Chegou a altura pela qual todos esperam. O momento do ano que mais ânsia causa nos adeptos. É nesta fase que se reflete o trabalho que foi desenvolvido ao longo de toda uma temporada. Pode-se dizer que esta está a ser uma Ligue 1 praticamente imaculável do PSG que, a mais de um mês da última jornada, estava a apenas um ponto de se sagrar tetracampeão francês e colecionar o 13.º Campeonato da sua história. A verdade é que, apesar de o início ter sido equilibrado, com o Monaco a conseguir fazer mais pontos do que aqueles que alcançou nas três décadas anteriores, os adversários começaram a perder o gás e os rouge et bleu aproveitaram para cavar um fosso que, antes desta 28.ª jornada, estava nos… 21 pontos. Esta era, inclusivamente, a maior diferença de pontos desde 2015/16 (24).
Para além da conquista da Liga, o PSG pode fechar com chave de ouro uma temporada de sonho, estando ainda na disputa da Taça de França e da Liga dos Campeões. Conquistar o tão ambicionado triplete é o principal objetivo da turma comandada por Luis Enrique que, a meio da semana, passou por um grande susto frente ao Dunkerque, na Taça. Os parisienses estiveram a perder por 2-0 frente ao conjunto da Ligue 2, mas acabaram por recuperar e vencer por 2-4. Nos próximos dias há que encarar outro objetivo, com o início dos quartos de final da Champions, diante do Aston Villa. Para já, o foco era o Angers.
“Repetirei o que tenho dito nas últimas semanas: somos virtualmente campeões, mas o Campeonato não acaba amanhã [sábado]. Há vários recordes a bate e isso permitir-nos-ia preparar melhor os outros jogos. Vamos tentar ser o mais competitivos possível. É claro que vamos festejar o título, com os nossos adeptos no final do jogo, se o conseguirmos amanhã. É uma grande motivação. Já somos campeões há algumas semanas, praticamente. Queremos ter um bom desempenho e bater recordes. Gonçalo Ramos? É um jogador excecional. O seu rácio de golos por minuto é excecional, que é o que se pode esperar de um jogador ao mais alto nível. Não podemos deixar de elogiar o seu nível e estou muito contente por o ter connosco”, assumiu Enrique na antevisão ao jogo do título.
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Com Senny Mayulu disponível após suspensão e Khvicha Kvaratskhelia de regresso depois de recuperar de uma doença, Luis Enrique promoveu uma rotação no onze inicial a pensar na partida a meio da semana. Ainda assim, Vitinha manteve-se no meio-campo e Gonçalo Ramos saltou para o ataque, com Nuno Mendes e João Neves a sentarem-se no banco no início da partida, assim como Ousmane Dembélé. O jogo acabou por ser praticamente de sentido único desde o primeiro minuto, com o médio português a ser um dos principais protagonistas do primeiro tempo. Contudo, só na reta final é que o PSG fez o primeiro remate à baliza e viu Ramos desperdiçar um golo praticamente certo, quando seguia isolado (32′). Assim, o intervalo chegou com o nulo no marcador, apesar de os parisienses terem terminado com… 85% de posse de bola.
Para a etapa complementar, Luis Enrique manteve o mesmo onze e, na fase inicial, Estéban Lepaul fugiu a Willian Pacho e inaugurou o marcador, mas estava em fora de jogo (51′). Pouco depois, Désiré Doué começou a aparecer na partida e, na sequência de um cruzamento, levou a bola à trave da baliza do Angers (54′). No ataque seguinte, Abdoulaye Bamba falhou um corte e deixou a bola para Kvaratskhelia, o georgiano desferiu um cruzamento milimétrico para o segundo poste e o jovem internacional francês finalizou de pronto para o golo (55′). O fulgor ofensivo manteve-se e, a fechar a primeira hora, Fabián Ruiz desferiu uma bomba para defesa apertada de Yahia Fofana (60′).
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Já com Bradley Barcola, Dembélé — por troca com Ramos —, Mendes e Neves em campo, o PSG relaxou e o Angers focou-se em não sofrer golos, procurando surpreender através das transições rápidas. Na reta final, Achraf Hakimi apareceu isolado, mas Fofana defendeu para canto (80′). Na resposta, Lilian Raolisoa tentou surpreender Gigi Donnarumma com um chapéu de muito longe, mas a bola saiu por cima (82′). Ainda houve tempo para Mayulu entrar, mas o resultado estava sentenciado, despoletando a festa na capital gaulesa (1-0).
Desta forma, o PSG garantiu a conquista da Ligue 1 com seis jornadas de antecedência e dilatou a vantagem no topo do palmarés do Campeonato francês. Os parisienses têm agora 13 conquistas, contra 10 do Saint-Étienne e nove do Marselha. Em termos de títulos ganhos de forma consecutiva, a equipa de Luis Enrique igualou o feito de Carlo Ancelotti e Laurent Blanc, entre 2013 e 2016. O recorde pertenceu ao Lyon, que venceu sete entre 2002 e 2008. Nuno Mendes é o único português que participa integralmente no tetra, seguindo-se Vitinha com três, Ramos com dois e Neves com a primeira conquista. Marquinhos chegou aos 10 Campeonatos ganhos pelo PSG, ultrapassou Marco Verratti e fez história, tornando-se no jogador com mais Ligue 1 ganhas. Com o troféu entregue, os parisienses querem agora ser o primeiro clube a terminar o Campeonato sem derrotas.
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