Eram cinco, podiam ser sete, passaram a três, acabaram em dois – e com o ponto comum de quererem fazer um prolongamento de todo o legado deixado por José Manuel Constantino, um dos maiores pensadores que o desporto nacional já teve e que por destino acabou por não resistir a doença prolongada enquanto decorria a cerimónia de encerramento dos Jogos Olímpicos com melhores resultados de sempre para Portugal. Já tinha sido assim em Tóquio, foi também assim em Paris. Ao contrário do que acontecera em 2012 ou 2016, o país deixou de estar condenado apenas a uma medalha por edição. Ao contrário do que se viu em 1984 ou 2004, era mesmo possível superar os três pódios numa só edição. E esta é apenas parte do que deixou.
Laurentino Dias, ex-secretário de Estado do Desporto entre 2005 e 2011 que juntou à sua lista o antigo candidato José Manuel Araújo, que exercia funções de secretário geral, e Fernando Gomes, que liderou nas últimas décadas a Liga de Clubes e a Federação Portuguesa de Futebol depois de ter sido administrador da SAD do FC Porto (onde jogou basquetebol durante vários anos), ficaram como os único dois candidatos na corrida à liderança do Comité Olímpico de Portugal, órgão reconhecido pelo governo desde 1919 mas que nas últimas três décadas teve apenas três líderes, Vicente Moura, Pedro Lynce e José Manuel Constantino, a par do atual presidente interino, Artur Lopes, que assumiu o cargo entre agosto de 2024 e este sufrágio.
Havia pontos em comum nos programas, outras ideias que criavam alguma separação (mas ainda assim sem nada que pudesse impedir no limite que ambos se juntassem numa só lista). Ao longo das últimas semanas, Laurentino Dias foi colocando o enfoque no sistema de financiamento geral do sistema desportivo e no peso da necessidade de haver conversas com o governo no sentido de repensar todo esse paradigma, ao passo que Fernando Gomes, entre a vontade de encontrar novos mecanismos de receita que permitam que o órgão não esteja tão dependente do que são os fundos estatais para a sua atividade, tentou também evitar a “colagem” ao mundo do futebol após liderar a Liga e a Federação, assumindo-se como um “homem do desporto”.
Em resumo, era isto que estaria em discussão no sufrágio desta quarta-feira, que se realizou durante duas horas no Salão Nobre da sede do Comité Olímpico com o vencedor a ser anunciado depois das 19h. Iriam exercer o direito de voto um total de 35 membros ordinários (as 34 federações olímpicas, com quatro votos cada, mais a Comissão de Atletas Olímpicos, com dois) mais 49 membros extraordinários, cada um com voto, onde se incluem não só as federações não olímpicas mas também entidades como a Fundação INATEL, o Panathlon Clube, a Sociedade Portuguesa de Medicina Desportiva, o CNID – Associação dos Jornalistas de Desporto, a Direção Geral de Educação ou a Comissão de Educação Física e Desporto Militar.
Fernando Gomes lembra proximidade com olimpismo e rejeita “futebolização” do COP
No final, a lista B liderada por Fernando Gomes acabou por levar a melhor, conseguindo um total de 57% (103 votos) contra 43% da lista A encabeçada por Laurentino Dias (78 votos). “É uma honra ter sido eleito pelo Movimento Olímpico para presidente do COP e poder continuar a servir Portugal”, salientou o novo líder nas primeiras declarações após a vitória, onde anunciou também a convocação das federações olímpicas, não olímpicas e dos atletas para a realização de uma primeira reunião magna “com a finalidade de ouvir as propostas que todos, sem exceção, gostavam de incluir ainda no programa até 2029”. A tomada de posse dos novos órgãos sociais irá decorrer na terça-feira, dia 25, às 18 horas no Centro Cultural de Belém.
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— Comité Olímpico de Portugal (COP) (@COPPORTUGAL) March 19, 2025
“A sensação da vitória é sempre uma sensação positiva. Tivemos a felicidade de saber passar a nossa mensagem, que foi ao encontro da maioria das federações desportivas. Espero que hoje seja momento de união, a partir de amanhã já não existem federações da lista A ou B, existem olímpicas e não olímpicas, do todo do COP. Somos pessoas do desporto, com funções diferentes, passados diferentes, experiências diferentes. Um ex-secretário de Estado e ex-presidente de uma federação desportiva. Creio que com a experiência que tenho uma federação desportiva, transportando-a para o conjunto das federações desportivas, estão criadas as condições para desenvolvermos o nosso trabalho”, referiu depois Fernando Gomes, candidato vencedor da lista B, em declarações aos jornalistas à margem do discurso de vitória.
Fernando Gomes, 14.º presidente da história do Comité Olímpico de Portugal ????????
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“Quando somos candidatos esperamos ganhar, vamos avaliar as circunstâncias. Cumprimento Fernando Gomes e desejo-lhe sucesso ao longo do seu mandato. O COP precisa disso, as federações e os atletas também, na defesa do seu esforço. Fiz uma campanha de peito aberto, muito simples, mas bem organizada no sentido de debater as questões, sem pressão ou menor correção. Sempre convivi muito com vitórias ou com derrotas”, comentou Laurentino Dias, candidato derrotado da lista A, depois do sufrágio.
Numa das primeiras prioridades, o novo líder do COP terá de negociar o novo contrato-programa para o novo ciclo olímpico 2024-2028 tendo em vista os Jogos de Los Angeles. Em paralelo, existem também todas as verbas do pacote anunciado pelo governo cessante num montante total de 65 milhões de euros, dos quais 50 milhões seriam para o COP. “Este pacote que foi anunciado pelo Governo não foi levado à prática, passados três meses ainda não se sabe nada de nada. Sabe-se que vai ser refeito porque parece que haveria problemas, e como tinham de ser emendadas várias coisas, vai ter de ser feito outro contrato, com o mesmo valor. Aliás, isso é algo que está registado”, assumiu nos últimos dias o líder cessante, Artur Lopes. Por fim, e em questões que são há muito abordadas sem consequências práticas, outros temas ligados à distribuição das verbas das apostas desportivas ou a um projeto nacional renovado para o desporto, da base até ao topo.
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Quem faz parte da lista B eleita nas eleições do Comité Olímpico de Portugal
- Comissão Executiva: presidente, Fernando Gomes; vice-presidente, Domingos Castro (Federação de Atletismo); vice-presidente, Ricardo Machado (Federação de Canoagem); vice-presidente, Vasco Costa (Federação de Ténis); secretária-geral, Diana Gomes (atleta olímpica); membro, Rosa Mota (atleta olímpica); membro, Catarina Rodrigues (Federação de Judo); membro, Miguel Brito Pereira (Federação de Basquetebol); membro, Pedro Miguel Farromba (Federação de Desportos de Inverno)
- Conselho Fiscal: presidente, Leandro Graça Silva; vice-presidente, Ana Paula Monteiro (revisora oficial de contas); secretário, António Pedro Vieira Nunes
- Conselho de Ética: presidente, Tiago Brandão Rodrigues; vice-presidente, Marina Frutuoso de Melo; vogal, Duarte Vieira Pestana de Vasconcelos (licenciado em Direito); vogal, Patrícia Pinto Monteiro (licenciada em Direito); vogal, José Pedro Sarmento de Rebocho Lopes
Quem poderia votar nas eleições do Comité Olímpico de Portugal
Membros ordinários (35)
- Comissão de Atletas Olímpicos
- Federação de Andebol de Portugal
- Federação de Desportos de Inverno de Portugal
- Federação de Ginástica de Portugal
- Federação de Patinagem de Portugal
- Federação de Triatlo de Portugal
- Federação Equestre Portuguesa
- Federação Portuguesa de Atletismo
- Federação Portuguesa de Badminton
- Federação Portuguesa de Basquetebol
- Federação Portuguesa de Canoagem
- Federação Portugal de Ciclismo
- Federação Portuguesa de Esgrima
- Federação Portuguesa de Futebol
- Federação Portuguesa de Golfe
- Federação Portuguesa de Hóquei
- Federação Portuguesa de Judo
- Federação Portuguesa de Lutas Amadoras
- Federação Portuguesa de Natação
- Federação Portuguesa de Pentatlo Moderno
- Federação Portuguesa de Remo
- Federação Portuguesa de Rugby
- Federação Portuguesa de Surf
- Federação Portugal Taekwondo
- Federação Portuguesa de Ténis
- Federação Portuguesa de Ténis de Mesa
- Federação Portuguesa de Tiro
- Federação Portuguesa de Tiro com Arco
- Federação Portuguesa de Tiro com Armas de Caça
- Federação Portuguesa de Vela
- Federação de Campismo e Montanhismo de Portugal
- Federação Portuguesa de Voleibol
- Federação Nacional de Squash
- Federação Portuguesa de Basesbol e Softbol
- Federação Portuguesa de Escalada de Competição
Membros Extraordinários (49)
- Federação Portuguesa de Atividades Subaquáticas
- Federação Portuguesa de Aeromodelismo
- Federação Portuguesa de Aeronáutica
- Federação Portuguesa de Aikido
- Federação dos Arqueiros e Besteiros de Portugal
- Federação Portuguesa de Artes Marciais Chinesas
- Federação Portuguesa de Automobilismo e Karting
- Federação Portuguesa de Bilhar
- Federação Portuguesa de Bridge
- Federação Portuguesa de Columbofilia
- Federação Portuguesa de Corfebol
- Federação Portuguesa de Damas
- Federação Nacional de Karaté Portugal
- Federação Portuguesa de Jogos Tradicionais
- Federação de Jujitsu e Disciplinas Associadas de Portugal
- Federação Portuguesa de Kickboxing e Muaythai
- Federação Portuguesa de Sumo
- Federação Portuguesa de Voo Livre
- Federação Portuguesa de Xadrez
- Fundação INATEL
- Liga Portuguesa de Desporto para Surdos
- Panathlon Clube de Lisboa
- Sociedade Portuguesa de Medicina Desportiva
- Special Olympics Portugal
- Associação dos Atletas Olímpicos de Portugal
- Associação Portuguesa de Direito Desportivo
- CNID, Associação dos Jornalistas de Desporto
- Comissão de Educação Física e Desporto Militar
- Treinadores de Portugal
- Confederação Portuguesa de Coletividades e Recreio
- Direção Geral de Educação
- Federação Académica do Desporto Universitário
- Federação de Motociclismo de Portugal
- Federação Portuguesa de Desporto para Pessoas com Deficiência
- Federação Portuguesa de Filatelia
- Federação Portuguesa de Motonáutica
- Federação Portuguesa de Orientação
- Federação Portuguesa de Padel
- Federação Portuguesa de Pankration Athlima
- Federação Portuguesa de Paraquedismo
- Federação Portuguesa de Pesca Desportiva
- Federação Portuguesa de Pesca Desportiva de Alto Mar
- Federação Portuguesa de Petanca
- Federação Portuguesa de Lohan Tao Kempo
- Conselho Nacional de Associações de Profissionais de Educação Física e Desporto
- Sociedade Portuguesa de Psicologia Desportiva
- Federação Portuguesa de Boxe
- Federação Portuguesa de Dança Desportiva