Os primeiros dois dias da Volta à Romandia acabaram por apresentar poucas novidades. Nas contas da geral, Remco Evenepoel (Soudal Quick-Step) e João Almeida (UAE Team Emirates-XRG) aproveitaram o prólogo inaugural para ganhar tempo a toda a concorrência e afirmarem a sua candidatura à conquista da prova suíça. A primeira etapa em linha, disputada na quarta-feira, acabou por não ter grande história, terminando com mais um triunfo de Matthew Brennan (Visma-Lease a Bike) no ano em que se estreia no World Tour. Com essa vitória, o britânico de 19 anos assumiu a liderança da geral, com Ivo Oliveira (Emirates) a cair para o terceiro lugar, a três segundos.

O festival dos britânicos na Volta à Romandia: Brennan acelera para amarela depois da vitória de Sam Watson, Ivo Oliveira em 3.º da geral

“É realmente especial. Viemos aqui com um objetivo claro de alcançar algo… e conseguimos. Toda a equipa e todos ao nosso redor estão muito felizes. Quando chegámos ao topo da colina, senti que as minhas pernas estavam boas e que era possível fazer isto. A equipa fez um ótimo trabalho para me posicionar e manter-me longe dos problemas. O final foi realmente caótico. Estás constantemente a lutar para encontrar a roda certa. Eu encontrei e fui um pouco mais longe do que esperava. Mas numa situação como esta, é só uma questão de reagir e continuar a acelerar. Seria ótimo vencer mais uma etapa e também espero poder ajudar o Jorgen [Nordhagen] nas etapas de montanha”, partilhou o novo líder depois do triunfo.

Para este primeiro dia do mês de maio estava reservada a primeira etapa de montanha, mas perspetivava-se mais uma chegada em grupo, dado o percurso praticamente plano nos últimos 30 quilómetros. Com partida e chegada em La Grande Béroche, esta etapa de 156,9 quilómetros disputou-se junto ao Lago de Neuchâtel e contou com quase três mil metros de desnível acumulado. A primeira subida categorizada apareceu logo nos primeiros três quilómetros, seguindo-se Muauborget para completar a primeira hora da corrida. Mais à frente havia Les Grattes, outra subida que prometia quebrar o pelotão e colocar à prova as equipas da geral. Antes da aproximação à meta ainda havia a subida de Chaumont, com pendentes médias de 11,9%.

Já sem Jan Christen (Emirates), que abandonou a competição devido a doença, as emoções ficaram guardadas para a parte final da etapa, como seria de esperar. Com a fuga do dia alcançada, a subida de Chaumont deixou o pelotão com apenas 20 elementos, permitindo a Juan Pedro López (Lidl-Trek) abrir as hostilidades. Jay Vine (Emirates) acompanhou o espanhol e, pouco depois, foi a vez de Evenepoel tentar fazer a diferença, mas sem sucesso. Mais à frente, e numa fase em que os ataques não paravam, deixando Junior Lecerf (Soudal), Alex Baudin (EF Education-EasyPost), Lorenzo Fortunato (XDS Astana) e Lennert van Eetvelt (Lotto) sozinhos com López. Já sem o camisola amarela no grupo principal, a vantagem começou a abrir, com os fugitivos a conseguirem mais de um minuto de avanço.

Nos últimos quilómetros, o quinteto começou a vigiar-se de perto e, numa fase em que imperou uma hesitação coletiva, Fortunato aproveitou para atacar com precisão e cortar sozinho a linha de chegada, garantindo a sexta vitória da sua carreira com menos dois segundos que Baudin e Lecerf. Os favoritos chegaram no segundo grupo, a 56 segundos do italiano, com Evenepoel a vencer o sprint dos perseguidores. Com estas diferenças, Alex Baudin assumiu a liderança da Volta à Romandia, com cinco segundos de vantagem para Junior Lecerf e seis para Lennert van Eetvelt. Remco Evenepoel subiu ao sexto lugar, a 52 segundos, ao passo que João Almeida entrou no top 10, estando em oitavo, a 53 segundos.