As manifestações “contra o custo de vida e em defesa da juventude” mobilizaram este sábado, em França, muito menos pessoas do que as anteriores, pelo quarto fim de semana consecutivo, e depois de uma forte adesão na quinta-feira.
Os organizadores, reunidos numa “intersindical da juventude”, reivindicaram 250 mil manifestantes em França, dos quais 75 mil em Paris, muito abaixo dos 800 mil ou 500 mil anunciados nos sábados anteriores, segundo a AFP.
As autoridades contabilizaram, por seu lado, 146 mil pessoas em todo o país, incluindo 46 mil em Paris, também uma quebra acentuada em relação aos sábados anteriores e à expressiva mobilização sindical de quinta-feira, que reuniu entre 575 mil e 1,6 milhões de pessoas, consoante as fontes.
As manifestações deste sábado decorreram, em geral, sem incidentes, embora tenham ocorrido confrontos, como tem acontecido em todas as ocasiões, no final dos cortejos, quando alguns manifestantes lançaram objetos contra as forças de segurança, que responderam com gás lacrimogéneo.
Esta jornada de mobilização pretende manter a pressão antes de uma conferência social convocada pelo Governo para segunda-feira, com representantes das organizações patronais e dos sindicatos reunidos durante a manhã e encontros com organizações de estudantes do ensino secundário e universitário durante a tarde.
A menos de seis meses das eleições presidenciais, nas quais a candidata da extrema-direita Marine Le Pen surge como favorita, o Governo de Sébastien Lecornu não dispõe de maioria na Assembleia Nacional e o poder de Emmanuel Macron está envolvido numa nova crise social, da qual o candidato da esquerda radical Jean-Luc Mélenchon, apontado pelas sondagens como possível candidato à segunda volta, pretende tirar partido. O político, de 70 anos, realizou este sábado o seu grande comício de lançamento da campanha.
A crise começou no início do ano letivo, em setembro, com um movimento de estudantes do ensino secundário contra a degradação do sistema educativo francês, ao qual se juntaram várias manifestações de descontentamento contra o custo de vida e contra Emmanuel Macron, que deixará a Presidência em maio, após 10 anos no poder.
Numa carta enviada na sexta-feira aos parceiros sociais, Sébastien Lecornu garantiu que “ouve as expectativas manifestadas em matéria de salários e poder de compra”, mas também as “preocupações” dos empregadores. “A conferência social permitirá apresentar respostas concretas às expectativas dos franceses”, afirmou.
Por seu lado, a coordenação dos coletes amarelos, uma expressão renovada do movimento de contestação social nascido em França em 2018, tinha convocado uma concentração separada, proibida pelas autoridades, na praça da Concórdia, perto da Assembleia Nacional, mas a iniciativa reuniu poucas pessoas.
Cerca de uma centena de manifestantes concentrou-se no local no início da tarde deste sábado, e os participantes, na sua maioria sem coletes amarelos, foram rapidamente cercados por um cordão policial e um dos dirigentes do movimento foi detido em frente à Assembleia Nacional, relatou uma jornalista da AFP.
Os coletes amarelos previam realizar cerca de 120 ações em todo o território francês, muito abaixo das cerca de 1.700 ações reivindicadas a 17 de outubro, primeiro sábado de manifestações, marcado por episódios de violência cujas imagens deram a volta ao mundo.
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Cerca de 70 mil polícias e gendarmes foram mobilizados em todo o território francês, segundo o ministro do Interior, Laurent Nuñez. “O risco é exatamente o mesmo dos sábados anteriores”, afirmou na sexta-feira, alertando para “fenómenos mais dispersos ou mesmo esporádicos, cujo nível de violência não diminuirá de intensidade”.
Foram decretadas proibições de manifestações em alguns centros urbanos, como em Rennes, no oeste do país, devido aos “graves episódios de violência” ocorridos na quinta-feira naquela cidade. O
s oito principais sindicatos nacionais já anunciaram que tomarão uma posição na segunda-feira à noite. “A única coisa que fará parar a mobilização será uma resposta às reivindicações apresentadas há várias semanas pelos trabalhadores, funcionários públicos, jovens e reformados”, escreveram estas organizações na sexta-feira.
A dimensão da manifestação de quinta-feira “deve levar o Governo a compreender que não pode esperar pelas eleições presidenciais”, afirmou Marylise Léon, secretária-geral da Confederação Francesa Democrática do Trabalho (CFDT), o maior sindicato francês, que reclama um aumento de 100 euros líquidos mensais do salário mínimo. O Governo tem dado sinais, nos últimos dias, de abertura a uma medida relativa ao salário mínimo, mas o aumento deverá ficar aquém das exigências dos sindicatos.