Quando as vendas caem, os fabricantes de qualquer tipo de produto, de donuts a automóveis, têm de reduzir a produção e, no processo, despedir empregados para cortar custos e continuar viáveis. Independentemente da guerra de tarifas iniciada por Trump, há modelos que, com o passar dos anos, começam a atrair menos compradores, o que implica a tomada de medidas. No caso da Stellantis, o grupo franco-italo-americano chegou a acordo com o sindicato para pagar até 72.000 dólares, aproximadamente 64.000€, e seis meses de benefícios médicos a quem rescindir contrato.

De acordo com a imprensa norte-americana, a proposta negocial oscila entre os 50.000 dólares para funcionários com uma experiência laboral de um a 15 anos, e os referidos 72.000 dólares (o valor máximo) para os trabalhadores com mais de 25 anos de casa. A resposta tem de surgir até 8 de Maio, com as fábricas que estão sob o microscópio da Stellantis a serem as unidades fabris de Ohio e de Illinois, a primeira responsável pela produção da pick-up RAM 1500 e a segunda do Jeep Wrangler.

O mercado norte-americano caracteriza-se por grandes flutuações no mercado laboral, com as empresas a recrutarem em grande número quando necessitam de incrementar a produção, para meses ou anos mais tarde despedirem com a mesma “generosidade” quando a procura diminui. Daí que, depois de anos a reforçar a força produtiva, a Stellantis tenha despedido 33.000 empregados em 2023 e mais 11.000 em 2024.

Mercedes paga 7,5 vezes mais que a Stellantis

Se a Stellantis está a cortar empregados das linhas produção norte-americanas, a Mercedes abraçou a mesma estratégia, mas para reduzir custos no mercado europeu. O objectivo do construtor alemão é baixar 5 mil milhões de euros nos custos da operação até 2027, uma quantia elevada que vai obrigar a despedir empregados não apenas nas linhas de produção, mas também uns degraus mais acima, nos lugares executivos.

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A publicação germânica Handelsblatt reuniu alguns dados que permitem traçar um quadro mais claro sobre a situação, recordando que um funcionário em posição de chefe de equipa, com 55 anos, recebe um vencimento de 9000€, mas pode receber uma proposta de 500.000€ para rescindir o contrato, valor que muitos podem considerar aliciante. A Mercedes pretende, assim, despedir cerca de 30.000 empregados que não estão directamente envolvidos nas linhas de produção.

Empregados de escritório com 20 anos de casa e 45 anos de idade, que auferem um salário de 7500€, irão receber uma proposta de rescisão de 300.000€, enquanto um funcionário de 30 anos com um salário de 6000€ pode aspirar chegar a um acordo de 100.000€ para cessar o vínculo laboral com a Mercedes.