A Porsche está numa trajectória descendente, tendo visto o seu valor em bolsa cair cerca de 50% nos últimos 12 meses. A 29 de Abril de 2024 as acções valiam 87,28€, para hoje, um ano depois, valerem apenas 44,99€. De recordar que o construtor alemão foi lançado em bolsa no final de Setembro de 2022, com títulos a 82,50€, cujo valor subiu até 118,40€ em meados de 2023. Depois começou a cair de forma sustentada até aos 44,99€ de hoje, à hora do fecho da bolsa de Frankfurt.

Se no último ano abundaram os motivos para preocupações, apesar do lançamento de novos modelos, como o renovado Taycan e o novo Macan eléctrico, os primeiros três meses de 2025 foram particularmente negativos. As vendas globais caíram 7,9%, mas a quebra nos lucros da marca foi ainda mais grave, uma vez que sofreram um corte de 40,6% no primeiro trimestre do ano.

Parte dos problemas da Porsche tem a ver com o comportamento do mercado chinês, o segundo mais importante para a marca depois dos EUA, que de Janeiro a Março viu as vendas diminuírem 42%. Isto enquanto as vendas na Europa caíram 10%, sendo que só na Alemanha — o maior mercado europeu — as vendas sofreram um corte de 34%.

A hecatombe global para a marca só não foi pior porque nos EUA, em vésperas da entrada em vigor das tarifas prometidas pela equipa de Trump (que ameaçam subir de 2,5% para 25%), as vendas de modelos da Porsche aumentaram 37% e logo no maior mercado da marca. Contudo, isto pode ser considerado um “presente envenenado”, uma vez que as vendas vão necessariamente ressentir-se do incremento de impostos previsto, o que pode desencadear mais um rombo nas vendas e nos resultados financeiros da marca.