A deputada independente australiana Helen Haines apresentou melhorias no seu estado de saúde e mantém-se estável, mas ainda em estado grave, cinco dias depois de um ataque em que perdeu ambas as pernas.

Haines, de 65 anos, foi atropelada, na segunda-feira, por um veículo nas proximidades do gabinete, na cidade de Wangaratta, estado de Victoria (sudeste), um episódio que a polícia investiga como um possível ataque deliberado.

O hospital Alfred, em Melbourne, informou este sábado que o estado da deputada evoluiu de crítico para grave, mas estável, a primeira melhoria reportada desde a transferência para a unidade de saúde.

O caso causou grande comoção em Wangaratta, uma localidade com cerca de 20 mil habitantes, onde os moradores e apoiantes deixaram flores e mensagens em frente ao gabinete de Haines. Foram ainda realizadas vigílias com velas em diferentes pontos do país, numa demonstração de apoio à deputada.

A família solicitou que, em vez de enviarem flores, as pessoas fizessem donativos à organização Save the Children Australia. A iniciativa angariou cerca de um milhão de dólares australianos (625 mil euros), segundo a emissora pública ABC.

O motivo do agressor de Haines continua desconhecido e as autoridades recusaram-se até agora a fazer quaisquer comentários sobre o assunto, enquanto a investigação prossegue. O agressor foi presente a tribunal em Wangaratta na quarta-feira.

No mesmo dia, Phil Haines, o marido, descreveu a deputada como uma pessoa compassiva e solidária, destacando a sua força face à gravidade dos ferimentos, e agradeceu as manifestações de apoio recebidas nos últimos dias.

O ataque suscitou uma importante reflexão, num país onde a violência política é rara, mas onde a polícia tem registado um aumento constante de ameaças e atos de violência contra os representantes eleitos nos últimos anos.

Na quinta-feira, a polícia do Estado da Austrália Ocidental (oeste) anunciou que deteve e acusou um homem de 56 anos por comportamento ameaçador no gabinete de uma outra deputada.

A polícia indicou que um homem foi detido na quarta-feira após, segundo as acusações, ter proferido ameaças e brandido um par de matracas (‘nunchakus’, arma utilizada nas artes marciais).

A cena ocorreu no gabinete parlamentar da deputada Hannah Beazley, membro do Partido Trabalhista, no poder na Austrália, segundo a imprensa local.

O homem foi acusado de ameaças e de posse de canábis, informou a polícia.

O primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, afirmou na quinta-feira à rádio ABC Sydney que, nos últimos anos, se tem verificado uma “banalização de comportamentos que podem ser muito agressivos”.