Duas vitórias, um empate, nove golos marcados e nenhum sofrido. Portugal terminou a fase de grupos do Campeonato da Europa Sub-21 depois de três jogos sem conceder qualquer golo e onde só faltou mesmo o triunfo contra França, carimbando o apuramento para os quartos de final no primeiro lugar do grupo com mérito — e exibições coletivas e individuais que abriam a porta a uma ambição moderada para o que resta da competição.

Este sábado, no Štadión pod Dubňom de Žilina, no norte da Eslováquia, a equipa de Rui Jorge defrontava uma seleção dos Países Baixos que só venceu um dos três jogos da fase de grupos, terminando o Grupo D atrás da Dinamarca, mas que conquistou o Europeu Sub-21 em duas ocasiões e chegou às meias-finais na recente edição de 2021. Para além disso, o selecionador nacional lembrava que os neerlandeses tinham marcado nas três partidas já disputadas.

“Até agora ninguém teve a consistência defensiva suficiente para os deixar a zero. É uma tarefa dura, mas que é possível. A exemplo de todos os jogos anteriores, tentaremos manter a consistência defensiva e procurar o golo. Espero continuar aquilo que temos feito, uma equipa a jogar coletivamente, a ser inteligente e a perceber os momentos do jogo. Vamos querer jogar bem e ser seguros”, disse Rui Jorge na antevisão da partida dos quartos de final.

Ora, apesar da confiança, a verdade é que Portugal tinha uma baixa de peso através da lesão de Roger, avançado do Sp. Braga que tem estado em evidência na Eslováquia. Assim, Rui Jorge lançava Gustavo Sá no apoio mais direto a Geovany Quenda e Tiago Tomás, com Mateus Fernandes, Diogo Nascimento e Paulo Bernardo no meio-campo. Do outro lado, nos Países Baixos comandados pelo antigo internacional neerlandês Michael Reiziger, destacavam-se Ian Maatsen (Aston Villa), Ruben van Bommel (AZ) e Ryan Flamingo (PSV).

Numa primeira parte muito acidentada, Portugal não demorou a assumir alguma superioridade face aos Países Baixos. A equipa de Rui Jorge ficou muito perto do golo ainda dentro dos dez minutos iniciais, num lance em que Tiago Tomás falhou o remate depois de um cruzamento de Rodrigo Pinheiro na direita (7′), e o avançado do Wolfsburgo voltou a chegar atrasado ao desvio na sequência de um cruzamento-remate de Geovany Quenda (10′) e de um passe de Gustavo Sá (15′).

A situação dos neerlandeses tornou-se ainda mais complicada à passagem dos 20 minutos, quando Ruben van Bommel viu dois cartões amarelos praticamente consecutivos e acabou expulso por acumulação, deixando a equipa em inferioridade numérica. Logo depois, Devyne Rensch fez falta sobre Tiago Tomás na área dos Países Baixos e o árbitro da partida, após analisar as imagens do VAR, assinalou grande penalidade — mas Quenda, na conversão, acertou em cheio no poste e desperdiçou a oportunidade.

De forma contraditória, o jogo tornou-se mais complicado para Portugal depois de ficar a jogar com mais um elemento. Os Países Baixos cresceram no encontro e chegaram mesmo a marcar, com um autogolo de Chico Lamba, mas o lance foi anulado por fora de jogo de Ian Maatsen (36′). Ainda antes do fim da primeira parte, que terminou sem golos, Samuel Soares foi mesmo obrigado a uma enorme intervenção após remate de Thom van Bergen (39′), mantendo o resultado a zeros ao intervalo.

Rui Jorge mexeu logo ao intervalo e trocou Tiago Tomás por Henrique Araújo, enquanto que Michael Reiziger foi forçado a fazer a primeira substituição cinco minutos depois por lesão de Luciano Valente, lançando Bjorn Meijer. Paulo Bernardo teve a primeira ocasião de golo da segunda parte, com um desvio de pé esquerdo na grande área, mas Robin Roefs foi crucial e defendeu (48′) antes de Henrique Araújo também cabecear por cima na sequência de um canto (53′).

O selecionador nacional voltou a mexer já depois da hora de jogo, tirando Paulo Bernardo para colocar Carlos Forbs, e os Países Baixos iam resistindo ao assalto português — Portugal tinha mais bola e estava completamente inserido no meio-campo contrário, mas tinha dificuldades para criar verdadeiras oportunidades de golo e o tempo ia passando sem alterações no resultado. Rui Jorge fez mais duas substituições, lançando João Marques e Pedro Santos, mas o inexplicável acabou mesmo por acontecer.

Já dentro dos últimos dez minutos, Ian Maatsen tirou um passe perfeito a soltar Ernest Poku nas costas da defesa portuguesa e o avançado do AZ contornou Samuel Soares para depois atirar para a baliza deserta (84′). Rodrigo Gomes ainda entrou, mas já nada mudou: Portugal perdeu com os Países Baixos apesar de ter jogado grande parte do encontro em superioridade numérica e está fora do Campeonato da Europa Sub-21 logo nos quartos de final, falhando novamente um título inédito que continua a escapar às ambições nacionais.