Boaventura Sousa Santos não exclui que tenham existido ilegalidades no Centro de Estudos Sociais, mas garante que não as cometeu. Em entrevista à CNN — a primeira desde o início das denúncias de assédio sexual e moral de que é alvo — o sociólogo tentou desvalorizar ou relativizar as acusações. “Tenho 84 anos. Qualquer homem da minha idade, que diga que nos anos 60 ou 70 não fez um piropo ou um galanteio a uma mulher, ou é mentiroso ou é hipócrita”, afirmou.
O professor universitário acrescentou ainda que “qualquer mulher desta idade, que também naquela época 60, 70, 80 recebeu um piropo e um galanteio e nunca gostou do piropo é mentirosa ou hipócrita.” Boaventura Sousa Santos referiu várias denunciantes pelos nomes e acusou-as de serem “privilegiadas” que “agora mais parecem vendedoras de trauma“.
O sociólogo diz que nas denúncias não há nada sólido contra ele relativo a assédio sexual e que o assédio moral passa pela exigência que tinha com os colaboradores. Mas, ainda assim, foi relativizando os atos que lhe são imputados. “Sentavam-se ao meu colo. Na documentação que lhe enviei, tem uma delas [denunciantes] a meter a mão na minha perna. Eu não me senti assediado”, atirou. O sociólogo diz ainda que o “assédio sexual, com o neoliberalismo, tornou-se numa agenda pública.”
Num ataque às denunciantes, Boaventura Sousa Santos diz que algumas delas o tratavam por “meu querido professor”. E que chegaram a dizer-lhe:”Eu amo-o”. E conclui: “Esta gente parasitou-me.” O sociológo diz que a “reputação” das denunciantes é “atacar a reputação” e atira: “Elas tornaram-se vedetas de televisão”.
Boaventura justifica ainda proximidades com o facto de ser latino. “Nos EUA não beijamos alunos. Nós latinos falamos a 50 cm. Nos EUA falam a 80 cm ou um 1 metro (…) Nós, latinos, não somos calvinistas, abraçamo-nos.” Diz ainda que costumava “ter sorte com as mulheres”, o que atribui a ser considerado uma “pessoa atrativa”.
O sociólogo diz que, ao contrário das denunciantes, apresentou 600 páginas de provas e que as mesmas não ficaram satisfeitas com o relatório da Comissão Independente do CES e que por isso fizeram novas denúncias numa carta.