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Champanhe, espaço para 24 pessoas, bilhetes a 87€ e 45 minutos de viagem. Como eram os voos no balão que caiu no sul do Brasil?

Este artigo tem mais de 1 ano

A queda de um balão de ar quente este sábado, em Santa Catarina, matou 8 pessoas — três das quais escolheram não saltar do balão e morreram abraçadas. Como eram os voos da "Capadócia do Brasil"?

Voos da empresa SobreVoar chegavam a atingir 2.000 metros de altitude
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▲Voos da empresa SobreVoar chegavam a atingir 2.000 metros de altitude

▲Voos da empresa SobreVoar chegavam a atingir 2.000 metros de altitude

O dia começou cedo: às 5h30, todos os passageiros se preparavam para iniciar um passeio num dos balões de ar quente operados pela empresa brasileira SobreVoar em Santa Catarina, no sul do Brasil. Mas aquela que devia ser uma inesquecível viagem de 45 minutos acabou por terminar em desgraça, após um balão se ter despenhado durante o voo. Em causa estava um balão com seis metros de largura e com capacidade para transportar até 24 pessoas, escreve o jornal brasileiro G1.

Oito mortos em acidente com balão de ar quente no sul do Brasil

No entanto, de acordo com as informações avançadas pela imprensa brasileira, a bordo estariam apenas 21 passageiros — mas apenas porque não aceitavam mais ninguém: “Só não voámos no balão que se despenhou porque não havia mais vagas”, escreveu na rede social Instaram o antigo autarca de Florianópolis, Gean Loureiro.

A página da Tripadvisor da empresa SobreVoar já não aceita reservas para passeios e tem poucas informações disponíveis sobre as suas viagens, mas segundo o G1, o balão que levantou voo este sábado era o maior a operar na cidade de Praia Grande, em Santa Catarina, tendo chegado até a ser exibido em eventos de balonismo.

Cada passageiro tinha de pagar cerca de 87 euros pelo voo (550 reais), sendo um passeio de 45 minutos. Segundo a curta informação que ainda é possível encontrar na página da Tripadvisor, a empresa realizava “voos de balão que podem chegar aos 1.500 metros de altitude”, e que sobrevoam os “parques nacionais Aparados da Serra e da Serra Geral, a maior cadeia de Canyons da América Latina”, conhecida como a “Capadócia do Brasil”.

Contudo, apesar de indicarem que o balão pode chegar aos 1.500 metros, algumas das pessoas que realizaram esta viagem partilharam online que foram além disso, atingindo o patamar dos 2.000 metros. No Instagram desta empresa, uma das imagens disponíveis nos destaques não só confirma esta informação como mostra que o balão de ar quente ultrapassou o nível das nuvens.

Três passageiros não saltaram do balão e “morreram abraçados”

O início dos voos desta empresa estavam sempre marcados para o início do dia, de forma a aproveitar a primeira luz da manhã. Segundo o G1, antes de voarem, os passageiros reuniram-se num hangar pelas 5h30, onde receberam instruções de voo e se familiarizaram com os equipamentos envolvidos. Depois tomaram o pequeno-almoço e foram então levados por um transporte da empresa até ao ponto de onde iam levantar voo.

Na viagem estavam também incluídas algumas fotografias dos passageiros com o balão e ainda um brinde com champanhe, que deveria acontecer quando o balão de ar quente aterrasse. No final, os passageiros deveriam ter sido transportados de volta para o hangar onde se tinham reunido no início do dia.

Contudo, no voo deste sábado, esta última etapa não se chegou a realizar. Pelas 9h30, quando ainda estavam no ar, o balão de ar quente pegou fogo, acabando por descer em direção ao solo em queda livre. Até ao momento as causas do acidente estão ainda por apurar, estando a decorrer uma investigação por parte das autoridades brasileiras.

De acordo com a Polícia Civil de Santa Catarina, dos 21 passageiros, apenas 13 sobreviveram. A certo ponto, “o piloto e outras 12 pessoas conseguem sair do balão, mas outras pessoas não conseguem e o balão acaba novamente por subir involuntariamente. A partir daí, quando atinge uma certa altura, algumas pessoas acabam por pular do balão. Mas três pessoas não pularam e acabaram por morrer abraçadas“, relatou o delegado-chefe da Polícia Civil, Ulisses Gabriel numa entrevista à rádio CBN e citado pela Folha de São Paulo.

O delegado-chefe acrescentou ainda que no momento do voo havia muito vento na região de Praia Grande. “Hoje [sábado], aqui no sul de Santa Catarina, e desde ontem, há uma instabilidade de tempo muito grande. Havia muito vento, houve vento pela manhã em Praia Grande, então isso pode ter colaborado”, disse Ulisses Gabriel.

“Vamos ouvir as pessoas e verificar se há responsabilidade por parte do piloto e da empresa, por voarem com condições de voo que não eram favoráveis”, rematou.

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