O prolongamento ainda não tinha chegado ao fim, Francisco Trincão acabara de marcar o 3-1 que sentenciou de forma definitiva o encontro, os focos de pequena tensão começavam a surgir. O primeiro foi até na zona da bancada central, aquela que misturava mais adeptos do Benfica e do Sporting, quando um adepto encarnado queria sair do recinto com o seu grupo, percebeu que não poderia fazê-lo antes da subida dos jogadores pela escadaria até à Tribuna e acabou em provocações verbais e ameaças com outros adeptos leoninos que ainda faziam a festa pela vitória. Uns minutos depois, tudo serenou. E assim continuou até tudo terminar.

No entanto, e numa primeira fase, podia ter corrido mal. O gradeamento que separa a bancada da pista de tartan do lado dos adeptos do Sporting já tinha caído quando Viktor Gyökeres fez o empate em cima do fim do tempo regulamentar e correu em direção ao local (alguns ainda tentaram depois levantar algumas partes mas sem sucesso) mas deixou de existir de vez na parte final, quando Trincão fez o 3-1 e mais tarde quando alguns jogadores verde e brancos foram para aquela zona festejar. Houve uma invasão pacífica com centenas e centenas de pessoas no tartan aos saltos, muitos outros aproveitaram a oportunidade para andarem aos saltos por ali e só mesmo a intervenção da polícia, com firmeza mas sem excessos que poderiam colocar a situação fora do controlo naquele contexto, conseguiu recolocar as pessoas nas bancadas.

No relvado, um pouco de tudo. Os cumprimentos entre Trubin, Rui Silva e Franco Israel numa ambiente de total fair play, o desalento de Renato Sanches a olhar o vazio, as lágrimas de Di María perante a despedida que menos desejava, Otamendi a tentar reunir as tropas, Bruno Lage a explodir em críticas a Luís Godinho que ainda demoraram algum tempo e que deixaram o técnico encarnado visivelmente irritado. Do outro lado, Harder sem camisola como tinha acontecido ao longo de todo o trajeto até ao Marquês, todos os jogadores aos saltos e a corrida às camisolas da dobradinha como não acontecia desde os tempos de Jardel.

Ao contrário do que aconteceu noutras ocasiões, o Benfica foi à Tribuna com todos os jogadores cabisbaixos, Di María isolado em lágrimas e poucos adeptos numa hora quase de consolação. Do lado oposto, total euforia na subida da escadaria que deixou para o fim Morten Hjulmand, capitão do Sporting que levantou a taça no ponto alto da festa. Houve pedidos para que Viktor Gyökeres ficasse, lives a contar com participações de um Harder que não cabia em si de contente e até cânticos entusiásticos como se de um jogador se tratasse para Frederico Varandas, presidente dos leões que só faltou sair em ombros de cachecol ao pescoço.

Quase todos os jogadores do Benfica ficaram no relvado a olhar para cima, para uma festa que esteve muito próxima de ser encarnada, virando costas rumo ao balneário quando os elementos do Sporting já estavam de novo nas quatro linhas para as habituais fotografias da praxe. A certa altura, Renato Sanches aproximou-se de uma zona do topo do Benfica onde estavam ainda muitos adeptos e de seguida outros companheiros também se começaram a aproximar, altura em que outros elementos que já estavam a sair foram a correr até ao gradeamento a insultar todos os que se aproximaram tendo como um dos principais focos Bruno Lage, treinador que foi aplaudindo enquanto rumava ao túnel mas acabou por tornar-se alvo da contestação.