1243,8kWh poupados 1243,8 kWh poupados com a
i

A opção Dark Mode permite-lhe poupar até 30% de bateria.

Reduza a sua pegada ecológica.
Saiba mais

Uma volta depois, jogam tudo menos à Patrão e nem ter uma locomotiva chega (a crónica do Sporting-Sp. Braga)

Este artigo tem mais de 1 ano

Sporting tem felicidade de contar com um jogador como Gyökeres mas continua a atrair o azar nos momentos chave. Uma volta depois do TGV Amorim, comboio de Rui Borges ainda pára onde não pode (1-1).

Gyökeres marcou de livre direto, viu um golo anulado mas não impediu novo deslize comprometedor do Sporting no Campeonato
i

▲Gyökeres marcou de livre direto, viu um golo anulado mas não impediu novo deslize comprometedor do Sporting no Campeonato

PATRICIA DE MELO MOREIRA

▲Gyökeres marcou de livre direto, viu um golo anulado mas não impediu novo deslize comprometedor do Sporting no Campeonato

PATRICIA DE MELO MOREIRA

Algumas semanas depois, tudo mudou… podendo ou não voltar ao mesmo. No decorrer das últimas rondas, também com encontros adiados num calendário demasiado carregado, foi o Benfica que andou sempre atrás de um Sporting que recuperou a estabilidade nas exibições e nos resultados. Agora, de uma forma inesperada pela maneira como o clássico foi resolvido no Dragão frente ao FC Porto, os encarnados devolveram toda essa pressão extra para os leões, que tinham o seu “jogo grande” na receção ao Sp. Braga sabendo que não tinham margem de erro caso quisessem regressar ao topo da classificação em igualdade pontual com os rivais mas a vantagem no confronto direto pelo triunfo na primeira volta. Se o FC Porto-Benfica era um duelo que podia definir o título, o Sporting-Sp. Braga passava a ser (mais) um duelo para definir o caminho até ao título.

Sporting-Sp. Braga. Leões procuram sétima vitória seguida para colarem (de novo) à liderança da Liga

Sem que ninguém ligado ao clube tivesse qualquer intervenção pública, quase como se o Benfica tivesse feito a sua “parte” na corrida contra um qualquer adversário, parecia haver necessidade de serenar ânimos entre o universo verde e branco como que a dizer sem dizer que todas as contas continuavam na mesma assim fosse capaz a formação de Rui Borges de prolongar o bom momento com seis vitórias consecutivas como não se via desde os tempos de Ruben Amorim. Aliás, esta segunda-feira um jornal desportivo recuperava os números de toda a época leonina mostrando que o atual técnico, que assumiu o comando da equipa na 16.ª jornada, tinha o maior número de pontos nesse intervalo, com oito vitórias e quatro empates. Tão bom só mesmo o Sp. Braga de Carlos Carvalhal, que alcançou os mesmos 28 pontos entre a 16.ª e a 27.ª ronda.

“Vamos encontrar o melhor Sp. Braga da época. Tem sido se calhar um pouco à nossa imagem, em termos de crescendo de confiança… É uma equipa que, nos últimos dez jogos, tem oito vitórias, só duas derrotas fora com FC Porto e Rio Ave, a seguir ao Sporting é a equipa que mais pontua fora… Têm vindo a crescer em termos de forma, conseguiram recuperar jogadores importantes e nota-se diferença na confiança e qualidade. Esperamos um Sp. Braga forte, a querer ganhar e sonhar com algo mais, por mais que o seu treinador diga que está fora da corrida. Mas o Sporting também está confiante, com atitude competitiva. Acredito que será um grande jogo, com duas equipas a quererem ganhar, onde temos de ser muito competentes e competitivos. Mais do que a qualidade coletiva, a parte competitiva será muito importante nesta reta final porque todas as equipas querem os pontos”, apontara o técnico leonino, “fintando” a importância desta jornada.

“A pressão existe há muito tempo. É tentar ganhar os jogos que faltam, dependemos só de nós. É essa a nossa pressão. Pressão de ganhar e ser campeão, não poderia haver melhor. Não passámos esse discurso de estarmos preocupados com o clássico. O nosso foco total é apenas nosso jogo. Clássico decisivo? Ainda há um Benfica-Sporting, há sempre um dérbi. Na penúltima ronda, ainda por cima. É uma jornada importante, com bons jogos, e claro que toda a gente pode perder pontos mas estou focado no meu jogo. Jamais vou dizer ‘Quero que o Benfica não ganhe’. Não estejam à espera disso, por favor. Quero é ganhar, só estou focado no que posso controlar, no nosso jogo. Se formos competentes, continuamos a depender de nós”, salientara.

A forma como os adeptos receberam a equipa na chegada do autocarro a Alvalade, numa manifestação como há muito não se via antes de um encontro, revelava essa ideia de que o resultado do clássico em nada iria ter influência em relação à caminhada dos leões, algo reforçado com o anúncio de lotação esgotada que o clube anunciou durante a tarde. No entanto, faltava o resto, neste caso em campo. Claro que até mesmo em caso de derrota o Sporting continuava a depender apenas de si para ser campeão mas o percurso no Campeonato até essa penúltima jornada na Luz teria também grande influência na forma como os verde e brancos poderiam chegar a esse dérbi, sendo que a derrota do FC Porto dava mais fatores de motivação a um Sp. Braga que podia passar os dragões na luta pelo último lugar do pódio. Era um jogo que valia mais do que um jogo.

Também por isso, o Sporting estava obrigado a uma resposta afirmativa. Convincente. Inequívoca. E foi isso que aconteceu durante 25 minutos, com os leões a “atropelarem” os minhotos com um golo do inevitável Gyökeres a fazer a diferença. A seguir, a formação verde e branca mostrou aquela que é a maior diferença como equipa uma volta depois. É certo que Quenda, Trincão e Maxi Araújo tiveram oportunidades para fechar de vez a partida mas o Sporting nunca mais voltou a ser aquela equipa que marca o primeiro e vai em busca do segundo, faz o segundo e vai à procura do terceiro. Caiu em termos físicos, tem menos soluções no plano ofensivo, dá espaços a defender que antes não dava. Essa é a maior ilação a tirar numa ronda que pode ter mudado o percurso da Liga: uma volta depois, o Sporting não joga à Patrão. E perdeu a liderança.

Ficha de jogo

↓ Mostrar ↑ Esconder

Sporting-Sp. Braga, 1-1

28.ª jornada da Primeira Liga

Estádio José Alvalade, em Lisboa

Árbitro: Luís Godinho (AF Évora)

Sporting: Rui Silva; Eduardo Quaresma, Diomande, Gonçalo Inácio; Geovany Quenda, Hjulmand, Debast (Eduardo Felicíssimo, 73′), Matheus Reis (Conrad Harder, 90′); Francisco Trincão, Geny Catamo (Maxi Araújo, 73′) e Gyökeres

Suplentes não utilizados: Franco Israel, St. Juste, Iván Fresneda, Ricardo Esgaio, Arreiol e Biel

Treinador: Rui Borges

Sp. Braga: Hornicek; Victor Gómez, Paulo Oliveira (Niakaté, 46′), Bambu (João Ferreira, 72′), Chissumba; João Moutinho, Racic (Gharbi, 72′), Zalazar; Gabri Martínez (Rúben Furtado, 81′), Ricardo Horta e El Ouazzani (Afonso Patrão, 82′)

Suplentes não utilizados: Tiago Sá, Vítor Carvalho, Adrián Marín e Gorby

Treinador: Carlos Carvalhal

Golos: Gyökeres (15′) e Afonso Patrão (88′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Paulo Oliveira (14′), João Moutinho (30′ e 90+5′), Bambu (60′), Gonçalo Inácio (64′), Niakaté (65′), Hjulmand (85′) e St. Juste (90+5′); cartão vermelho por acumulação a João Moutinho (90+5′)

O encontro começou praticamente com a primeira ameaça do Sporting, neste caso com golo mas anulado: Viktor Gyökeres ganhou a profundidade descaído sobre a esquerda entre Victor Gómez e Paulo Oliveira, fez a finta para dentro e rematou mais um míssil antes de ver o árbitro assistente dar a indicação de fora de jogo que seria confirmada pelo VAR… por três centímetros (3′). Não ficou por aí: por cima dos acontecimentos e a jogar com uma confiança como há muito não se via apesar de alguns passes falhados que poderiam trazer um outro tipo de sobressaltos, a formação verde e branca não demorou a criar mais uma boa oportunidade após jogada de envolvimento na direita para mais uma “bomba” de Gyökeres para defesa de Hornicek (8′). Estava mais do que apresentado o que queria o Sporting tendo a principal referência no melhor momento de toda a época: jogar bem, circular rápido, procurar espaços e ter sempre a mira no que fazia o número 9.

[Clique nas imagens para ver os melhores momentos do Sporting-Sp. Braga em vídeo]

Se dúvidas existissem em relação a essa imagem que até pode parecer exagerada mas que não passa de um mero espelho da atual realidade, bastava atentar em pouco mais de um minuto a dobrar o quarto de hora do jogo: Francisco Trincão combinou em zona central com Gyökeres, Paulo Oliveira foi obrigado a agarrar de forma ostensiva o avançado para o primeiro amarelo do jogo, o sueco agarrou na bola como quem vai ter com os amigos para mais uma peladinha de rua, colocou-a no relvado a olhar para a forma como Hornicek estava a orientar a barreira, deu um par de passos atrás e bateu forte, rasteiro, no lado da barreira, para o 1-0 (15′). Ao contrário do que costumava acontecer, o sueco não bateu totalmente em potência no lado do guarda-redes, preferiu acrescentar uma dose de jeito e mostrou que tem muito mais recursos como jogador do que os números estratosféricos de golos revelam mesmo estando já na época mais produtiva da carreira.

Depois, sobretudo a partir dos 25 minutos, o encontro mudou de figura. Gyökeres voltou a ter mais uma boa oportunidade para marcar numa oportunidade “inventada” depois de um erro de Bambu e travada de novo por Hornicek quando Trincão e Geovany Quenda estariam em melhores condições para rematar (36′) mas o Sp. Braga foi aparecendo no jogo, teve bola no meio-campo contrário controlando sempre as saídas rápidas dos leões (quando isso não aconteceu, João Moutinho “sacrificou-se” pela equipa e viu amarelo por carrregar Geny Catamo) e fez dois remates com algum perigo de meia distância, primeiro de Racic ao lado (25′) e mais tarde de Zalazar para boa defesa de Rui Silva (42′). Nesse período da partida, faltava sempre um homem no meio-campo ao Sporting sem bola e um homem na frente ao Sp. Braga em posse – e era a partir dessas ideias que os treinadores iriam preparar um segundo tempo que continuava em aberto em Alvalade.

A única alteração acabou por ser mais por precaução do que para alterar algo no jogo, com Paulo Oliveira, que tinha amarelo, a dar lugar a Niakaté no centro da defesa. No entanto, as características do que se via em campo não eram as mesmas, com o Sporting a ter grandes dificuldades em levar bola controlada até ao seu último terço enquanto o Sp. Braga geria o controlo da partida com bola no meio-campo contrário, tendo mais um momento de perigo numa meia distância de Zalazar que saiu por cima (52′). Os leões precisavam de algo diferente para chegarem à área contrária, numa ideia que foi interpretada à letra numa longa diagonal com bola de Geny Catamo da esquerda para a direita até assistir Quenda para o remate defendido por Hornicek (57′). Estava dado o mote para haver de novo mais Sporting na partida, numa fase em que seria normal começar a aparecer mais espaços perante as necessidades de risco minhotas em busca do empate.

Faltando melhor, imperavam as bolas paradas. De livre direto, Debast arriscou o golo mas o lance acabou nas malhas laterais. Num livre lateral, Zalazar esteve perto de marcar mas já não conseguiu tocar a bola que fugiu para a frente. Começava a sentir-se outro tipo de impaciência em Alvalade, que sentia o desconforto que o Sporting tinha perante as zonas de pressão mais altas do Sp. Braga. Começavam as mexidas nas equipas, com as entradas de João Ferreira, Gharbi, Felicíssimo e Maxi Araújo à procura de algo que esteve mesmo nos pés de Trincão, que beneficiou de um erro de Niakaté em zona proibida mas não fez melhor do que rematar para as mãos de Hornicek (75′) antes de uma oportunidade flagrante de Maxi Araújo de novo evitada pelo guarda-redes dos minhotos (78′) e mais um tiro em arco de Trincão travado pelo checo (81′). O golo parecia ser algo inevitável e surgiu mesmo mas na baliza de Rui Silva: mais um lance com muita passividade sem bola do Sporting, combinação na direita do ataque entre Rúben Furtado e Victor Gómez e cruzamento do lateral espanhol para o desvio de cabeça do jovem estreante Afonso Patrão para o empate final (88′).

Ofereça este artigo a um amigo

Enquanto assinante, tem para partilhar este mês.

A enviar artigo...

Artigo oferecido com sucesso

Ainda tem para partilhar este mês.

O seu amigo vai receber, nos próximos minutos, um e-mail com uma ligação para ler este artigo gratuitamente.

O seu plano não inclui a oferta de artigos

Para poder oferecer artigos aos seus amigos, faça upgrade para um plano de subscrição superior.

Ofereça até artigos por mês ao ser assinante do Observador

Partilhe os seus artigos preferidos com os seus amigos.
Quem recebe só precisa de iniciar a sessão na conta Observador e poderá ler o artigo, mesmo que não seja assinante.

Este artigo foi-lhe oferecido pelo nosso assinante . Assine o Observador hoje, e tenha acesso ilimitado a todo o nosso conteúdo. Veja aqui as suas opções.

Atingiu o limite de artigos que pode oferecer

Já ofereceu artigos este mês.
A partir de 1 de poderá oferecer mais artigos aos seus amigos.

Aconteceu um erro

Por favor tente mais tarde.

Atenção

Para ler este artigo grátis, registe-se gratuitamente no Observador com o mesmo email com o qual recebeu esta oferta.

Caso já tenha uma conta, faça login aqui.