Desde março que a proliferação de uma alga tóxica tem-se tornado numa verdadeira ameaça à vida marítima, provocando um verdadeiro “filme de terror” na costa sul da Austrália. Segundo as autoridades locais, cerca de 200 espécies marinhas, que incluem tubarões, polvos, dragões-marinhos-folhosos e lulas, foram sufocadas até à morte.
Consoante a OzFish — instituição de caridade australiana para a conservação da pesca — citada pelo The Guardian, 47% dos peixes mortos pertenciam à espécie com barbatanas raiadas, como o salmão ou atum; já os tubarões e raias correspondiam a 26%.
Em meados de março, o jornal britânico já tinha noticiado a morte de diferentes espécies marinhas encontradas no areal de algumas praias no sul da Austrália tal como, mais de 100 surfistas que confessaram ter ficado com dificuldades em respirar. A causa foi, de logo, atribuída a uma “espuma misteriosa” densa e amarelada que se tinha acumulado na zona de rebentação. Mais tarde, um porta-voz do departamento do meio ambiente anunciou que as praias de Waitpinga e Parsons, no sul da Austrália, tinham sido encerradas temporariamente ao público, ao mesmo tempo que alguns habitantes partilharam nas redes sociais o que está a acontecer.
A Autoridade de Proteção Ambiental (EPA), citada pelo mesmo jornal, referiu em comunicado que a causa estava com o “florescimento de microalgas impulsionadas por temperaturas quentes, águas paradas e uma onda de calor marinha” com os termómetros a chegarem aos 2,5ºC — consideravelmente mais quente do que o habitual.
A alga — Karenia mikimotoi — alimenta-se da luz solar e funciona como um cobertor que, devido às suas propriedades tóxicas, asfixia os seres marinhos: “Pode sufocar os peixes pelas guelras, provocar hemorragias atacando os glóbulos vermelhos, o sistema nervoso e o cérebro dos peixes, provocando um comportamento invulgar”, afirmou o gestor de projetos da EPA, Brad Martin, “É por isso que alguns peixes e tubarões estão a agir de forma tão estranha e que muitos dos mortos têm uma coloração vermelha — é como um filme de terror para os peixes”.
D.R.
Uma parte significativa das criaturas marinhas afetadas viviam em recifes e ficavam escondidas na areia e, devido à dimensão das algas, ficaram presas e não conseguiram escapar — com exceção de peixes como a pescada ou o atum que têm naturalmente maior hipótese em sobreviver por nadaram mais rápido.
What is making beachgoers sick and killing marine life on the Fleurieu Peninsula? SA surfers have raised the alarm after falling ill while out on the state’s south coast. A mysterious sea foam has been washing ashore as well as dozens of dead sea creatures. Now, authorities have… pic.twitter.com/4qbjNNH12j
— 7NEWS Adelaide (@7NewsAdelaide) March 17, 2025
Aos seres humanos, a alga pode provocar dificuldades respiratórias, visão turva e irritação na pele. Apesar de não ser uma ameaça letal para o homem, esta alga é um perigo para os peixes para além de também matar as suas fontes de alimento.
Ainda não se conhecem os impactos a longo prazo, mas os especialistas acreditam que a situação também irá afetar o setor piscatório.
Texto editado por Dulce Neto