O Rei Carlos III chegou na segunda-feira ao Canadá para uma visita oficial de dois dias, a convite do primeiro-ministro Mark Carney, a primeira à antiga colónia britânica desde que subiu ao trono. A viagem, para mostrar apoio do monarca à nação, que o reconhece como soberano, surge numa altura em que o Presidente norte-americano, Donald Trump, tem expressado repetidamente o desejo de anexar o território.

Na chegada a Ottawa, pelas 13h locais (18h em Portugal continental), o Rei Carlos III, oficialmente o chefe de Estado do Canadá, que integra a Commonwealth, e a Rainha Camila foram recebidos por Mark Carney, que tem descrito a visita como uma “honra histórica, à altura dos desafios” que o país enfrenta.

Durante o primeiro dia da visita, o monarca teve uma audiência privada com Carney na residência oficial do governo geral do Canadá (Rideau Hall). Também se encontrou com a governadora geral do Canadá, Mary Simon, e com a chefe da organização indígena Assembly of First Nations, Cindy Woodhouse Nepinak.

O Rei foi o convidado de honra de uma cerimónia nos jardins de Rideau Hall e plantou uma árvore juntamente com Camila. Já no parque Lansdowne deu início a uma partida de hóquei de rua entre o jogador dos Ottawa Senators Chris Phillips e a futebolista e medalhada olímpica Desiree Scott.

O momento mais aguardado da visita da família real britânica aconteceu esta terça-feira: a sessão de abertura do parlamento canadiano, que começou com o discurso do trono, desta vez proferido por Carlos III. A última vez que um monarca britânico assumiu este papel foi em outubro de 1977, com Isabel II. A rainha leu o discurso do trono duas vezes — a primeira delas foi em 1957.

Mark Carney convida Carlos III para abertura do Parlamento no Canadá

O primeiro-ministro canadiano tem afirmado que esta visita “sublinha claramente a soberania do país”, numa referência às posições de Donald Trump, que defende que o Canadá deve ser o 51.º estado norte-americano. As declarações têm sido duramente criticadas por Mark Carney. “O primeiro-ministro deixou claro que o Canadá não está à venda agora, nem nunca estará à venda.

Nos últimos meses, o próprio Carlos III tem dado alguns sinais subtis do seu apoio ao Canadá, usando medalhas do país, apelidando-se o rei do Canadá e descrevendo a sua bandeira como “um símbolo que nunca deixa de despertar um sentimento de orgulho e admiração”. No discurso desta terça, declarou que o Canadá deve manter-se “livre e forte” neste “momento crítico”, num recado enviado ao Presidente norte-americano.