Que Inês Sousa Real tem um passado no mundo na dança já tinha ficado esclarecido na primeira temporada de “Bom Partido”. Desta vez, o humorista Guilherme Geirinhas mergulhou no passado de porta-voz do PAN no pequeno ecrã. Corria o ano de 2003, a agora deputada acabara a licenciatura, iniciara um mestrado e procurava “ganhar uns trocos”. Acabou por encontrar emprego como figurante da série juvenil mais famosa da televisão portuguesa — os “Morangos com Açúcar”.
As imagens de Inês Sousa Real numa cena da série começaram a circular nas redes sociais, mas a líder do PAN garantiu que existem muitas outras, que chegou a ter algumas falas e lembra os momentos passados no bar de praia com os amigos que também trabalhavam em figuração. “Gostava de ter um bar de praia, deve dar imenso prejuízo, mas acho que é aquela coisa que todos imaginamos no verão”, afirmou.
Do passado para o presente, Inês Sousa Real admitiu que um remake da série em 2025 seria muito diferente. Para começar, o bar de praia, o “Bar dos Rebeldes”, teria um nome mais “in” como “O Pirata” e os jovens não praticariam windsurf, mas padel, considerou. Mas as verdadeiras diferenças seriam no retrato socioeconómico do casal principal, protagonizado por João Catarré e Benedita Pereira. Pipo, o dono do bar, “tinha de morar no bar, numa mezzanine”, dada a crise da habitação. Já Joana, continuaria com a mesma vida luxuosa, “porque os ricos continuam a ser ricos”. Aliás, se calhar até teriam enriquecido mais e podiam ter agora “um resort na Comporta”, rematou a deputada.
A passagem pela figuração dos Morangos com Açúcar — “um currículo extraordinário” — é um dos motivos para Inês Sousa Real considerar ser “um bom partido”. Além disso, à questão que dá nome ao programa respondeu ainda que é “uma pessoa de confiança, esperançosa, otimista e amiga do seu amigo”.
Honrando o nome do partido, a conversa passou ainda pelas lutas do PAN pelos animais e pela natureza. Na questão dos animais, Inês Sousa Real identificou um problema de “discriminação de género” nos gatos institucionais. Isto porque entre gatos de líderes políticos — incluindo o seu Mikas –, de governantes e até da colónia do parlamento, os gatos são muito mais numerosos do que as gatas. A líder do PAN explicou ainda que nunca utiliza a palavra “animal” ou qualquer tipo de animal como insulto, devido à “empatia” que sente por eles. No entanto, quando um forcado foi “mal-educado”, revelou que o tentou insultar, chamando-lhe “toureiro”. “Foi totó”, avaliou, entre risos.
Na questão ambiental, o PAN orgulha-se de ter conseguido avançar com o pagamento dos sacos de utilização única. Mas a líder relatou que o facto de terem dado a cara por esta mudança já lhe valeu alguns momentos constrangedores. “Eu quando vou a alguma loja e tenho de trazer um saco, a pessoa olha para mim [e pergunta]: ‘Sabe que isto agora cobra-se?’ E estão a olhar para mim, como quem diz: ‘E foi graças a ti que estamos a cobrar o saco'”, partilhou.
Numa campanha em que manteve portas abertas aos dois lados do espectro político, uma breve resposta na rubrica de questões rápidas Comissão Parlamentar de Inquérito saltou à vista. Questionada sobre se preferia passar um dia na bancada parlamentar da IL ou do PCP, Inês Sousa Real escolheu os liberais. Mas as afinidades não se estendem a todos os seus pares, como se viu pela resposta seguinte, em que Geirinhas quis saber o seu concorrente favorito de sempre do Big Brother. “Não via, mas aqui na Assembleia, já temos um Big Brother todos os dias, podemos falar de concorrentes daqui”, sugeriu.
A disponibilidade para falar de alguns deputados não se cumpriu totalmente na rubrica seguinte, Geringonças, em que devia escolher os restantes líderes partidários para cenários hipotéticos. Quando a resposta passou pelo grupo parlamentar mais à direita do plenário, André Ventura nunca foi mencionado diretamente; Inês Sousa Real limitou-se a apontar o grupo parlamentar do Chega.
Se fosses obrigada a trocar de vida com um deles durante 24 horas, qual escolherias?
Com Luís Montenegro, porque em 24 horas, há pelo menos algumas coisas que eu queria fazer pelo país.
E do ponto de vista pessoal?
Há aqui deputados e governantes que têm uma vida um bocadinho mais folgada, portanto seria bom ter uma maioria parlamentar.
Qual dos teus adversários, teria mais hipóteses de ganhar um duelo corpo a corpo contra um pavão muito agressivo?
Estamos a falar do confronto apenas físico ou da vaidade?
Confronto físico. Não há metáforas, imagina a luta ali no Jardim da Estrela.
A bancada que ia reagir pior iria reagir é o Chega, porque eles não gostam de animais. O líder parlamentar foi forcado.
Quem é que achas que sobrevivia melhor uma semana na selva sem telemóvel?
A Mariana Mortágua, porque eu acho que nós mulheres somos mais desenrascadas que os homens nas skills de sobrevivência, a sociedade é muito exigente connosco.
Imagina que tinhas de fugir de um restaurante sem pagar, mas só podes levar um deles como cúmplice. Quem é que escolhes para a fuga?
Nesse caso, quem tem muito currículo – ou cadastro – e experiência é o Chega, portanto tinha que ser algum deles de certeza.