Um reencontro como só a Taça de Portugal sabe proporcionar. Estávamos em 1995/96 quando, pela oitava e última vez, o Tirsense esteve presente na Primeira Liga. Foi essa a última ocasião que o emblema de Santo Tirso teve a oportunidade de defrontar o Benfica. Depois, seguiu-se um rápido período de queda livre, até aos escalões inferiores do futebol português, por onde permanece e fez história. É a primeira vez que uma equipa do Campeonato de Portugal chega às meias-finais da prova e a festa só não é ainda mais bonita porque a equipa orientada por Emanuel Simões foi “obrigada” a deslocar-se para Barcelos por falta de condições do mítico Abel Alves de Figueiredo, palco da última receção aos encarnados, em 1995. Os tempos mudaram e as exigências são outras.
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O Benfica chegou a esta primeira partida das meias-finais em grande forma e com a moral alta, depois de, no fim de semana, ter voltado a golear o rival FC Porto, agora no Estádio do Dragão (1-4). A viver a melhor fase da temporada, seja em termos de resultados, como também exibicionais, Bruno Lage garantiu logo na véspera que ia aproveitar esta partida para dar descanso a alguns elementos do plantel, com Nico Otamendi à cabeça. Em sentido inverso, as titularidades de Samuel Soares, António Silva, Leandro Santos e Florentino Luís foram escolhas anunciadas pelo treinador, que procura levar para a Luz a primeira Taça de Portugal do clube desde 2017.
Ficha de jogo
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Tirsense-Benfica, 0-5
1.ª mão das meias-finais da Taça de Portugal
Estádio Cidade de Barcelos
Árbitro: David Silva (AF Porto)
Tirsense: Tiago Gonçalves; João Martins, Jorge Silva, João Pedro, Gonçalo Cardoso (Fontini, 45’), José Pereira (Rui Maia, 74’); Júnior Franco, Bruno Carvalho (Júlio Alves, 66’), Daniel Rodrigues; Alex Reis (Túlio, 66’) e Bernardo Mesquita (Giovanny Morais, 74’)
Suplentes não utilizados: João Matos; Óscar Monteiro, Chico Alves e Diogo Gonçalves
Treinador: Emanuel Simões
Benfica: Samu Soares; Leandro Santos (Tiago Gouveia, 65’), António Silva (Joshua Wynder, 76’), Adrian Bajrami, Samuel Dahl; Leandro Barreiro, Florentino Luís (Nuno Félix, 76’); João Rego (Gianluca Prestianni, 65’), Zeki Amdouni (Arthur Cabral, 65’), Andreas Schjelderup; Andrea Belotti
Suplentes não utilizados: Anatoliy Trubin; Álvaro Carreras, Orkun Kökcü e Kerem Aktürkoglu
Treinador: Bruno Lage
Golos: João Pedro (p.b., 16’), Rego (26’), Prestianni (68’), Arthur (72’) e Schjelderup (84’)
Ação disciplinar: cartão amarelo a Giovanny (80’), Daniel Rodrigues (86’) e Arthur (90+1’)
“Temos de ter seriedade para defrontar o Tirsense, respeitar muito o adversário e a competição. O foco total está na Taça de Portugal. Trata-se de uma meia-final e temos feito um percurso muito bom. Não vencemos a competição desde 2017. É importante valorizar o percurso do Tirsense, um histórico que já esteve na Primeira Liga. Deslumbramento? Temos de ter capacidade. A equipa tem de dar essa resposta. Não podíamos ficar deprimidos por sofrer dois golos com o Farense, nem desviar o foco devido ao último jogo. Temos de respeitar o Tirsense e escolher os melhores para cada jogo. Temos de fazer a gestão que fazemos normalmente. Vamos determinados em fazer um grande jogo”, referiu o técnico na antevisão.
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— SL Benfica (@SLBenfica) April 9, 2025
Nos minutos que antecederam a partida, confirmou-se a gestão de Lage, que não contou com Bruma, que continua a contar com uma “síndrome gripal”. Assim, só António Silva e Florentino Luís repetiram a titularidade do clássico, com Samu, Santos, Bajrami, Samuel Dahl, Leandro Barreiro, João Rego, Zeki Amdouni, Andreas Schjelderup e Andrea Belotti a integrarem o onze inicial. Nos jesuítas, Alex Reis foi a principal novidade, surgindo como elemento mais dinamizador no ataque. Ainda assim, Simões não surpreendeu e apostou no 5-3-2, com Tiago Gonçalves, Jorge Silva, João Pedro, Gonçalo Cardoso, João Martins, Júnior Franco, Bruno Carvalho, José Pereira, Daniel Rodrigues e Bernardo Mesquita.
A turma de Santo Tirso entrou destemida na partida e, depois de uma primeira tentativa em que Amdouni atirou acrobaticamente ao lado (2′), esteve bastante perto de marcar. Daniel Rodrigues cobrou um livre a meio do meio-campo para a área, o suíço dos encarnados falhou o alívio e a bola sobrou para a zona do segundo poste, onde Jorge Silva e Gonçalo Cardoso apareceram sozinhos, mas não conseguiram finalizar depois de se atrapalharem (5′). Na resposta, Leandro Santos testou pela primeira vez Tiago Gonçalves com um remate de meia distância, mas o guarda-redes levou a melhor, defendendo a dois tempos (7′). O Tirsense continuou melhor, mais motivado e agarrado ao jogo, mas acabou por quebrar depois dos primeiros 15 minutos, com Dahl a combinar com Schjelderup e a desferir um cruzamento tenso, que desviou em João Pedro e só parou no fundo da baliza jesuíta (16′).
Pouco depois, Schjelderup recebeu a bola na esquerda e tirou o cruzamento de pronto para a área, com João Rego a aparecer solto ao meio a completar para o segundo golo (26′). Desta forma, o jovem português coroou a primeira titularidade com o seu golo de estreia na equipa principal dos encarnados. O jogo continuou de sentido único, com o Tirsense na expetativa, e, Amdouni voltou a ficar perto de marcar, com Tiago Gonçalves a defender para a frente um remate forte do helvético da entrada da área (38′). Sem surpresas, o Benfica regressou ao balneário na frente do marcador e com pé e meio no Jamor ao cabo de apenas 45 minutos, em que controlou como quis, beneficiando do golo na fase inicial.
Ao intervalo, Emanuel Simões lançou Fontini para o ataque, por troca com o central Gonçalo Cardoso, e a sua equipa voltou a ter uma entrada afirmativa, colecionando dois pontapés de canto nos primeiros cinco minutos e apresentando um futebol vertical e vertiginoso. Por outro lado, os encarnados continuaram no controlo e com as aproximações mais perigosas à baliza adversária. Já com Tiago Gouveia, Gianluca Prestianni e Arthur Cabral de regresso à equipa principal dos encarnados, o argentino não precisou de muito para picar o ponto. Depois de um cruzamento à procura do brasileiro, Schjelderup recuperou na esquerda e entregou em Prestianni que, completamente sozinho, desferiu um remate colocado ao poste mais distante (68′).
O Benfica continuou com o pé no acelerador e, volvidos quatro minutos, Gouveia ganhou a profundidade no corredor direito, levantou a cabeça e cruzou de primeira para a área, onde Cabral apareceu a desferir um remate forte de primeira para o quarto golo, com a bola a embater ainda na trave (72′). Pouco depois foi a vez de Joshua Wynder se estrear na equipa principal das águias e de Nuno Félix também entrar em campo e, na sequência de uma grande arrancada de Prestianni da direita para o meio, Schjelderup também fez o gosto ao pé, com um remate colocado à entrada da área (84′). Assim, de um forma quase natural, os encarnados somaram mais uma goleada, antes de voltarem a redirecionar a mira para o campeonato. A segunda está agendada para 23 de abril.