Uma folga inesperada na sequência do adiamento de alguns jogos pelos ataques dos houtis a Riade (já depois do atraso no início da partida para a Liga dos Campeões Asiática diante do Neftchi), um regresso a jogar em casa com todos os principais concorrentes ao título a vencerem de forma mais ou menos sofrida esta ronda. Era neste contexto que o Al Nassr regressava à competição depois de ver a partida com o Al Ahli de Francisco Trincão passar para o próximo ano, de novo com Cristiano Ronaldo no centro das atenções não apenas pela recente suspensão de um mês da Federação mas também pelas notícias que dão conta do novo “projeto”.
Depois de ter comprado 25% do capital social do Almería, equipa espanhola da Segunda Liga, voltam a surgir notícias de um possível consórcio disposto a comprar o Al Nassr. Agora a informação surgiu no site Semafor, mantendo os mesmos intervenientes mas com uma outra notícia extra: o Fundo Soberano da Arábia Saudita, que detém nesta fase o clube de Riade, vai colocar quase 200 milhões de euros no clube através dos vários patrocinadores por forma a tornar uma venda mais atrativa. Entre os interessados está na liderança o grupo RedBird de Genny Cardinale, proprietário do AC Milan, com a possibilidade de Ronaldo passar a deter 20% da formação saudita, num cenário já antes levantado como possibilidade a breve/médio prazo.
A urgência do negócio entronca também nas novas regras que estão a ser preparadas pela Confederação de Desporto da Ásia, que vai proibir todos os clubes com os mesmos proprietários de entrarem nas competições continentais. O Al Hilal, que foi vendido a 70% à Kingdom Holding, já não corre esse risco mas Al Nassr, Al Ahli e Al-Ittihad poderão violar essa medida. Com a venda ao consórcio, o problema estava resolvido.
Em paralelo, o português ficou também a conhecer o acórdão da secção não profissional do Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol, que o sancionou com um castigo de um mês de suspensão além da multa de 255 euros por ter abandonado o estágio da Seleção A em Copenhaga, antes do encontro de Portugal com a Dinamarca. E se a sanção pecuniária pode ser paga em menos de um minuto pelo atual vínculo que tem com a formação saudita, o castigo, contando com a suspensão provisória, permite que possa entrar nas opções para os próximos compromissos de novembro, que vão fechar a fase de grupos da Liga das Nações. Ninguém sabe ao certo se haverá regresso, seja por decisão do jogador, seja por decisão de Jorge Jesus, mas percebe-se que existe uma vontade grande dentro da Federação para que aconteça.
Antes, o avançado teria seis encontros de três em três dias até à data dessa próxima convocatória da Seleção, o primeiro com uma receção ao Neom numa terça-feira marcada pela “explosiva” entrevista de Erik ten Hag ao The Athletic, onde o técnico neerlandês explicou o porquê de ter entrado em choque com Ronaldo quando estavam no Manchester United. “Ele dececionou a equipa e dececionou-me a mim, porque tínhamos planos juntos. Fui a Portugal para conversar com ele sobre os meus objetivos. Obviamente, ele é um dos melhores jogadores da história e eu respeitava-o enormemente. Mas ele não se dedicava, com e sem bola. Já não corria… O motivo é que não estava preparado”, assumiu o agora diretor desportivo do Twente.
“Confrontei-o. Disse-lhe várias vezes: ‘Toda a gente quer trabalhar para ti, para estares na posição certa, mas se não apareces na área, não marcas’. Ele não era capaz. É uma ideia errada culpar-me dizendo que esperava que fizesse a pressão. Ele não conseguia. Não corria nem com a bola nem sem a bola porque não se preparou adequadamente. Ele dizia aos jogadores: ‘Guardem as pernas no treino’. Entendo isso quando estás em plena forma, mas primeiro tens de treinar para atingir o nível certo. Todas as equipas de topo devem acarinhar o jogador de topo, mas o jogador tem de trabalhar para a equipa”, acrescentou Ten Hag. Quase de imediato, Piers Morgan veio fazer a defesa do número 7 nas redes sociais, dizendo que o neerlandês era “mentiroso” e que nada daquilo tinha acontecido. No entanto, a “defesa” podia surgir dentro de campo.
Foi isso que andou adiado durante largos minutos. A primeira parte teve poucas ou nenhumas chances para as duas equipas, numa partida demasiado lenta, previsível e onde a organização defensiva sem bola do Neom foi dando conta do recado. No entanto, e no terceiro e último minuto de descontos, tudo podia ter mudado: João Félix foi pisado na área, o árbitro assinalou penálti após intervenção do VAR mas a tentativa de Ronaldo falhou a baliza, passando ao lado sem intervenção de Marcin Bulka. Tudo parecia estar a correr mal ao avançado português, que no início do segundo tempo perdeu outra oportunidade flagrante depois de uma assistência de Sadio Mané para o poste contrário com o número 7, isolado, a desviar por cima na pequena área. “Fod***”, gritava Ronaldo para o ar depois de mais uma chance desperdiçada para marcar.
O nulo estava complicado de desfazer até que apareceu mais um rasgo de génio de João Félix, que recebeu de Ângelo à entrada da área e disparou para o 1-0 (61′). O Al Nassr conseguia finalmente vantagem, o Neom ia finalmente com outra objetividade à área contrária, com Lacazette a desviar de cabeça ao poste a cerca de 20 minutos do final. A partida continuava em aberto perante todas as fragilidades que o conjunto de Riade apresentava na gestão da vantagem quando os visitantes metiam mais unidades na frente e a noite para esquecer de Ronaldo, que teve mais uma oportunidade falhada sozinho na área após cruzamento de Abdullah Al-Hamdan (74′). Até ao final, e já em período de descontos, o Neom ainda teve uma bola que atravessou toda a pequena área com um toque ainda de Bento mas o triunfo pela margem mínima iria manter-se.