posso ser. Sou super obcecado pelo salto com vara mas, estranhamente, também sou capaz de fazer outras coisas. Viver o momento presente. Acho que encontro um equilíbrio excecionalmente bom na vida entre o meu desporto e outras coisas que me mantêm o cérebro envolvido. Ajuda estar cercado por muitas pessoas, irmãos e irmãs que praticam desportos muito diferentes ou amigos músicos. O salto com vara não define completamente quem sou. Simplesmente amo e sou muito bom nisso, mas estou confiante de que posso viver uma vida sem o salto com vara. Será uma transição difícil, mas estou confiante de que encontrarei um novo significado na vida”, sublinhou em relação ao futuro.

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“Quando estou no ar sinto exatamente o mesmo que sentia em criança. Sinto isso de uma forma muito estranha, talvez. Realmente não sei explicar. Quando tenho a vara na mão sou completamente absorvido. Estou focado e preso ao momento e ao que quero alcançar. Honestamente, não importa se é no meu quintal, aos sete anos de idade, ou nos Jogos Olímpicos. É o mesmo tipo de sentimento. Antes, sinto-me nervoso, com frio na barriga, excitação e todos os sentimentos que todos sentem. A diferença é que tenho um bom controlo sobre as minhas emoções. O sprint é provavelmente o que trabalho mais no duro, mas o salto com vara tem tudo. Importa a corrida, a velocidade, a força, a técnica, todas as pequenas coisas que se somam, a descoberta de novas informações e diferentes maneiras de ganhar aqueles centímetros extras. É um teste tão complexo e difícil, com tantas subtilezas, que, embora seja muito difícil, também oferece infinitas possibilidades de melhoria. Há sempre pequenas maneiras de melhorar e seguir em frente”, referiu.

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Por fim, Mondo partilhou que tem como ídolos Annika Sörenstam, “a maior golfista feminina da história”, e Tiger Woods, revelando-se admirador de golfe. “O golfe é incrivelmente difícil, técnico e muito mental. Não é muito físico, o que o torna ainda mais difícil porque não há nenhuma maneira de contornar as coisas”. Quanto aos pais, que são os treinadores, o sueco revelou que falam “sobre tudo, incluindo o lado mental”, que tenta “manter o mais simples possível”. “Acho que muitas vezes é muito fácil, como atleta, deixar-se levar e esse é, geralmente, o maior problema. As pessoas que pensam demais tendem a fugir, correndo como um coelho assustado na sua toca e vendo apenas as coisas más que podem acontecer. Tento libertar a minha mente e focar apenas no que eu quero que aconteça, no que eu quero alcançar”, concluiu.