O ator Gérard Depardieu, de 76 anos, vai esta segunda-feira apresentar-se a um tribunal de Paris para ser julgado por um caso de agressões sexuais movido por duas mulheres.

O julgamento deveria ter decorrido a 28 de outubro de 2024, mas foi adiado para esta data após o ator não ter comparecido em tribunal alegando problemas de saúde. Os seus médicos justificaram a ausência por “problemas cardíacos” e “problemas relacionados com diabetes”, agravados pelo stress do processo judicial.

Depardieu enfrenta assim a justiça após ter estado em Portugal para preparar um novo filme de Fanny Ardant, Ela Olhava Sem Nada Ver, que conta com produção portuguesa.

Prestes a ser julgado por violência sexual e investigado por fraude fiscal, Gérard Depardieu prepara novo filme em Portugal

A ação foi movida no início do ano passado, tendo Depardieu sido intimado em abril a comparecer em tribunal por agressões sexuais alegadamente cometidas em setembro de 2021 contra as duas mulheres, durante a rodagem do filme Persianas Verdes (2022), de Jean Becker.

Uma delas, decoradora, apresentou queixa por agressão sexual, assédio sexual e comentários sexistas, garantindo haver testemunhas do ocorrido; a outra vítima, assistente de direção, denunciou também atos considerados de agressão sexual por parte do ator.

Apesar de já ter sido alvo de alegações de crimes sexuais por mais de uma dúzia de mulheres ao longo dos últimos anos, esta é a primeira vez que o ator é formalmente acusado e chamado a responder perante a justiça. O website francês Mediapart, por exemplo, publicou em 2023 uma investigação na qual constam alegações de violência sexual contra ele feitas por mais de uma dúzia de mulheres, algumas das quais remontam ao início da década de 2000.

A maioria dos casos foi arquivada por não terem sido abertos a tempo de julgar Depardieu antes dos seus supostos crimes prescreverem. No entanto, há um caso ainda pendente, relativo à queixa de violação e agressão sexual apresentada em 2018 pela atriz Charlotte Arnould. Após uma primeira queixa ter resultado no arquivamento da investigação por suposta falta de provas, Arnould recorreu ao Ministério Público francês em 2020, tendo dessa vez a procuradoria aceitado os argumentos para reabrir o caso, que ainda não teve desfecho. O MP francês, contudo, já pediu para que o caso avançasse para julgamento.

Depardieu nega todas as acusações, tendo a sua defesa afirmado que o ator “nunca abusou de uma mulher” na vida.

Além dos crimes sexuais, Depardieu encontra-se sob investigação devido a suspeitas de fraude fiscal agravada e branqueamento de capitais. Em causa está a alegação de ter declarado falsamente a sua residência fiscal na Bélgica desde 2013.