Em condições normais, e olhando para tudo o que se passava num clube em ebulição como estava o FC Porto em maio de 2024, a criação de mais modalidades ou secções deveria ser tudo menos prioritário. No entanto, e não perdendo de vista tudo o que se passava no Dragão, o presidente eleito André Villas-Boas nunca deixou de ter o desenvolvimento do projeto do futebol feminino como um dos pontos de arranque no primeiro ano de mandato no comando dos azuis e brancos. Nove meses depois, a parte mais visível de uma aposta que se foi alargando também a todas as equipas de formação estava apenas a 90 minutos da sua “confirmação”.
Melhor estreia era impossível: no início de setembro, ainda antes do arranque das provas oficiais, o FC Porto teve uma apresentação oficial no Estádio do Dragão frente à União de Leiria que, mais importante do que a goleada por 9-0, fez história ao tornar-se o jogo entre clubes com maior assistência de sempre em Portugal, superando com 31.093 espectadores o registo máximo que havia na Luz num Benfica-Sporting (27.221). Apesar de começar no terceiro escalão nacional, o que dava margem para ir preparando os passos seguintes com outra margem, estava dado o mote para uma época que seria a todos os níveis histórica.
3️⃣1️⃣0️⃣9️⃣3️⃣ espectadores
História de assistência em Portugal logo no primeiro jogo do FC Porto FemininoO último recorde pertencia a um jogo entre o Benfica e Sporting com 27.221 espectadores. pic.twitter.com/51JfjUBbZt
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A estreia oficial aconteceu somente três semanas depois, com um triunfo por 3-0 em Viseu com o Académico, e o início do Campeonato da 3.ª Divisão começou a seguir com uma goleada por 6-1 diante do Marco. Foi aí, foi em muitas mais ocasiões. Ao longo da temporada, o FC Porto teve apenas duas derrotas, na terceira eliminatória da Taça de Portugal com o Marítimo por 1-0 e na final da Taça da AF Porto com o Valadares Gaia por 3-0 – ambas equipas do primeiro escalão. Em tudo o resto, foram vitórias atrás de vitórias, algumas expressivas como os dois 28-0 ao modesto GDR Soalhães, num total de 33 vitórias em 35 encontros com um total de 269 golos marcados (o que dá uma média superior a 7,5 golos por jogo…) e apenas 14 consentidos.
Agora, depois de uma segunda fase igual à primeira apenas com vitórias, o FC Porto estava apenas a um passo da conquista do Campeonato da 3.ª Divisão. Um passo que, na verdade, poderia ser muito menos do que isso, tendo em conta a goleada por 4-1 frente ao Real Massamá na primeira mão da final realizada de novo no Estádio do Dragão com golos de Verónica Khudyakova (dois, aumentando o total da temporada para 61 em 32 encontros realizados), Inês Oliveira e Cristina Ferreira. Ainda assim, todos recusavam facilidades na deslocação ao Monte Abraão, colocando o enfoque na importância de fechar a época com novo triunfo.
???????????????????????????????????????? ????????????????????́???????????? ???? Primeiro título do futebol feminino do FC Porto ????#FCPortoW pic.twitter.com/VpDZ4cZqe5
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“Várias equipas, seja masculino ou feminino, já tiveram resultados em que a vantagem era boa e depois chegaram à segunda mão e as coisas foram ao contrário e tudo virou. Acima de tudo, trabalhámos com o mesmo foco que tivemos até agora. Vamos encarar o jogo sabendo que não precisamos da vitória para conquistar o título mas vamos assumir o jogo para ganhar. É isso que queremos, vamos jogar para ganhar e vamos manter esse objetivo”, apontara Daniel Chaves, técnico das azuis e brancas. “Seria uma conquista à Porto. Começar a era do futebol feminino da melhor forma, com um título, é o que se espera e é por isso que vamos dar tudo em campo”, acrescentara Ema Gonçalves, defesa que levava 32 jogos esta época.
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Cedo se percebeu que não seria um encontro fácil para o FC Porto, com muitos adeptos nas bancadas prontos para fazer a festa do título depois de estar garantida a subida ao segundo escalão nacional. Tatiana Beleza fez a primeira defesa mais complicada da partida, as azuis e brancas foram sentindo dificuldades para chegar ao ataque e Mayara Santos deu mesmo vantagem ao Real perto do intervalo de penálti. Daniel Chaves tentava mudar algo na equipa em busca de outro resultado numa eliminatória que não deixou de estar controlada mas, apesar das melhorias no segundo tempo, o 1-0 só seria desfeito em cima do minuto 90, numa recarga na pequena área de Beatriz Amorim. As jogadoras portistas queriam mais, levaram a bola para o meio-campo e conseguiram ainda chegar à vitória nos descontos, com Cristina Ferreira a marcar o 2-1 aos 90+1′.
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